Confira o e-book Saúde Mental na Maternidade Atípica: desafios e estratégias de apoio para a inclusão escolar de crianças com TEA

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Alagoas

Saúde Mental na
Maternidade
Atípica
DESAFIOS E ESTRATÉGIAS DE APOIO
PARA A INCLUSÃO ESCOLAR DE
CRIANÇAS COM TEA

FICHA TÉCNICA

AUTORES

Dayse Isabel
Isab el Coelho Paraiso Belém
Deise Juliana Francisco

DESIGNER GRÁFICO

Eloya Zanghi Santana Costa

INSTITUIÇÃO

Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Universidade Estadual de Ciências da Saúde
de Alagoas (UNCISAL)

Maceió – Alagoas, 2026

SUMÁRIO

Apresentação
Sobre Este Produto Educacional
Introdução
Capítulo 1 - O que é o Transtorno do Espectro
Autista?
1.1 Sinais, Diagnóstico e Desafios
1.2 Mitos e Verdades Sobre o TEA.
Capítulo 2 - O que é a Maternidade Atípica?
2.1 Os Desafios Emocionais e Sociais
2.2 A Importância da Rede de Apoio
Capítulo 3 - A Saúde Materna como Condição para
a Inclusão Escolar
3.1 A Sobrecarga Materna e seus Reflexos na
Escola
3.2 Quando o Esgotamento Materno Chega à
Escola
3.3 A Escola como Parte da Solução
3.4 Quando o Professor Quer Acolher, Mas
Também Tem Limites
3.5 Este E-book como Recurso de Educação
Especial.
Capítulo 4 - Cuidado e Cuidador
4.1 Quem Cuida de Quem Cuida?
4.2 Exaustão e Sobrecarga Materna

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4.3 Estratégias para Cuidar da Própria Saúde
Física e Emocional.
Capítulo 5 - O que é Saúde Mental?
5.1 Como Identificar Sinais de Desgaste
Emocional?
5.2 Estratégias para Preservar a Saúde Mental
5.3 Onde Encontrar Apoio?
5.4 Atenção à Saúde Emocional na Maternidade
Atípica

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Capítulo 6 - Depoimentos
6.1 Superações e Aprendizados
6.2 O Impacto do Autocuidado na Jornada
Materna
6.3 A Perspectiva dos Profissionais de Saúde
6.4 A Perspectiva dos Profissionais da Educação
Especial
6.5 A Inclusão Escolar nas Vozes das Mães
6.6 O Que os Profissionais Recomendam
Capítulo 7 - Indicação de Leitura
7.1 Livros Recomendados
7.2 Sites Recomendados
Conclusão
Referências
Apêndice

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APRESENTAÇÃO
Este e-book nasceu de uma escuta cuidadosa: a escuta
das mulheres que acordam cedo, percorrem clínicas,
negociam com escolas, e ainda encontram forças para sorrir
para seus filhos. Mães de crianças com Transtorno do
Espectro Autista (TEA) que carregam, muitas vezes sozinhas,
o peso de uma rotina que a sociedade ainda não aprendeu a
compartilhar.
Ele é o produto educacional de uma pesquisa de
Mestrado Profissional em Educação Especial (PROPGEES),
realizada na Clínica de Terapias Especiais — Espaço TEU,
em Maceió/AL, com o apoio da Universidade Federal de
Alagoas (UFAL) e da Universidade Estadual de Ciências da
Saúde de Alagoas (UNCISAL). Vinculado à linha de
pesquisa Tecnologia Educacional e a Escolarização do
Público-Alvo da Educação Especial, o estudo articula saúde
mental materna e inclusão escolar, partindo da premissa de
que o cuidado com quem cuida é parte indissociável da
garantia do direito à educação das crianças com TEA.
Ao longo da pesquisa, dez mães de crianças com TEA
compartilharam suas experiências por meio de entrevistas
individuais, revelando uma realidade marcada por sobrecarga
emocional, isolamento, amor profundo e uma resiliência que
admira e comove. Suas vozes atravessam cada capítulo deste
material.

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COMO ESTE E-BOOK FOI CONSTRUÍDO?

Este e-book foi construído a partir de duas fontes
principais: a revisão da literatura científica desenvolvida ao
longo da dissertação de mestrado que lhe deu origem, e a
análise das entrevistas realizadas com as dez mães de crianças
com TEA atendidas na Clínica Espaço TEU, em Maceió/AL
— participantes formais da pesquisa, com aprovação do
CEP/UFAL sob o CAAE 88540525.7.0000.5013.
O material conta ainda com a participação informal de
um psiquiatra e um psicólogo que atendem crianças com
TEA e acolhem suas mães diariamente em sua prática clínica,
que, por iniciativa própria e interesse pelo projeto,
contribuíram com reflexões a partir de sua experiência no
atendimento a famílias de crianças com TEA, enriquecendo o
conteúdo do produto educacional.
O e-book passou por avaliação em banca de qualificação
e de defesa, além de avaliação preliminar com uma mãe
atípica, um profissional da saúde e um profissional da
educação especial — por meio de questionário em escala
Likert —, e por validação final conduzida por dois
profissionais da saúde e dois da educação especial, que
avaliaram a precisão científica, a adequação ética e a
pertinência pedagógica do conteúdo.

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FUNDAMENTOS PEDAGÓGICOS DO E-BOOK

Como produto educacional vinculado a um Mestrado
Profissional
em
Educação
Especial
(PROPGEES/UFAL/UNCISAL), este e-book é mais do que
um material informativo: é uma proposta pedagógica
intencional, orientada por princípios que sustentam tanto a
sua forma quanto o seu conteúdo. Quatro matrizes
articuladas dão fundamento ao percurso aqui proposto.
1. Educação dialógica e libertadora (Freire, 1996, 2005). O ebook recusa o modelo bancário em que o leitor é mero
recipiente de informações: cada capítulo abre espaço para
que mães, profissionais e familiares se reconheçam como
sujeitos do processo educativo. Os depoimentos das
participantes da pesquisa não são adornos ilustrativos —
são saberes da experiência que dialogam, em pé de
igualdade, com a literatura científica e com os olhares
profissionais.
2. Educação Especial Inclusiva (Mantoan, 2003; Mendes,
2006; Glat; Pletsch, 2011). A inclusão escolar de crianças
com TEA é compreendida aqui como um processo que
extrapola o acesso físico à escola, demandando
transformação institucional, parceria com as famílias e
reconhecimento das mães cuidadoras como co-partícipes
legítimas do processo educacional. O Capítulo 3
desenvolve essa perspectiva de modo central, articulando

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saúde materna e qualidade da inclusão escolar.
3. Ética do cuidado em educação (Noddings, 1984; Boff,
1999). O e-book parte do princípio de que educar e cuidar
são práticas indissociáveis. Em consonância com
Noddings, entende-se que a relação pedagógica é, antes
de tudo, uma relação de cuidado — atenção sensível ao
outro, responsividade às suas necessidades particulares,
compromisso com seu desenvolvimento integral. Essa
ética orienta tanto o modo como o material se dirige ao
leitor (acolhedor, não prescritivo, respeitoso da
singularidade) quanto o conteúdo das orientações para
profissionais e famílias.
4. Psicoeducação como prática emancipatória (Lukens;
McFarlane, 2004; Colom, 2011). Diferentemente da
educação puramente informativa, a psicoeducação
articula informação científica, reconhecimento da
experiência subjetiva e estratégias de enfrentamento —
sempre com vistas ao protagonismo do sujeito. As seções
práticas do e-book (sinais de desgaste, estratégias de
autocuidado, onde encontrar apoio, instrumentos de
rastreamento) seguem essa lógica: oferecem ferramentas
que ampliam a autonomia das mães e a capacidade de
ação dos profissionais, sem substituir o acompanhamento
especializado.
Articuladas, essas quatro matrizes orientam não apenas
o que o e-book diz, mas também como ele diz: a escolha de
uma linguagem que oscila entre o rigor técnico e a proximida-

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de afetiva; a coexistência de saberes científicos, profissionais e
experienciais; a recusa a discursos prescritivos ou
culpabilizantes; o convite à reflexão e à ação, e não à
conformação. Trata-se, portanto, de um produto educacional
que assume sua função pedagógica em sentido pleno —
formativo, transformador e comprometido com a inclusão.

