Estudante cria método de estudo que une leitura e impacto social

Modelo já foi aplicado por dezenas de pesquisadores e obteve sucesso em aprovação de projetos

Por Manuella Soares - jornalista
- Atualizado em
Rafael Britto criou método que de estudo que une leitura, interdisciplinaridade e impacto social
Rafael Britto criou método que de estudo que une leitura, interdisciplinaridade e impacto social

Seguro sobre o padrão criado, confiante nos resultados e feliz por transformar sua teoria em ações tangíveis. Rafael Britto dedicou anos de estudo entre desafios, obstáculos e triunfos para chegar a um protocolo que nomeou de “Pentágono da Pesquisa”. Mestre em História pela Ufal, bolsista do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) e licenciando em formação, ele aplicou o próprio método para acumular algumas conquistas acadêmicas, entre elas, a recente aprovação em dois programas de doutorado.

Com base no hábito de leitura e em uma estrutura pentagonal, onde cada vértice forma teoria e metodologia; objeto; fonte; espaço; e tempo, ele mostra que seu protocolo é eficiente e interdisciplinar.

“O segredo da transversalidade reside no Pentágono da Pesquisa. Independente do departamento – História, Arquitetura, Computação – todo projeto aprovado possui esses cinco pilares perfeitamente alinhados operando como uma estrutura de engenharia indestrutível”, explicou.  

Rafael atribui suas conquistas ao cultivo sistemático da leitura para formular perguntas e conectar ideias. Foi esse exercício, aliado à necessidade de navegar em territórios disciplinares fechados, que o levou a formalizar o conjunto de técnicas simples e robustas para orientar outras pesquisas. Ele explica que o pentágono serve para garantir que qualquer investigação contenha elementos essenciais para ser científica e rigorosa, seja um artigo, dissertação ou tese.

“Nós não escrevemos opiniões. Nós construímos ciência através de método”, ratifica.

Como funciona o protocolo

O método de Rafael Britto compreende cinco vértices claramente definidos: Teoria e metodologia (a lente e a ação); objeto (o alvo da análise); tempo (recorte cronológico, limite histórico); espaço (o território onde o fenômeno ocorre); e fonte (a prova material).

Rafael reforça que a fonte é o corpo documental que sustenta a investigação: “Sem fonte não há pesquisa acadêmica. Sem a fonte o pesquisador flutua no vazio”. Ele destaca que conhecer esses cinco pontos evita dispersões temáticas e fortalece a argumentação em bancas.

Vencida essa etapa, o método de Rafael, que já atua como professor, encaminha o pesquisador para o que chama de “Triângulo de Rigor”. A estrutura forma no texto uma coesão blindada entre objetivo, tema e conceitos, que segundo ele, direciona aos êxitos nas bancas: “Se o pesquisador respeitar essa geometria, a pesquisa se torna estruturalmente inatacável”.

Resultados e reconhecimento

Em curto espaço de tempo, Britto obteve resultados que ressaltam a eficácia do método. Ele foi aprovado no Programas de Pós-Graduação em Linguística e Literatura (PPGLL) e em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU), ambos da Ufal. Ele escolheu se aprofundar no tema da violência, o qual lhe atravessa desde a graduação, cursando o doutorado em Arquitetura e reforçando a importância da interdisciplinaridade que a Ufal oportuniza.

Para exemplificar, ele contextualiza: “Enquanto historiador, entendo os processos de formação da nossa cidade, como é que as políticas públicas  se enraizaram, como o coronelismo perpassou a ideia de repressão e agora acompanha determinadas famílias, e como é que isso vai se desaguar, por exemplo, nas questões educacionais, estruturais, nas questões de violência. Se eu pego todo esse embasamento do curso de História e vou para Arquitetura, posso entender por que tem delegacias de violência contra mulher em bairros específicos, os postos de atendimento de roubos e flagrantes em lugares específicos, e inclusive, uma tentativa do Estado de cercar determinadas áreas”.

Seus estudos também resultaram em uma produção bibliográfica consolidada, incluindo capítulo de livro na obra Ciência Política, Governança e Democracia, e coautorias em artigos e capítulos pela editora Atena.

O professor ainda está envolvido num projeto da Casa da Palavra, voltado aos alunos do curso de Comunicação em Medicina. Além de organizar a primeira coletânea de artigos científicos produzidos pelos estudantes, que envolverá bibliografias e metodologias, ele participa de uma capacitação focada na escrita acadêmica rigorosa.

“Este projeto representa meu maior desafio no momento, algo que aceitei com entusiasmo. O objetivo é que esses alunos, mesmo na graduação, estejam aptos a produzir textos acadêmicos de qualidade. Além dos artigos, abordaremos a elaboração de projetos de pesquisa e a preparação para seminários, simpósios e congressos, sempre com foco na produção científica”, adianta.

Aplicações do método

Disciplinado e entusiasmado com o estudo desenvolvido, o cristão, lutador de artes marciais e eloquente historiador já plantou a semente do conhecimento em muitos projetos desenvolvidos por estudantes da Ufal. Enquanto inicia o doutorado no PPGAU, Rafael Britto desenvolve um trabalho da Central de Atendimento ao Usuário (CAU) no NTI e dedica tempo à docência com orientações acadêmicas.

 Já foram muitos pentágonos estruturados nas escritas científicas de áreas diversas. Mais recentemente sua orientação técnica resultou na aprovação integral de cinco projetos de mestrado, sendo dois em Informática, um no Instituto de Ciências Sociais, um no Programa de Pós-Graduação em Psicologia e outro em Comunicação.

Além das notas e aprovações, Rafael enfatiza o efeito humano do método: muitos alunos em situação de emergência acadêmica recuperaram autonomia e passaram a competir por vagas em vários programas. “O Método Rafael Britto comprova que a genialidade acadêmica não é um dom místico, mas o domínio absoluto sobre a estrutura”, revela.

Ele conta que assim como as páginas em branco são superadas, os alunos desenvolvem seus trabalhos com mais liberdade, sem precisar, necessariamente, se prender apenas às preferências de linha de pesquisa do orientador.  Seu método pode ser replicável e adaptável a diferentes campos do saber, sustentando que leitura crítica e interdisciplinaridade aplicada são caminhos para uma pesquisa comprometida com problemas sociais reais.

“A estrutura não é apenas uma técnica de redação, é uma ferramenta de libertação intelectual. O Método Rafael Britto retira o pesquisador da passividade descritiva e entrega a ele a arquitetura necessária para intervir criticamente no mundo, seja projetando cidades, lendo códigos ou compreendendo Dostoiévski”, conclui.

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