Egresso de Agronomia se destaca como professor e pesquisador internacional

Marcelo Barbosa iniciou sua trajetória científica na graduação da Ufal e ainda mantém parceria e troca de conhecimentos com sua primeira casa acadêmica

Por Manuella Soares - jornalista.
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Marcelo Barbosa é professor na Universidade de Missouri, tradicional instituição dos Estados Unidos
Marcelo Barbosa é professor na Universidade de Missouri, tradicional instituição dos Estados Unidos

Foi durante a graduação em Agronomia no Campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) que Marcelo Barbosa Rodrigues descobriu uma paixão que mudaria os rumos da sua vida: a pesquisa científica. O que começou com estudos sobre irrigação e uso de drones na agricultura abriu caminho para uma carreira internacional, marcada por pesquisas inovadoras, premiações e experiências em importantes universidades. Agora, o egresso da Ufal se tornou professor na Universidade de Missouri, tradicional instituição dos Estados Unidos.

Natural do povoado Boca da Mata, na zona rural de Limoeiro de Anadia, no Agreste alagoano, Marcelo cresceu acompanhando o trabalho da família, que há gerações vive da agricultura. Filho, neto e bisneto de agricultores, conheceu desde cedo os desafios enfrentados por quem tira da terra o sustento.

Foi essa proximidade com o campo que influenciou sua escolha profissional. Mas, para chegar à Universidade Federal de Alagoas, contou com o maior incentivo: o dos pais! "Na época deles, não tiveram as mesmas oportunidades de acesso à educação que eu tive, mas sempre fizeram de tudo para que eu entendesse o quanto os estudos eram importantes. E esse incentivo foi fundamental para que eu chegasse até aqui", recorda.

Na Ufal, Marcelo encontrou oportunidades que abriram sua visão sobre a profissão. Logo no início do curso, passou a integrar o Grupo Irriga, dedicado a pesquisas em irrigação, e começou a trabalhar ao lado de professores e colegas em estudos que aproximavam o conhecimento acadêmico dos desafios enfrentados no campo.

O contato com novas tecnologias despertou sua curiosidade sobre como ferramentas digitais poderiam contribuir para tornar a agricultura mais eficiente. E na reta final da graduação, começou a explorar o uso de drones para monitorar lavouras, área que se tornaria uma das principais linhas de sua atuação científica.

A experiência foi decisiva não apenas para sua formação como engenheiro agrônomo, concluída em 2019, mas também para a descoberta de uma vocação para a pesquisa.

Da pesquisa aos reconhecimentos internacionais

Com o diploma em mãos e a vontade de aprofundar os conhecimentos, ele seguiu para São Paulo, onde ingressou no mestrado em Agronomia, com concentração em Agricultura Digital, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal.

Por lá, ampliou os estudos com drones, satélites e sensores aplicados ao monitoramento agrícola e, logo após, iniciou o doutorado, incorporando ferramentas de inteligência artificial às pesquisas. Durante essa etapa, também desenvolveu parte de seu trabalho na Louisiana State University, nos Estados Unidos, antes de defender a tese, em 2024.

A experiência internacional ganhou força com o pós-doutorado na University of Georgia, nos Estados Unidos, quando o egresso da Ufal passou a investigar também o uso da robótica na agricultura, buscando soluções tecnológicas capazes de aprimorar o manejo e a produção agrícola.

Os resultados renderam reconhecimentos importantes, como o Award of Excellence for Postdoctoral Scholar e o prêmio internacional The Innovation Award (Land), concedido pelo Farm Robotics Challenge.

Esse ano, aquele menino do interior de Alagoas deu mais um passo importante na carreira ao assumir o cargo de professor de Agricultura de Precisão na University of Missouri, a primeira instituição pública de ensino superior a oeste do rio Mississippi, fundada em 1839. Lá ele tem a oportunidade de continuar suas pesquisas que integram drones, sensores, robótica e inteligência artificial ao monitoramento e manejo das culturas agrícolas.

"Minha maior motivação é poder desenvolver e aplicar tecnologias que contribuam para o avanço da produção agrícola, além de incentivar e contribuir para a formação de uma nova geração de cientistas, pesquisadores e profissionais do agronegócio, por meio do ensino, da pesquisa e da extensão", reforça.

Conexão com a primeira instituição

Apesar da distância geográfica, a Ufal continua presente na trajetória de Marcelo. Desde que deixou Alagoas para cursar a pós-graduação, ele mantém contato com professores e colegas da instituição alagoana e participa de atividades acadêmicas, como palestras, treinamentos e encontros com estudantes.

Além de revisitar o lugar onde iniciou sua formação, o pesquisador considera essas oportunidades uma maneira de fortalecer a circulação do conhecimento científico e aproximar experiências desenvolvidas em diferentes realidades.

Para ele, muitos dos desafios enfrentados pela agricultura brasileira são semelhantes aos de outros países, o que torna ainda mais importante a colaboração entre pesquisadores e universidades. A conexão com a Ufal também é marcada pelo reconhecimento às oportunidades recebidas durante a graduação e à contribuição da universidade pública para sua formação.

"E pensar que tudo isso começou a se concretizar há mais de dez anos, quando decidi ingressar no curso de Agronomia da Ufal. Sou profundamente grato a todos que fazem e fizeram parte dessa universidade, assim como às demais universidades públicas que me proporcionaram oportunidades de aprendizado, crescimento pessoal e desenvolvimento profissional", lembra com gratidão.

Das raízes no campo ao futuro da agricultura

Ao olhar para a própria trajetória, Marcelo reconhece que as conquistas profissionais carregam muito da história de sua família. O menino que cresceu na roça, acompanhando de perto o esforço dos pais, hoje utiliza tecnologias avançadas para buscar soluções que possam beneficiar justamente quem vive da atividade agrícola.

"Hoje, sou muito feliz e grato por todo o esforço que meus pais fizeram. Quando olho para trás, consigo perceber claramente o quanto a educação transformou minha vida", conta.

Entre laboratórios, salas de aula e pesquisas internacionais, ele não perde de vista o dá sentido ao seu trabalho. "No fim das contas, acredito que o nosso trabalho tem um propósito muito maior: contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas, ajudar a colocar comida na mesa e desenvolver soluções que facilitem e aprimorem o trabalho de quem vive no campo", ressalta.

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