PARA QUEM É ESTE E-BOOK?

Este material tem três públicos, e cada um deles
encontrará aqui conteúdos pensados especialmente para sua
realidade:

💜 PARA AS MÃES ATÍPICAS

Este e-book é, antes de tudo, para você. Aqui você
encontrará um guia prático de saúde mental: como
reconhecer sinais de sofrimento emocional no seu próprio
corpo e mente; onde buscar ajuda, nos serviços públicos e
privados; como nomear o que você sente para poder pedir
apoio; e como entender que cuidar de si é condição — não
luxo — para continuar cuidando do seu filho.
Escrevo isso também como mãe. Conheço a alegria que
transborda a cada pequena vitória do nosso filho — aquela
conquista que o mundo talvez nem perceba, mas que para
nós vale o mundo inteiro. E conheço também o peso dos dias
difíceis, a exaustão que não tem nome fácil, a solidão que às
vezes aparece mesmo quando estamos rodeadas de pessoas.

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É exatamente por isso que este material existe: porque
você merece ser vista, cuidada e apoiada — não apenas como
mãe, mas como mulher, como pessoa, como alguém cujos
sentimentos importam.
Você não está sozinha. E cada passo do seu filho é também
uma vitória sua.
E por falar em vitória — cuide de você também.

O AUTOCUIDADO POSSÍVEL

Pequenos momentos de prazer e presença para mães que
cuidam o tempo todo.
O que é, de fato, possível?
Sabemos que o discurso comum sobre autocuidado —
"tire um tempo para si", "faça as unhas", "passe um batom" —
não corresponde à realidade da maioria das mães de crianças
com TEA. Sua rotina envolve hipervigilância constante, e
muitas vezes não há tempo nem mesmo para ir ao banheiro
com a porta fechada.
Sugerir, nesse contexto, atividades que exijam ausência
ou silêncio absoluto pode aumentar a culpa de quem já
carrega tanto — porque o que se oferece é simplesmente
impossível de cumprir.
Por isso, este e-book propõe um caminho diferente:
O autocuidado integrado — pequenos momentos de prazer e
respiro que cabem dentro da rotina de cuidado, e não fora dela.

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Sugestões realistas, pensadas para a sua vida real
1. Escute música enquanto cuida. Coloque uma playlist que
te faça bem enquanto prepara o lanche, dá banho ou
organiza a rotina. A música te acompanha sem exigir que
você pare.
2. Faça tarefas que vocês dois gostem juntos. Escolha
atividades que tragam prazer para você também —
desenhar, mexer com massinha, dançar, brincar com
água, ouvir histórias. Cuidar e se divertir podem coexistir.
3. Encontre micro-momentos de presença. Cinco minutos
sentada no chão, no sol da janela, antes do filho acordar.
Um café tomado quente em vez de frio. Uma respiração
profunda no banheiro com a porta encostada. São
pequenos, mas são reais.
4. Permita-se sentir prazer no vínculo. Abraçar o filho, sentir
o cheiro dele, observá-lo dormindo — isso também é
autocuidado, porque alimenta a fonte afetiva que sustenta
tudo.
5. Reformule a ideia de "pausa". Em vez de buscar pausas
que não existem, busque transformar momentos de
cuidado em momentos de presença consciente. Isso muda
a qualidade do tempo, mesmo quando a quantidade não
muda.
6. Quando houver suporte, use sem culpa. Se uma vez por
semana alguém pode ficar com a criança por uma hora —
uma irmã, uma amiga, uma terapeuta —, use esse tempo
do jeito que te faz bem. Não para "produzir" nada.
Apenas para existir como você, por uma hora.

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Uma palavra final sobre culpa
Se você lê estas sugestões e pensa "nem isso eu consigo",
está tudo bem. Não há falha em você.
Há falha em uma sociedade que entrega o cuidado
integral a uma mulher só, e depois cobra dela que cuide de si
como se tivesse a mesma vida de quem não cuida.
Reconhecer isso é, em si, um ato de autocuidado.

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🏫 PARA PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL
E EDUCADORES

Para a Comunidade Escolar — Da Portaria à Direção

A inclusão da criança com TEA — e o acolhimento da
mãe que a acompanha — não é tarefa de um cargo, mas
atravessa toda a escola. Da pessoa que abre o portão pela
manhã ao gestor que assina a matrícula; do professor regente
ao Professor de Apoio Escolar (PAE); dos profissionais do
Atendimento Educacional Especializado (AEE) à equipe de
secretaria. Cada função, em seu tempo institucional próprio
— matrícula, chegada e saída diárias, reuniões pedagógicas,
atendimento individualizado, devolutivas, situações de crise
— encontra a mãe atípica. Cada encontro pode ser de
acolhimento ou de afastamento.
Por isso, este e-book não se dirige genericamente a
"educadores": dirige-se a cada um desses atores, em sua
função específica, oferecendo elementos para que o
acolhimento à família atípica seja intencional, articulado e
institucionalmente sustentado. O quadro a seguir orienta a
leitura por função:

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Função /
Ator escolar

Como o e-book apoia o seu trabalho

Direção e
Coordenação
Pedagógica

Subsidia
a
institucionalização
do
acolhimento à família atípica como
política da escola: orienta a inclusão da
escuta materna no projeto políticopedagógico, fundamenta reuniões de
equipe e justifica o cuidado com a saúde
materna como dimensão da inclusão
escolar.

Professores
regentes e
Professores de
Apoio Escolar
(PAE)

Oferece linguagem, postura e estratégias
para a interlocução cotidiana com a mãe
— abertura de reuniões, devolutivas
pedagógicas, manejo de situações de crise e
identificação de sinais de sofrimento
materno que repercutem no desempenho
escolar da criança (Capítulo 3).

Pedagogos,
Psicopedagogos e
Profissionais do
AEE

Embasa a articulação entre Plano
Educacional Individualizado (PEI) e
contexto familiar, e fundamenta o
encaminhamento qualificado de mães em
sofrimento aos serviços de saúde mental,
em diálogo intersetorial.

Equipe de apoio
(porteiros,
secretaria,
monitores,

Sensibiliza para o primeiro contato —
frequentemente a porta de entrada da
família na escola: matrícula, chegada e
saída diária, bilhetes e telefonemas.

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auxiliares)

A forma como esse contato acontece
marca decisivamente a percepção
materna de acolhimento ou rejeição
institucional.

Famílias atípicas
e a própria mãeleitora

Reconhece a mãe como sujeito de direitos
no processo educativo, oferece linguagem
para nomear suas experiências e
instrumentos para reconhecer sinais de
adoecimento emocional — apoiando-a a
buscar ajuda e a dialogar com a escola
em pé de igualdade.

Esta estratificação responde ao princípio, formulado
por Mendonça, Penido, Sales e Branco (2022), de que um
produto educacional articula quatro camadas — conceitual,
didático-pedagógica, comunicacional e estético-funcional —
que precisam estar ajustadas ao público-alvo. Reconhecer
que a comunidade escolar é plural permite que o e-book seja
apropriado em diferentes níveis: a direção encontra
fundamento institucional, o professor encontra estratégia
cotidiana, o porteiro encontra postura no primeiro contato, e
a mãe encontra a si mesma reconhecida como sujeito do
processo educativo.

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Como ler este e-book?

