Pesquisa da Ufal sobre conservação de solos no Semiárido recebe menção honrosa em evento científico

Trabalho de mestrando do Campus Arapiraca foi reconhecido durante a Reunião Nordestina de Ciência do Solo e o Simpósio de Mudança Climática e Desertificação, realizados na Bahia

Por Juliana Gomes - estudante de Jornalismo
Luiz Eduardo de Melo é aluno do Programa de Pós-Graduação em Agricultura e Ambiente da Ufal
Luiz Eduardo de Melo é aluno do Programa de Pós-Graduação em Agricultura e Ambiente da Ufal

Uma pesquisa desenvolvida no Campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), recebeu menção honrosa durante a 9ª Reunião Nordestina de Ciência do Solo (RNCS) e o 6º Simpósio de Mudança Climática e Desertificação (SMCD), realizados em setembro, em Juazeiro, na Bahia. O trabalho investiga o potencial de uma leguminosa para contribuir com o manejo e a conservação dos solos no Semiárido alagoano. 

Intitulado “Dinâmica de crescimento e acúmulo de biomassa de Stylosanthes cv. Campo Grande sob diferentes fontes de adubação no Semiárido alagoano”, o estudo foi apresentado pelo mestrando Luiz Eduardo de Melo, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Agricultura e Ambiente (PPGAA). A pesquisa foi desenvolvida no Grupo de Pesquisa Manejo e Conservação de Solos Tropicais e integra uma investigação mais ampla sobre alternativas para a recuperação de solos degradados na região.

A pesquisa busca avaliar a adaptação e o desenvolvimento da cultivar Campo Grande às condições ambientais do Semiárido, além de investigar suas possíveis contribuições para a melhoria dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo. Desenvolvida pela Embrapa Gado de Corte, a leguminosa apresenta características como capacidade de associação com bactérias fixadoras de nitrogênio e produção de biomassa, aspectos que podem favorecer a ciclagem de nutrientes e a conservação do solo.

Resultados apontam potencial para a conservação dos solos

O estudo foi motivado pela necessidade de identificar alternativas sustentáveis para o manejo agrícola em regiões marcadas pela irregularidade das chuvas, pelas temperaturas elevadas e por solos com diferentes limitações naturais. O experimento foi conduzido no município de Carneiros, no Sertão alagoano, em um Neossolo Regolítico.

Os resultados iniciais indicaram desenvolvimento satisfatório da cultivar nas condições avaliadas. A pesquisa também identificou respostas distintas às fontes de adubação utilizadas: o esterco bovino apresentou resultados favoráveis ao acúmulo de biomassa, enquanto a adubação mineral se destacou no crescimento em altura das plantas.

Segundo Luiz Eduardo, essa diferença evidencia a importância de avaliar diferentes indicadores para compreender o desempenho da cultura. A produção de biomassa, por exemplo, pode contribuir para a cobertura do solo, o aporte de matéria orgânica e a ciclagem de nutrientes.

“O experimento teve duração aproximada de seis meses, período insuficiente para demonstrar de forma conclusiva melhorias nos atributos físicos do solo. Por isso, os resultados representam evidências promissoras do potencial agronômico e conservacionista da cultivar, mas ainda são necessárias novas etapas de investigação para avaliar seus efeitos em períodos mais longos”, explica Luiz.

Reconhecimento fortalece a pesquisa científica

A menção honrosa foi recebida com satisfação pelo mestrando, que destacou a importância de apresentar os resultados à comunidade científica. O grupo de pesquisa participou do evento com mais de 15 trabalhos submetidos, aceitos e apresentados, abrangendo investigações de estudantes de graduação e pós-graduação. “Receber a menção honrosa e ter nosso trabalho destacado entre os melhores do evento foi, sem dúvida, uma surpresa muito feliz e motivo de grande satisfação”, afirmou Luiz Eduardo.

Para ele, o reconhecimento também evidencia a relevância das pesquisas desenvolvidas na universidade pública e a contribuição do trabalho coletivo para a produção científica. A investigação começou durante sua graduação em Agronomia, em Arapiraca, e teve continuidade no mestrado em Agricultura e Ambiente.

Natural de Carneiros, município onde o experimento foi realizado, o pesquisador ressalta o significado pessoal da conquista. “Poder investigar questões relacionadas à realidade da região onde cresci e contribuir, por meio da ciência, para a construção de alternativas que possam beneficiar essa população é algo que considero extremamente gratificante”, destacou.

Próximas etapas da investigação

A pesquisa terá continuidade por meio de estudos voltados à compreensão dos efeitos da cultivar sobre a qualidade do solo ao longo do tempo. O grupo também desenvolve investigações em outras regiões de Alagoas, incluindo Arapiraca, no Agreste, e Igreja Nova, na Zona da Mata, para avaliar o comportamento da cultura em diferentes condições ambientais.

Entre as perspectivas estão aprofundar as análises sobre o desenvolvimento vegetal, a produção de biomassa e as alterações nos atributos físicos, químicos e biológicos do solo. A expectativa é que os resultados futuros possam subsidiar recomendações de manejo adaptadas às características ambientais do estado.

A equipe também pretende reunir os resultados das investigações em uma publicação científica, ampliando a divulgação do conhecimento produzido e contribuindo para o desenvolvimento de alternativas agrícolas mais sustentáveis para o Semiárido alagoano. 

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