Estudantes da Ufal são destaque em Escola de Verão na Unicamp e UFPE

Participação reforça a presença da universidade em espaços de excelência científica e evidencia trajetórias marcadas pelo estudo, dedicação e premiações

Por Maria Villanova – estudante de Jornalismo
- Atualizado em
Estudantes na Unicamp (Arquivo Pessoal)
Estudantes na Unicamp (Arquivo Pessoal)

Oportunidade de aperfeiçoamento dos estudos, as escolas de verão em Física oferecem qualificação acadêmica e oportunidades de troca entre estudantes de diversas instituições. Assim, quatro estudantes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) aproveitaram o período antes do início do semestre letivo de 2026 para aprofundar seus conhecimentos na área, sendo reconhecidos pelos trabalhos acadêmicos desenvolvidos durante a graduação.

As alunas Laura Maria Soares e Alice Farias, do Campus Arapiraca, e Maria Aparecida Raycha da Silva, do Campus A.C. Simões, participaram da Escola de Verão 2026 do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), realizada entre os dias 2 e 6 de fevereiro. Já o estudante Carlos Eduardo Santana, também do Campus A.C. Simões, escolheu participar do Curso de Verão da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), entre os dias 2 e 13 de fevereiro.

Os discentes tiveram a oportunidade de mostrar um pouco mais do trabalho desenvolvido na Ufal, além de participar de um importante espaço de troca de conhecimento e integração, que reuniu estudantes de diferentes regiões do país interessados em aprofundar conhecimentos em áreas das ciências exatas. A programação incluiu minicursos, aulas práticas, palestras com pesquisadores renomados e visitas a laboratórios de pesquisa.

A iniciativa também proporcionou uma imersão em temas avançados e apresentou oportunidades de formação acadêmica e ingresso em programas de pós-graduação, o que chamou a atenção das estudantes. “Eu fiquei extremamente feliz quando fui aceita na Unicamp e pretendia fazer colaborações com alguns professores para um futuro mestrado. Tivemos várias aulas interessantes, todos da organização foram muito receptivos, e também os outros alunos nos acolheram muito”, destacou Maria Raycha, do Campus A.C. Simões.

Oportunidade profissional e novas perspectivas

Para Laura Maria, do Campus Arapiraca, as expectativas eram altas: “A universidade é amplamente reconhecida pela excelência em pesquisa e ensino, e eu sabia que essa experiência agregaria imensamente à minha formação acadêmica e pessoal”, afirmou a discente, que recebeu o segundo lugar na apresentação dos trabalhos científicos. “Quando ouvi meu nome durante a premiação, senti uma emoção indescritível. Foi a materialização de muito esforço e dedicação”, relatou.

Também do Campus Arapiraca, a estudante Alice Farias conquistou menção honrosa com um trabalho voltado à instrumentação inclusiva para o ensino de Física. Para ela, o contato com laboratórios e tecnologias avançadas foi um grande diferencial do curso e ampliou as perspectivas acadêmicas e profissionais. “Conhecemos espaços com equipamentos únicos na América do Sul. Receber esse prêmio validou a relevância social do meu trabalho e reforçou o meu compromisso em tornar a ciência mais acessível”, pontuou.

As estudantes reforçam também o papel da mulher cientista e buscam inspirar outras estudantes, sobretudo nordestinas, a ocuparem espaços acadêmicos de excelência. “É de grande alegria para nós essas conquistas, como mulher, como nordestina, como iniciante nessa área de pesquisa. Conseguimos mostrar às meninas mais jovens que podemos alcançar nossos objetivos e que há espaço para todas nós em qualquer área. Juntas, conseguimos!”, celebrou Laura.

Para Carlos Eduardo, ir para Pernambuco foi uma experiência de aprendizado, oportunidade de relação profissional e também a confirmação de que deseja seguir o caminho acadêmico. “Sempre gostei muito de Física, mas, no fim do ensino médio, decidi seguir pela carreira. De fato, é uma área que exige muita dedicação, mas vale a pena por estar na área de que gosto”, contou.

Agora, no último ano do curso, o estudante de 21 anos vê sua pesquisa ser duplamente premiada e fala sobre os próximos passos: “Meu trabalho trata do desenvolvimento de um dispositivo demultiplexador de OAM em chip fotônico, utilizando um método numérico de otimização. Ganhei, no Curso de Verão, o prêmio de melhor pôster. Fiquei bem feliz e surpreso com o resultado, porque não esperava. Também fui premiado com a excelência acadêmica pela Ufal e, agora, estou me preparando para o Exame Unificado de Física, para fazer mestrado, doutorado e seguir a carreira acadêmica”, concluiu.

Educação como instrumento de transformação

Além do aprendizado e de boas conexões, Maria Raycha também conquistou o primeiro lugar na apresentação de trabalhos científicos. Interessada em pesquisas na área de computação quântica, com foco na dinâmica de sistemas quânticos abertos, a estudante não imaginava receber a premiação. “Eu estava apenas me divertindo e falando de algo que amo, sobre meu trabalho atual de iniciação científica, e fiquei feliz pelo reconhecimento. Quando você se dedica ao que faz, os resultados acabam acontecendo”, afirmou.

A história da estudante também mostra a educação como um instrumento de transformação social. Natural de Maceió, a estudante de 21 anos é filha de uma feirante e de um caminhoneiro, a primeira da família a ingressar em um curso superior e sempre sonhou em ser cientista. Agora, conta que tenta convencer a irmã de 12 anos a seguir também na área das Ciências Exatas.

Para Maria, o prêmio e a ocupação de espaços de excelência acadêmica representam não apenas uma conquista individual, mas também coletiva. “Eu agradeço aos meus pais, Ronaldo Alexandre da Silva e Luciana Lopes Muniz, por não medirem esforços para possibilitar a minha ida; aos meus orientadores, professor Guilherme Almeida e o doutorando Matheus Oliveira; e à Ufal pela oportunidade acadêmica e pelo apoio dos professores. Inclusive, nossa participação foi elogiada pelos docentes”, destacou.

A participação e o destaque dos estudantes reforçam o protagonismo da Ufal na formação de pesquisadores e demonstram como oportunidades acadêmicas nacionais contribuem para ampliar horizontes, fortalecer vocações científicas e inspirar outros a seguirem o caminho das ciências.

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