Os primeiros capítulos (1 e 2) apresentam o TEA e a
maternidade atípica — conteúdo de base para todos os
públicos. Os capítulos seguintes aprofundam temas
específicos, sempre indicando ao início de cada seção a quem
aquele conteúdo se dirige de forma principal. Ao longo do
texto, você encontrará:
Depoimentos de mães: relatos reais das participantes da
pesquisa.
Perspectivas profissionais: olhares clínicos de psiquiatra e
psicóloga.
Marcadores de público: indicando a quem cada seção se
dirige prioritariamente.
Dicas práticas: orientações aplicáveis ao cotidiano.
Que este e-book chegue onde precisa chegar. E que cada
página ajude uma mãe a se sentir menos só — e cada
profissional a cuidar melhor.

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SOBRE ESTE PRODUTO EDUCACIONAL

O que é um produto educacional?
Este e-book é o produto educacional vinculado a uma
pesquisa de Mestrado Profissional em Educação Especial
(PROPGEES/UFAL/UNCISAL).
Nos
programas
profissionais, o produto educacional é entendido como o
material, processo ou ferramenta que articula o conhecimento
científico produzido na pesquisa com as demandas concretas
da prática profissional, com aplicabilidade direta nos
contextos de atuação (Rizzatti et al., 2020; Pasqualli; Vieira;
Castaman, 2018). Diferentemente da dissertação acadêmica
tradicional, o produto educacional pressupõe transformação
da realidade — destina-se a atuar nos contextos de prática, e
não apenas a descrevê-los.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES) reconhece o produto educacional como
elemento central dos mestrados profissionais, exigindo que ele
represente contribuição efetiva ao campo a que se vincula
(Zaidan; Reis; Kawasaki, 2020). Na Educação Especial, isso
significa produzir materiais que ampliem a inclusão escolar,
fortaleçam a formação de educadores e apoiem famílias,
profissionais da saúde e gestores no acolhimento de pessoas
com deficiência ou transtornos do neurodesenvolvimento.
Por que um e-book?
A escolha do formato e-book responde a três critérios pe-

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dagógicos: acessibilidade, porque o material é gratuito e pode
ser distribuído em redes de apoio, escolas e serviços de saúde
sem custo; alcance, porque atinge públicos diversos — mães
atípicas, educadores, profissionais de saúde — em um único
material; e usabilidade, porque permite leitura fragmentada,
consulta seletiva por capítulos e adaptação a diferentes
contextos de uso (sala de aula, consultório, lar).
Por que cuidar da mãe é também uma questão de Educação
Especial
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva
da Educação Inclusiva (Brasil, 2008), atualizada pelo Decreto
nº 11.370/2023, reconhece que a inclusão escolar não se
sustenta apenas com adaptações pedagógicas: ela depende de
uma rede ampliada de cuidado que inclua a família. Mantoan
(2003) e Mendes (2010) destacam que a efetivação da inclusão
exige a articulação entre escola, família, serviços de saúde e
políticas públicas. Glat e Pletsch (2011) reforçam que a
participação ativa da família fortalece práticas pedagógicas
inclusivas e qualifica o desenvolvimento escolar dos
estudantes público-alvo da Educação Especial.
A premissa que orienta este e-book é, portanto, direta:
cuidar da saúde mental materna é também cuidar da
escolarização da criança com TEA. Uma mãe
emocionalmente sustentada tem mais condições de manter a
presença regular do filho na escola, de participar das reuniões
pedagógicas, de implementar em casa as estratégias
terapêuticas e educacionais recomendadas e de defender os
direitos do filho ao longo de sua trajetória educacional. Quan-

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do esse suporte falha, o esgotamento materno chega à escola
— em forma de absenteísmo, comunicação fragilizada,
descontinuidade no acompanhamento. Por essa razão, este
produto educacional foi concebido como recurso de
Educação Especial: não para tratar a saúde mental materna
como questão clínica isolada, mas para reconhecê-la como
componente estruturante da inclusão escolar.
Como este e-book foi avaliado
O e-book passou por avaliação em banca de qualificação
e de defesa, além de avaliação preliminar com uma mãe
atípica, um profissional da saúde e um profissional da
educação especial — por meio de questionário em escala
Likert —, e por validação final conduzida por dois
profissionais da saúde e dois da educação especial, que
avaliaram a precisão científica, a adequação ética e a
pertinência pedagógica do conteúdo.

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INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição
do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação
social e o comportamento, manifestando-se de formas muito
diversas em cada pessoa (APA, 2022). Segundo o Centro de
Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC,
2025), a prevalência mundial do TEA é de aproximadamente 1
em cada 31 crianças. No Brasil, o Censo Escolar de 2023
registrou mais de 636 mil estudantes autistas matriculados em
escolas públicas, evidenciando a dimensão do desafio
educacional e social que o país enfrenta.
Esses números ganham significado quando articulados ao
campo da Educação Especial na perspectiva inclusiva. Garantir
que essas crianças não apenas estejam matriculadas, mas
efetivamente aprendam, participem e se desenvolvam exige mais
do que adaptações pontuais: exige a estruturação de uma rede
de cuidado que articule escola, família e serviços de saúde
(Mantoan, 2003; Mendes, 2010; Glat; Pletsch, 2011). É nessa
rede que se insere a figura materna — frequentemente a
principal cuidadora, mediadora cotidiana entre escola, terapias
e instituições.
Diante desse cenário, as mães são, na esmagadora maioria
dos casos, as principais cuidadoras. Elas organizam as agendas
terapêuticas, comunicam-se com a escola, administram crises
sensoriais e ainda tentam manter algum equilíbrio entre a
própria vida e as demandas constantes do cuidado. Essa
sobrecarga tem um nome: maternidade atípica (Viana; Benicasa,

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2023). E quando essa sobrecarga chega ao limite, o esgotamento
materno repercute diretamente na trajetória escolar da criança
— fato que coloca a saúde mental materna no centro de
qualquer política séria de inclusão escolar.
A pesquisa que originou este e-book foi realizada com dez
mães de crianças com TEA atendidas na Clínica Espaço TEU,
em Maceió/AL. As participantes relataram altos índices de
estresse, ansiedade, solidão e exaustão — mas também amor,
superação e uma força que surpreende. Suas vozes estão
presentes neste material, em depoimentos que iluminam cada
capítulo, e foram interpretadas à luz dos referenciais da
Educação Especial inclusiva e da ética do cuidado.

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O que é o Transtorno do Espectro Autista?

Para todos os públicos.
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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição
do neurodesenvolvimento que se manifesta de forma ampla e
heterogênea, afetando a comunicação, a interação social e os
padrões de comportamento. A palavra "espectro" é
fundamental: não existe um único modo de ser autista. Cada
pessoa com TEA tem suas próprias habilidades, desafios,
interesses e formas de se relacionar com o mundo (APA, 2022;
OMS, 2022).
Historicamente, o autismo foi descrito pela primeira vez
pelo médico Leo Kanner em 1943. Ao longo das décadas, a
compreensão do TEA evoluiu enormemente, passando de uma
visão restrita e estigmatizante para uma concepção ampla, que
reconhece a neurodiversidade como expressão legítima da
condição humana (Evêncio; Fernandes, 2019; Araújo; Silva;
Zanon, 2023).
Atualmente, o diagnóstico é baseado nos critérios do DSM5 TR (APA, 2022) e da CID-11 (OMS, 2022), identificando o
TEA por dois eixos principais: déficits na comunicação e
interação social, e padrões restritos e repetitivos de
comportamento.

1.1 Sinais, Diagnóstico e Desafios
Os primeiros sinais do TEA aparecem antes dos 3 anos de
idade, embora o diagnóstico formal muitas vezes ocorra mais
tarde. Os sinais mais comuns incluem: ausência ou atraso no
desenvolvimento da fala; pouco contato visual; dificuldade em
brincar de forma simbólica; resistência a mudanças na rotina;

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comportamentos repetitivos; e sensibilidade aumentada a
sons, texturas, luzes ou cheiros (SBP, 2024; Soares et al.,
2024).

💡 O diagnóstico de TEA não é uma sentença: é uma porta de

entrada para o suporte adequado. Quanto mais cedo, mais
oportunidades de desenvolvimento para a criança.

