Seminário na Ufal debate equidade e desafios para um SUS mais inclusivo
Encontro organizado pelo PET-Saúde apresenta resultados de dois anos de atividades em unidades básicas de saúde de Maceió
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A promoção da equidade é um dos princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS) e envolve o reconhecimento das diferentes necessidades da população para garantir acesso justo às políticas de saúde. Com o objetivo de ampliar esse debate e fortalecer a formação crítica de estudantes e profissionais da área, o Programa de Educação Tutorial (PET) Saúde da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) organizou o 1º Seminário de Equidade, com palestras e mesas-redondas sobre o trabalho realizado durante os dois anos do programa.
Aberto ao público, o evento de abertura aconteceu na manhã desta quarta-feira (11) e reuniu estudantes, profissionais da saúde, gestores e membros da comunidade interessados em refletir sobre práticas e desafios para a construção de um SUS mais inclusivo e democrático. A programação também apresentou os objetivos e resultados obtidos pelo projeto, analisando a temática da equidade na matriz curricular dos cursos e sua concretização na prática dos serviços, dando visibilidade às questões relacionadas aos trabalhadores.
Coordenadora do PET-Saúde e uma das organizadoras do evento, Teresa Carvalho comentou sobre os trabalhos desenvolvidos: “Os trabalhos foram realizados nas unidades básicas de saúde do 6º e 7º distritos sanitários de Maceió, numa parceria com a Ufal. Nosso objetivo foi evidenciar as questões críticas relacionadas às desigualdades enfrentadas pelas pessoas trabalhadoras, foco central do projeto. O seminário discutiu a importância da equidade e mostrou como os profissionais atuantes no serviço interpretam e aplicam o conceito de equidade em seu cotidiano de trabalho”, explicou.
A mesa de honra do evento foi composta pela vice-reitora da Ufal, Eliane Cavalcanti; pelo pró-reitor de Extensão, Cézar Nonato; pelo coordenador de Desenvolvimento Pedagógico da Pró-Reitoria de Graduação, Willamys Soares; pela representante das professoras coordenadoras e tutoras do PET-Saúde Equidade, Sabrina Neves; pela representante das preceptoras do PET-Saúde, Eladja Oliveira; pela representante das estudantes do PET-Saúde Equidade, Mariana Silvestre; e pela representante do Comitê Estadual de Equidade da Secretaria de Estado da Saúde, Emyli Vieira.
Advogada e supervisora estadual da Política de Humanização, Emyli Vieira ressaltou a necessidade de expandir a discussão para além da sala de aula e do ambiente de trabalho: “Que a gente discuta sobre a equidade além do espaço que ocupamos. Esse debate precisa ser fomentado para a nossa sociedade, para além da teoria”, destacou. Entendimento ratificado por Mariana Silvestre: “Espero que a gente saia com esse olhar de continuar a debater sobre o tema”, concluiu.
Assistente social, Eladja destacou a importância de observar as vivências de quem atua diretamente na promoção da equidade. “Devemos compreender as histórias individuais, marcadas por questões de classe, racismo e gênero. Os trabalhadores e trabalhadoras, nesse contexto, também são fontes de aprendizado”, pontuou. O entendimento foi ratificado pelo professor doutor Cézar Nonato: “Devemos olhar os comentários dos profissionais de saúde. As políticas serão, de fato, transformadoras quando os agentes tiverem suas vidas transformadas”, destacou.
Em sua fala, Eliane Cavalcanti ressaltou a importância de promover o respeito e a dignidade da pessoa humana e propôs uma reflexão sobre o tema: “Independentemente de suas características individuais, cada ser humano é um elo fundamental na complexa teia da vida, e cada indivíduo possui um valor intrínseco dentro do contexto social. Considerando a natureza do Programa de Educação Tutorial, que por sua essência busca a aproximação por meio do ensino, da pesquisa e da extensão universitária em diálogo com o território, acredito que a promoção da equidade exige o relacionamento com o outro, em nome do outro e para o outro. Se não agirmos agora, quando o faremos? Se não formos nós a tomar essa iniciativa, quem o fará?”, pontuou.
A abertura ainda contou com a apresentação cultural do agente de afroturismo e dono da start-up Onilé, que promove passeios para a Serra da Barriga e estuda o impacto social do legado do Quilombo dos Palmares, Diego Bára Onã, em uma performance artística de dança afroindígena.
Após a abertura, o evento prosseguiu com as apresentações das mesas temáticas, realizadas pelos integrantes do PET-Saúde, com participação de convidados. A programação continua nesta quinta-feira (12).
Feira empreendedora traz convite à reflexão
Outro destaque do evento foi a realização de uma feirinha empreendedora no hall da Reitoria. A convite da organização, a Associação Brasileira das Famílias Atípicas Empreendedoras (Abrafae) trouxe para a universidade o debate sobre consumo consciente e solidário.
Uma das expositoras, Thaiany Lima, mãe atípica, falou mais sobre o projeto: “Ela nasceu como um projeto de famílias atípicas, presidido por Luana Rodrigues, e o seu intuito é dar oportunidade para pessoas com deficiência ou para pessoas que cuidam de pessoas com deficiência de empreender de alguma forma, gerando renda para custear cuidados, medicamentos, tratamento, alimentação, enfim, tudo o que é necessário”, contou.
Para Dayana Maria, o empreendedorismo foi a forma encontrada para custear as despesas de sua filha atípica, hoje com seis anos. “Durante a pandemia, eu perdi meu emprego, então comecei a trabalhar com acessórios e cuidar dela em casa. Hoje, é aqui que complemento minha renda”, finalizou.
Para saber mais sobre o trabalho, acesse o instagram @familiasatipicasempreendedoras