1.2 Mitos e verdades sobre o TEA

MITO

VERDADE

Autismo é causado por vacinas.

Estudos científicos extensos não
encontraram nenhuma relação entre
vacinas e TEA.

Crianças autistas não
demonstram afeto.

Crianças com TEA demonstram
amor e afeto: muitas vezes de formas
diferentes, mas igualmente reais.

O TEA tem cura.

O TEA não tem cura, mas com
suporte adequado a pessoa com
TEA pode desenvolver habilidades e
ter uma vida plena.

A mãe é responsável pelo
autismo do filho.

O TEA tem causas neurobiológicas
complexas. Nenhuma forma de
criação ou comportamento materno
causa o TEA.

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E na escola?
Conhecer o TEA importa para a escola por uma razão
simples: muito do que parece "comportamento difícil" é, na
verdade, comunicação ou tentativa de regulação. A criança
que cobre os ouvidos não está sendo desobediente — está
protegendo-se de um som insuportável. A criança que repete
uma fala não está "fugindo da aula" — está se
autorregulando. A criança que evita o olhar não está sendo
desinteressada — está dosando estímulos para conseguir
aprender.
Quando a equipe escolar reconhece esses sinais como
linguagem do TEA, e não como falha de conduta, três
coisas mudam: a criança recebe os apoios certos no
momento certo; a sala de aula se organiza para acolhê-la em
vez de discipliná-la; e a mãe deixa de ser convocada por
"problemas de comportamento" e passa a ser parceira na
construção de estratégias.

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O que é a Maternidade Atípica?

Para todos os públicos.
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O termo maternidade atípica refere-se à experiência de
ser mãe de uma criança com necessidades específicas de
saúde, desenvolvimento ou comportamento. Esse conceito foi
cunhado para nomear uma realidade que, embora vivida por
milhões de mulheres, permanecia invisível e sem
reconhecimento social (Viana; Benicasa, 2023).
Ser mãe atípica significa reorganizar completamente a
própria vida em torno das necessidades do filho. Significa
aprender uma nova linguagem — a dos diagnósticos, das
terapias, dos direitos, da burocracia dos sistemas de saúde e
educação (Almeida, 2023; Araújo, 2024). Mas é também uma
experiência de amor extraordinário, que aprende a celebrar
conquistas que outros não perceberiam.

💬 Depoimento 1:

"Conciliar trabalho, casa e as terapias do meu filho é como
viver três vidas ao mesmo tempo. Tem dias em que eu mal
lembro de respirar. Mas quando ele me abraça — do jeitinho
dele, no tempo dele — tudo faz sentido. Cada pequena
evolução na terapia é uma vitória que ilumina a semana
inteira. Não tenho rede de apoio, então carrego tudo sozinha,
mas sigo porque o amor que recebo dele é maior que
qualquer cansaço."

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2.1 Os Desafios Emocionais e Sociais

O diagnóstico de TEA provoca um impacto profundo
na dinâmica familiar. Muitas mães descrevem um processo de
luto — não pela criança que têm, mas pelo filho idealizado
que imaginavam antes do diagnóstico. Esse luto é real,
legítimo e necessita de acolhimento (Lima, 2023; Sandri et al.,
2024).
Entre os principais desafios emocionais: estresse crônico;
ansiedade diante da incerteza sobre o futuro do filho;
sentimentos de culpa alimentados por discursos sociais que
responsabilizam a mãe; isolamento social; e adoecimento
físico e emocional resultante da sobrecarga acumulada
(Alves; Gameiro; Biazi, 2022; Maia; Muner, 2024).

🩺 Perspectiva profissional — Psicóloga

"No consultório, percebo que essas mães frequentemente
colocam suas próprias necessidades em segundo plano,
priorizando integralmente o cuidado do filho. A literatura
descreve esse fenômeno como 'luto crônico' — não pela perda
da criança, mas pela necessidade de ressignificar expectativas
sociais e pessoais sobre a maternidade. Essa dinâmica
contribui para o desgaste emocional e para o surgimento de
sintomas de ansiedade, depressão e burnout parental."
Não existe uma maternidade atípica. Existem muitas.

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Maternidades atípicas no plural: as desigualdades que
atravessam o cuidado
Falar em "maternidade atípica" no singular pode dar a
impressão de que se trata de uma experiência única, vivida da
mesma forma por todas as mães de crianças com TEA. A
realidade brasileira não confirma essa impressão. Ser mãe
atípica em uma capital, com acesso a planos de saúde e
terapeutas privados, é experiência estruturalmente distinta de
ser mãe atípica na periferia de uma grande cidade ou em um
interior nordestino, dependendo do SUS para terapias com
longas listas de espera, de uma escola sem AEE estruturado e
de uma rede de apoio que muitas vezes não compreende o
diagnóstico.
A literatura documenta essa distinção de forma
consistente: mães em contexto de vulnerabilidade
socioeconômica enfrentam barreiras cumulativas —
diagnóstico tardio pela falta de acesso a especialistas,
impossibilidade de arcar com terapias privadas, dificuldade
de ausentar-se do trabalho para acompanhar consultas, e
menor capital informacional para navegar os sistemas de
saúde e educação (Almeida, 2023; Guckert, 2023; Rezende,
2023; Borges et al., 2025). O território aprofunda essas
barreiras: mães em comunidades rurais, periféricas ou em
municípios pequenos enfrentam ainda longos deslocamentos
para terapias e maior dependência de redes informais de
apoio (Guckert, 2023).
A escola pública — com todas as suas limitações de recur-

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sos e formação — tem sido, historicamente, o principal espaço
de inclusão escolar de crianças com TEA no Brasil,
responsável por acolher a grande maioria desses estudantes. O
que varia não é a rede, mas a presença ou ausência de AEE
estruturado, de professores capacitados e de suporte
institucional efetivo (Mantoan, 2003; Mendes, 2006; Glat;
Pletsch, 2011).
O recorte de raça aprofunda essas distinções. Crianças
negras com TEA são, no Brasil, sistematicamente
subdiagnosticadas — frequentemente recebem rótulos de
"problema de comportamento" antes que o autismo seja
reconhecido. Suas mães enfrentam, simultaneamente, o
capacitismo dirigido ao filho e o racismo dirigido a si mesmas.
A maternidade atípica de uma mulher negra em situação de
vulnerabilidade socioeconômica é experiência especialmente
exposta a violências institucionais, embora a literatura
brasileira específica sobre esse cruzamento ainda seja escassa
(Gesser; Block; Mello, 2020).
O recorte de raça aprofunda e multiplica essas
desigualdades. Crianças negras com TEA são, no Brasil,
sistematicamente subdiagnosticadas — com frequência
recebem rótulos de 'problema de comportamento' ou
'indisciplina' antes que o autismo sequer seja considerado
(Araújo; Silva; Zanon, 2023). Esse atraso diagnóstico não é
aleatório: reflete a atuação do racismo estrutural nos serviços
de saúde e educação, que tende a patologizar
comportamentos de crianças negras como conduta moral,
não como expressão neurológica.

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Quando o diagnóstico finalmente chega, as mães dessas
crianças enfrentam o que a literatura chama de preconceito
duplo ou opressão interseccional: o capacitismo dirigido ao
filho — que desqualifica suas necessidades e limita seu acesso
a direitos — e o racismo dirigido a elas mesmas, que as torna
ainda mais invisíveis nos serviços e nas reuniões escolares
(Gesser; Block; Mello, 2020). Esse duplo preconceito opera
simultaneamente: a mãe negra de uma criança com TEA não
escolhe qual enfrentar primeiro.
A maternidade atípica de uma mulher negra em situação
de vulnerabilidade socioeconômica é, portanto, experiência
exposta a múltiplas camadas de violência institucional — no
consultório que não investiga o TEA, na escola que não
reconhece o direito ao AEE, no serviço que não acolhe a
mãe. A literatura brasileira específica sobre esse cruzamento
ainda é escassa (Gesser; Block; Mello, 2020), mas o que existe
é suficiente para afirmar: ignorar a raça no debate sobre
maternidade atípica é produzir um retrato parcial e
politicamente irresponsável da realidade.
O território também importa. Mães em comunidades
rurais, periféricas ou em municípios pequenos enfrentam a
ausência de serviços especializados próximos, longos
deslocamentos para terapias, e maior dependência de redes
informais de apoio. A própria pesquisa que originou este ebook foi realizada com dez mães em Maceió/AL, atendidas
em clínica especializada em TEA — e seus relatos refletem
essa realidade específica, distinta do que se vê em outros con-

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textos e regiões do país.
Reconhecer que existem maternidades atípicas no plural
— e não uma única — é exigência ética e analítica. Significa
que as orientações deste e-book devem ser apropriadas com
sensibilidade ao contexto específico de cada leitora e de cada
profissional que atua junto a essas famílias: o que é estratégia
útil em uma realidade pode ser irrealista em outra.
Significa também que profissionais da Educação Especial
e da saúde precisam reconhecer que o sofrimento materno se
compõe, em muitos casos, de capacitismo, racismo,
classismo, isolamento territorial e solidão estrutural atuando
juntos — e que cada uma dessas camadas demanda respostas
específicas, não genéricas. Endereçar esse sofrimento exige
enxergar essa composição — e recusar a ilusão de que uma
orientação única serve a todas as realidades (Almeida, 2023;
Araújo; Silva; Zanon, 2023; Gesser; Block; Mello, 2020;
Guckert, 2023; Ribeiro; Massalai, 2024; Santos et al., 2024;
Viana; Benicasa, 2023).
Um terceiro eixo de diferenciação diz respeito ao arranjo
familiar. Mães que cuidam sozinhas — sem parceiro, sem
família próxima, sem rede de apoio disponível — vivem a
maternidade atípica em condição de sobrecarga
qualitativamente distinta. Elas não têm com quem dividir a
vigilância constante, as decisões sobre terapias, os momentos
de crise.
Quando adoecem, não há substituto. Quando chegam ao
limite, o cuidado não para.

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Os depoimentos das participantes desta pesquisa ilustram
essa realidade: 'Não tenho rede de apoio, então carrego tudo
sozinha'; 'Não tenho com quem dividir essa rotina'; 'Não
tenho apoio familiar, então aprendi a ser mãe, terapeuta,
advogada e acolhimento tudo ao mesmo tempo.' Essas vozes
não são exceção — são padrão entre mães atípicas no Brasil
(Ribeiro; Massalai, 2024; Santos et al., 2024; Santos, 2023;
Viana; Benicasa, 2023).
Reconhecer a maternidade solo atípica como categoria
específica — e não como variação menor da norma — é
condição para que políticas, serviços e escolas deixem de
pressupor uma rede de apoio que simplesmente não existe.

💜 Quando a escola não vê — e o que fazer

Algumas mães já passaram por isso: chegam à reunião
pedagógica e ouvem, do início ao fim, uma lista do que o
filho não fez, do que ele não consegue, do que ainda não
aprendeu. E saem dali com a impressão de que o filho é,
para a escola, uma soma de faltas. Se a renda da família é
apertada, e se a escola tem pouco repertório para olhar
diferente, esse apagamento dói duas vezes.
Mas o que você sabe sobre o seu filho — e que talvez a
escola ainda não tenha visto — é o seu maior trunfo. Você o
vê acordar, descobrir, se interessar, conquistar pequenas
coisas que não cabem em nenhuma planilha. Esse olhar é
poder. E pode ser compartilhado.
Algumas formas de levar o que você vê para dentro da es-

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la:
Anote em um caderninho — ou no celular — as
conquistas pequenas: a palavra nova, a textura aceita, o
brinquedo escolhido sozinho, o olhar que durou mais.
Quando for à escola, leve essas anotações. Mostrar ao
professor que ele evoluiu em casa abre caminhos para
que a evolução também seja vista lá.
Comece pelo positivo nas reuniões — antes de a escola
começar pelos problemas, você pode dizer: "esta semana
ele me surpreendeu com tal coisa em casa". Isso muda o
tom da conversa e ensina à equipe a também olhar
diferente.
Faça perguntas que reorientem o olhar — "o que ele já fez
de bom esta semana?", "qual atividade ele se interessou
mais?", "quando ele participou?". Perguntas mudam o
que o outro procura ver.
Identifique aliados na escola — quase sempre há alguém
— uma professora, um auxiliar, alguém da coordenação
— que enxerga seu filho de forma mais inteira.
Aproxime-se dessa pessoa. Construa parceria. Aliados
internos transformam culturas.
Leve a lei consigo quando precisar — a Lei Brasileira de
Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a Lei Berenice Piana (Lei
nº 12.764/2012) garantem a seu filho o direito a uma
educação inclusiva — não a uma cadeira no fundo da
sala. Você não precisa pedir como favor o que é direito.

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Você não é mãe difícil por defender seu filho. Você é mãe
presente. E mães presentes mudam escolas — mesmo quando
o caminho é lento.

💬 Depoimento 6:

"O que mais me machuca não é só a rotina puxada entre
trabalho, casa e terapias. É perceber que muita gente
simplesmente ignora meu filho. Não chamam para aniversários,
não convidam para brincar, como se ele não fizesse parte do
mundo. Nessas horas, eu queria ter alguém para desabafar,
alguém que entendesse o que é ver seu filho ser deixado de lado.
Mas sigo firme, porque quando ele me abraça e sorri depois de
uma evolução na terapia, sinto que todo o resto perde
importância."

2.2 A Importância da Rede de Apoio

A rede de apoio pode incluir: familiares próximos; amigos
que ofereçam escuta e apoio emocional; grupos de mães atípicas,
presenciais ou virtuais; profissionais de saúde que acolham
também a mãe, não apenas a criança; professores e gestores
escolares que estabeleçam uma parceria genuína com a família; e
serviços públicos de assistência social e saúde mental (Caron
Neto; Nascimento, 2022). Pesquisas mostram que mães com
redes de apoio mais robustas apresentam níveis menores de
estresse e melhor qualidade de vida (Baldini et al., 2021; Moreira
et al., 2023).

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💬 Depoimento 2:

"Sou mãe de um menino TEA e trabalho em horário comercial.
A rotina é puxada: deixo na escola, corro para o trabalho, saio
para levar na terapia, volto para terminar o expediente. Às vezes me sinto exausta, mas quando ele olha para mim e sorri
depois de conseguir algo novo, meu coração se enche de
esperança. Tenho uma rede de apoio pequena, mas presente, e
isso faz toda a diferença nos dias mais difíceis."
Entre os elos dessa rede de apoio, a escola ocupa lugar
singular: é o espaço onde a mãe atípica se encontra com
profissionais quase todos os dias úteis, durante muitos anos
consecutivos da vida da criança. Nenhum outro serviço —
nem a saúde, nem a assistência social — oferece presença com
essa regularidade. Quando a escola reconhece esse lugar e o
ocupa com responsabilidade, ela se torna o nó mais constante
da rede; quando o ignora, deixa um vazio que nenhum outro
serviço consegue preencher. É por isso que o próximo
capítulo se debruça sobre a saúde materna não como
problema exclusivo da família ou da clínica, mas também
como questão pedagógica — porque cuidar de quem cuida é,
também, cuidar da inclusão escolar.

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A Saúde Materna como Condição para a
Inclusão Escolar

Especialmente para profissionais da
Educação Especial e educadores.

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Por que cuidar de quem cuida é também uma questão de
Educação Especial.

3.1 A Sobrecarga Materna e seus Reflexos na Escola

A literatura científica é consistente ao apontar altos
índices de estresse, ansiedade e depressão entre mães de
crianças com TEA — em alguns estudos, chegando a 73,9%
das participantes (Carreiro et al., 2017). Essa sobrecarga não
é consequência de fraqueza individual, mas de uma estrutura
social que delega o cuidado quase exclusivamente à figura
materna.
É justamente nesse ponto que saúde e educação se
encontram: uma mãe emocionalmente esgotada tem menos
recursos para garantir a presença regular do filho na escola,
para participar das reuniões pedagógicas, para manter a
comunicação com os professores e para implementar em casa
as estratégias sugeridas pela equipe escolar. O esgotamento
materno chega à escola — mesmo quando a mãe não está lá.

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3.2 Quando o Esgotamento Materno Chega à Escola

O absenteísmo como sintoma.
O Instituto Pensi (2024) aponta que crianças com
transtornos do neurodesenvolvimento chegam a faltar duas
vezes mais do que a média escolar. Esse absenteísmo
raramente é uma escolha deliberada — é, com frequência, o
reflexo de uma mãe que chegou ao limite de suas forças.
Como chegar até a mãe?
Orientações práticas por função escolar.
Cada momento da vida escolar é uma oportunidade de
acolhimento — e cada profissional, em sua função específica,
tem um papel próprio. As orientações abaixo estão
organizadas por função e por momento institucional, em
diálogo com as quatro camadas do produto educacional
propostas por Mendonça et al. (2022).
Equipe de apoio (porteiros, secretaria, monitores) — o
primeiro contato. É frequentemente nesta porta que a
mãe atípica forma sua primeira impressão da escola: na
matrícula, na chegada e saída diária, nos bilhetes de
recado. Cumprimentar pelo nome, oferecer um lugar para
sentar quando há espera, evitar comentários do tipo "de
novo aqui?" diante de chegadas atrasadas e comunicar à
coordenação qualquer sinal de fragilidade observado
(mãe chorando, mãe muito cansada, mãe isolada) são
gestos pequenos com peso institucional grande.

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Professores regentes e Professores de Apoio Escolar
(PAE) — o cotidiano pedagógico. São quem mais
frequentemente conversa com a mãe: na entrega de
tarefas, em devolutivas pedagógicas, em reuniões de pais.
Ao iniciar essas conversas, perguntar primeiro como ela
está — e só depois falar do filho — comunica que ela
existe como pessoa, não apenas como cuidadora.
Substituir formulações como "seu filho não está
conseguindo" por "estamos notando alguns desafios e
gostaríamos de pensar juntos em estratégias" preserva a
parceria. Validar o cansaço sem minimizá-lo (evitar
"você é forte" ou "vai passar"; preferir "vejo o quanto
você se dedica — isso importa e faz diferença para o seu
filho") sustenta o vínculo.
Coordenação Pedagógica — a articulação institucional. É
a função que sustenta a continuidade do acolhimento
entre os turnos, anos e equipes. Cabe à coordenação
institucionalizar a escuta da família atípica como prática
da escola, e não como gentileza individual de um
professor: incluir a saúde materna nas pautas de reunião
pedagógica, acompanhar o histórico de cada família e
mediar conflitos antes que eles escalem.
Pedagogos, Psicopedagogos e Profissionais do AEE — a
articulação intersetorial. Quando há sinais de sofrimento
emocional materno mais intensos — mãe que chega às
reuniões visivelmente exausta, com olhos vermelhos, que
chora com facilidade, que se isola, que demonstra
irritabilidade ou que parece emocionalmente indisponí-

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vel —, é a estes profissionais que cabe a interlocução
qualificada com a rede de saúde. O encaminhamento
não precisa ser formal: pode ser uma conversa gentil —
"já pensou em conversar com alguém de confiança sobre
como você está se sentindo? Há apoio disponível na
Unidade de Saúde mais próxima" —, mas a articulação
subsequente com a UBS, o CAPS ou o CRAS é
responsabilidade institucional, não da mãe.
Direção — a sustentação política e institucional. Cabe à
direção legitimar o cuidado com a saúde materna como
dimensão da inclusão escolar — não como tema
marginal ou agenda de boa-vontade. Isso se traduz em
decisões concretas: fluxo de acolhimento em momentos
críticos, formação continuada da equipe, parcerias com a
Secretaria de Saúde, e clareza ética nas situações em que
a fragilidade materna interfere na frequência ou no
desempenho da criança. Sem direção comprometida,
todas as orientações anteriores tornam-se gestos
isolados.
Mais do que uma divisão de tarefas, esta estratificação é
um convite à articulação: o porteiro avisa a coordenação, a
coordenação articula com o AEE, o AEE conversa com a mãe
e, se necessário, encaminha à rede de saúde — e a direção
sustenta o conjunto. Quando a escola se organiza assim, a mãe
deixa de ser sobrecarregada com a tarefa de "se virar" entre
setores e passa a ser efetivamente acolhida.

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Esta organização por função identifica O QUE cada
profissional pode fazer em seu cargo específico. A seção 3.4
deste capítulo oferece, em complemento, orientações sobre
COMO operar cotidianamente esse acolhimento — frases
acolhedoras, fluxos internos de apoio e protocolo de
observação. As duas seções operam, portanto, dois eixos: "por
função" (3.2) e "por processo" (3.4).

3.3 A Escola como Parte da Solução
Uma escola verdadeiramente inclusiva não inclui apenas
a criança com TEA. Ela inclui também sua família —
especialmente a mãe. Quando a escola desenvolve uma
relação de confiança e parceria com a família, os efeitos são
transformadores: mães que se sentem acolhidas pela escola
relatam menor ansiedade, maior confiança no processo de
inclusão e mais disposição para implementar em casa as
estratégias pedagógicas recomendadas (Hettwer; Noskoski;
Campiol, 2024).
Um convite ao olhar: o que ela CONSEGUE fazer hoje?
Há crianças que passam o ano inteiro na sala de aula e
seguem invisíveis para a escola. Sentadas no fundo, sem
participação esperada, sem conquista anotada. Quando isso
se soma à pouca renda da família, a invisibilidade se
aprofunda: a criança com TEA pobre é, muitas vezes, a que
menos é vista — e a que mais precisa ser.

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Esse apagamento não é aleatório. Ele tem nome:
capacitismo. Capacitismo é a forma como a sociedade — e,
dentro dela, a escola — organiza o olhar para enxergar
primeiro o que a criança não faz, e só depois (quando
enxerga) o que ela faz. Em uma rotina escolar
sobrecarregada, esse olhar acaba se traduzindo em planilhas
de relatos negativos, listas de "dificuldades apresentadas",
devolutivas que começam por "ainda não". A criança vai se
tornando, aos olhos da equipe, uma soma do que lhe falta.
Educar de forma emancipatória é fazer o caminho
contrário: começar pelo que a criança consegue, hoje, agora,
mesmo que pequeno. É anotar a primeira vez que ela aceitou
uma textura nova, a vez que olhou para o colega, a palavra
que arriscou. Não como recompensa simbólica, mas como
ponto de partida pedagógico — porque é a partir do que
existe que a aprendizagem se constrói. O que ela consegue
hoje é a base do que ela conseguirá amanhã.
Três perguntas para reorientar o olhar — antes de cada
reunião com a mãe, antes de cada relatório, antes de cada
devolutiva:
1. O que essa criança consegue fazer hoje que não conseguia
há três meses?
2. Quais são os interesses específicos dela — e como posso
usá-los como porta de entrada para a aprendizagem?
3. Qual foi a última conquista que comuniquei à mãe — e
quando foi a última vez que comecei uma conversa com
ela por uma boa notícia?

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Quando a equipe escolar treina esse olhar, três coisas
mudam ao mesmo tempo: a criança passa a se reconhecer
como capaz; a mãe passa a chegar à escola com menos medo
do que vai ouvir; e a aprendizagem encontra o terreno que
precisa para acontecer.
A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a Lei
Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012) garantem o direito da
criança com TEA a uma educação inclusiva. O Ministério da
Educação reconhece, em suas diretrizes para a Política
Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação
Inclusiva (PNEEPEI), que a participação da família é um pilar
da inclusão escolar (MEC, 2025).
A literatura da Educação Especial brasileira é unânime ao
reconhecer essa articulação como condição da inclusão. Para
Mantoan (2003) e Mendes (2010), a inclusão escolar exige
reorganização dos sistemas educacionais e participação ativa
da família. Glat e Pletsch (2011) reforçam que a parceria entre
escola e família amplia o conhecimento sobre as necessidades
da criança, fortalece práticas pedagógicas inclusivas e qualifica
o processo educacional. Nesse sentido, acolher a mãe não é
uma cortesia: é uma estratégia pedagógica.

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3.4 Quando o Professor Quer Acolher, Mas Também
Tem Limites
Especialmente para profissionais da Educação Especial e
educadores.
A relação entre escola e família é um dos pilares da
inclusão. No entanto, assim como as mães de crianças com
TEA enfrentam sobrecarga emocional, os professores também
vivenciam uma rotina intensa, marcada por múltiplas
demandas, falta de tempo e escassez de recursos. A literatura
educacional descreve o trabalho docente como uma atividade
humana complexa, atravessada por afetos, pressões e limites.
Tardif (2002) afirma que o professor trabalha sob
exigências simultâneas — planejamento, ensino, gestão de
sala, demandas administrativas, comunicação com famílias —
o que reduz sua disponibilidade emocional e temporal para
acolher como gostaria. Nóvoa (2009) complementa que cuidar
do outro exige que o professor também cuide de si,
reconhecendo que o desgaste emocional faz parte da profissão
docente. Libâneo (2013) reforça que as condições de trabalho,
muitas vezes precárias, interferem diretamente na prática
pedagógica e na capacidade de oferecer suporte ampliado às
famílias.
No contexto da Educação Especial, a Política Nacional de
Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva
(MEC, 2008) reconhece que a inclusão depende de formação,
apoio institucional e trabalho colaborativo. Isso significa que

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o professor não pode — e não deve — acolher sozinho. A
escola precisa compartilhar responsabilidades, criar fluxos
internos de cuidado e garantir que o acolhimento não recaia
exclusivamente sobre um único profissional.
Reconhecer esses limites não diminui o compromisso com
a inclusão. Pelo contrário: humaniza a relação e permite
construir uma parceria mais realista e respeitosa com as
famílias. O acolhimento possível, dentro das condições reais de
trabalho, já representa um gesto significativo.
Acolher não significa resolver tudo. Às vezes, acolher é
simplesmente estar presente dentro do possível.
3.4.1 Quadro Prático — Frases que Acolhem (Para Educadores)
As frases a seguir complementam as orientações por função
apresentadas na seção 3.2, oferecendo um repertório verbal
aplicável a diferentes situações cotidianas.
"Eu vejo o quanto você se dedica ao seu filho. Sua presença
aqui faz diferença."
"Sei que sua rotina é intensa. Vamos pensar juntos no que é
possível agora."
"Você não precisa carregar tudo sozinha. A escola caminha
com você."
"Obrigada por compartilhar como você está. Seus
sentimentos são legítimos."
"Seu filho é importante para nós — e você também."
"Se hoje está difícil, podemos ajustar juntos. Não precisa
ter todas as respostas."

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Percebo seu cansaço. Quer me contar como tem sido os
últimos dias?"
Essas frases são breves, realistas e respeitam o tempo
limitado do professor, mas ainda assim comunicam
acolhimento, presença e parceria.
3.4.2 Como a Escola Pode Organizar Fluxos Internos de Apoio
às Mães
Mesmo sem equipes completas ou recursos abundantes,
a escola pode criar estratégias simples e eficazes para apoiar
mães em sofrimento emocional:
Definir um ponto de referência: um professor,
coordenador ou profissional que seja o "canal de escuta"
inicial.
Criar um protocolo de acolhimento breve: 5 minutos de
escuta ativa, validação e encaminhamento.
Registrar sinais recorrentes (sem julgamento): faltas
frequentes, choro, irritabilidade, isolamento.
Estabelecer parcerias com a rede pública (UBS, CAPS,
CRAS) para encaminhamentos.
Garantir comunicação interna: professores devem saber
quando uma mãe está fragilizada, para ajustar
expectativas e abordagens.
Evitar sobrecarga: não exigir que o professor resolva
questões que são de saúde mental.
A escola não é clínica — mas pode ser ponte.

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3.4.3 Protocolo Simples de Observação para Educadores
Este protocolo é rápido, prático e pode ser aplicado no
cotidiano escolar.
1. Observar — sinais que podem indicar sofrimento
emocional materno:
Choro fácil ou irritabilidade;
Aparência de exaustão;
Dificuldade de manter diálogo;
Atrasos ou faltas frequentes;
Postura retraída ou defensiva;
Relatos de sobrecarga ("não estou dando conta").
2. Acolher — acolhimento breve, sem invadir:
"Percebi que hoje parece um dia difícil. Quer me contar
um pouco?"
"Se quiser, podemos pensar juntas em alternativas."
Evitar frases como: "Você é forte", "Vai passar", "Calma".
3. Encaminhar — encaminhamento leve, sem pressão:
"Você já pensou em conversar com alguém de confiança
sobre isso?"
"A UBS mais próxima pode oferecer apoio psicológico."
"Se quiser, posso te ajudar a encontrar o serviço certo."
O professor não diagnostica, não trata e não resolve — ele
identifica, acolhe e encaminha.

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3.4.4 Articulação com a BNCC e a Perspectiva Curricular
Inclusiva
As orientações apresentadas neste capítulo dialogam
diretamente com a Base Nacional Comum Curricular (Brasil,
2018), particularmente com as competências gerais que
tornam o acolhimento à diversidade e a atenção à dimensão
socioemocional dos estudantes parte do trabalho docente
legalmente prescrito — não apenas exercício de boa vontade
individual.
Três competências gerais da BNCC fundamentam, no
marco curricular brasileiro, a postura institucional aqui
defendida:
Competência 8 — Autoconhecimento e Autocuidado:
"conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e
emocional, compreendendo-se na diversidade humana e
reconhecendo suas emoções e as dos outros, com
autocrítica e capacidade para lidar com elas." Quando
o(a) educador(a) reconhece a exaustão materna como
questão pedagógica, opera diretamente esta competência.
Competência 9 — Empatia e Cooperação: "exercitar a
empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a
cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o
respeito ao outro e aos direitos humanos, com
acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e
de grupos sociais." Acolher a mãe atípica é, neste marco,
exercício curricular legítimo, não desvio do ofício
docente.

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Competência 10 — Responsabilidade e Cidadania: "agir
pessoal
e
coletivamente
com
autonomia,
responsabilidade,
flexibilidade,
resiliência
e
determinação, tomando decisões com base em princípios
éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis
e
solidários.” Construir fluxos internos de acolhimento e
estabelecer parcerias com a rede pública é ação cidadã da
escola, alinhada à BNCC.
Articulada à BNCC, a Política Nacional de Educação
Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (Brasil, 2008)
e o Decreto nº 11.370/2023 reafirmam que a escola comum,
com adaptações pedagógicas e suporte especializado, é o
espaço de escolarização das pessoas com TEA. Essa moldura
normativa torna o acolhimento da família atípica
componente curricular efetivo — e não tema marginal. Para
o(a) professor(a) que se sente sobrecarregado(a) ou
desautorizado(a) a acolher, vale o registro: acolher é parte do
currículo, não acréscimo a ele.
3.5 Este E-book como Recurso de Educação Especial

Este e-book conecta saúde mental materna e educação
inclusiva, oferecendo a educadores, profissionais de saúde e
famílias uma ferramenta concreta de reflexão e ação. As
barreiras que busca minimizar são quatro: informacional,
emocional, intersetorial e atitudinal (Decreto nº 6.949/2009).

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4
Cuidado e Cuidador

Para todos os públicos.
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Cuidar é um ato humano fundamental. O filósofo
Leonardo Boff (1999) nos ensina que o cuidado não é apenas
uma tarefa — é uma atitude, um modo de ser e de estar no
mundo que envolve atenção, presença e responsabilidade com
o outro. No contexto da maternidade atípica, cuidar assume
dimensões extraordinárias: é cuidado que não tem horário,
que não tem férias, que não cessa mesmo quando o próprio
corpo e a mente pedem pausa.

4.1 Quem Cuida de Quem Cuida?

Essa é talvez a pergunta mais importante deste e-book.
Em uma sociedade que valoriza o sacrifício materno como
virtude, raramente alguém pergunta: "E você, como está?"
Pesquisas brasileiras mostram que mães de crianças com
TEA apresentam índices elevados de estresse clínico — em
alguns estudos, chegando a 73,9% das participantes (Carreiro
et al., 2017). Alves, Gameiro e Biazi (2022) identificaram
prevalências significativas de ansiedade e depressão nesse
grupo. Sulzbach (2019) demonstrou que a sobrecarga
acumulada pode levar ao burnout materno — um
esgotamento total que compromete não apenas a saúde da
mãe, mas também a qualidade do cuidado prestado à criança.

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🩺 Perspectiva profissional — Psiquiatra

"Muitas mães chegam ao consultório após anos de sobrecarga
emocional, frequentemente sem terem recebido qualquer tipo de
suporte psicológico ou psiquiátrico. A rotina intensa de terapias,
consultas, adaptações escolares e manejo comportamental cria
um ambiente de pressão constante. Essa convivência clínica
ampliou minha percepção sobre a necessidade de olhar para a
díade mãe-criança — e não apenas para a criança."

Cuidar de si não é egoísmo. É condição para continuar
cuidando. Uma mãe que não tem espaço para seu próprio
bem-estar acaba oferecendo ao filho um cuidado cada vez
mais empobrecido — não por falta de amor, mas por falta de
recursos internos para sustentar a demanda.

💬 Depoimento 5:

"Ser mãe atípica me ensinou a redefinir prioridades. A casa
nem sempre está arrumada, o trabalho às vezes aperta, mas
ver meu filho avançando nas terapias me dá forças para
continuar. Não tenho apoio familiar, então aprendi a ser mãe,
terapeuta, advogada e acolhimento tudo ao mesmo tempo. E
ainda assim, quando ele encosta a cabeça no meu ombro, sinto
que estou exatamente onde deveria estar."

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4.2 Exaustão e Sobrecarga Materna

A sobrecarga materna na maternidade atípica é
multidimensional: ela é física, emocional, financeira e social.
No plano físico, a rotina pode envolver horas de
deslocamento para terapias e noites interrompidas. No plano
emocional, conviver com a imprevisibilidade das crises gera
um estado de alerta permanente (Maia; Muner, 2024). No
plano financeiro, os custos com terapias podem ser elevados.
E no plano social, o isolamento imposto pelas exigências da
rotina priva muitas mães de relações de amizade, lazer e
descanso (Rezende, 2023; Guckert, 2023).

💬 Depoimento 3:

"A parte mais difícil é equilibrar tudo: casa, trabalho,
consultas, terapias, crises sensoriais. Parece que nunca dá
tempo de nada. Mas quando vejo minha filha evoluindo,
falando uma palavra nova ou aceitando um toque que antes
rejeitava, sinto uma alegria que não cabe no peito. Não tenho
com quem dividir essa rotina, mas aprendi a ser forte de um
jeito que nunca imaginei."

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4.3 Estratégias para Cuidar da Própria Saúde Física e
Emocional

🤝 Peça ajuda antes do limite. Aceitar ajuda não é fraqueza: é
inteligência emocional.

⏱️Proteja momentos para você. Mesmo 15 minutos por dia
dedicados a algo que você gosta fazem diferença acumulada.

🌻 Conecte-se com outras mães e famílias atípicas. Grupos de

apoio — presenciais ou virtuais — oferecem escuta,
informação
e o alívio de saber que você não está sozinha. O cuidado pode
ser partilhado: com familiares, com amigas, com outras mães
que conhecem essa jornada por dentro. Organizações como as
Famílias Atípicas Empreendedoras (Maceió/AL) e grupos de
famílias de crianças com necessidades específicas constroem
redes afetivas que são, ao mesmo tempo, espaço de escuta, de
apoio emocional e de luta coletiva por direitos. Nessas redes,
ninguém precisa explicar o que ninguém de fora consegue
compreender.

🧠 Busque acompanhamento psicológico. A psicoterapia tem
eficácia comprovada na redução de estresse e ansiedade em
cuidadores (Couto, 2023).

🌙 Cuide do sono e da alimentação. São as bases da saúde
física e mental.

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🎓 E na escola?

O cuidado com a mãe não é tarefa exclusiva da família
ou do sistema de saúde. A escola, ao reconhecer a
sobrecarga materna como questão pedagógica, torna-se
ambiente protetivo — e isso não exige programa novo: exige
consciência institucional. Algumas práticas que diferenciam:
Reuniões pedagógicas mais curtas e objetivas, respeitando
o tempo de uma mãe que já fez três terapias antes de
chegar à escola.
Comunicação que não acumula só problemas — boas
notícias por bilhete, mensagem ou breve telefonema
mudam a sensação que a mãe tem de ser convocada.
Reconhecer sinais de exaustão como informação
pedagógica
—
mãe
esgotada
não
é
mãe
descomprometida; é mãe que precisa que a escola,
naquele momento, exija um pouco menos e ofereça um
pouco mais.
Essa postura institucional não substitui o autocuidado
materno — mas cria as condições para que ele aconteça.
Cuidar de quem cuida é também responsabilidade da escola.

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5
O que é Saúde Mental?

Para todos os públicos.
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde
mental como um estado de bem-estar no qual o indivíduo
percebe suas próprias capacidades, consegue lidar com as
tensões normais da vida, trabalha de forma produtiva e
contribui para sua comunidade. Saúde mental não é ausência de
sofrimento — é a capacidade de enfrentar o sofrimento sem ser
destruído por ele.
Compreender o que é saúde mental e reconhecer quando
ela está em risco é o primeiro passo para buscar ajuda.
Adoecimento emocional não é fraqueza de caráter, não é falta
de amor pelo filho e não se resolve apenas com força de vontade
(Brasil, 2022).

5.1 Como Identificar Sinais de Desgaste Emocional?
O desgaste emocional muitas vezes se instala de forma
gradual. Fique atento a estes sinais:
Cansaço extremo que não melhora com o descanso
(exaustão crônica).
Sentimentos persistentes de tristeza, vazio ou desesperança.
Irritabilidade frequente ou crises de choro sem motivo
aparente.
Dificuldade de concentração e de tomar decisões simples.
Isolamento social — deixar de ver amigos, familiares,
pessoas queridas.
Descuido com a própria saúde física: alimentação irregular,
sono comprometido, dores crônicas.
Sensação de que nada vai melhorar ou de que você é incapaz
de dar conta.

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💡 Se você identificou três ou mais desses sinais por duas
semanas ou mais, é importante buscar apoio profissional.
Isso não é fraqueza — é autocuidado.

🩺 Perspectiva profissional — Psiquiatra

"Os sinais que considero mais indicativos de fragilidade incluem:
irritabilidade persistente, alterações significativas no sono,
sensação de esgotamento constante, perda de interesse em
atividades antes prazerosas, sintomas somáticos recorrentes,
dificuldade de concentração e sentimentos de desesperança.
Esses sinais não apenas prejudicam o bem-estar materno —
podem afetar a dinâmica familiar inteira."

🩺 Perspectiva profissional — Psicóloga

"Os sinais psicológicos mais frequentes incluem a sensação de
estar 'no automático', perda de identidade pessoal ('sou apenas
mãe'), dificuldade de regular emoções, baixa autoestima,
sensação de inadequação e exaustão emocional profunda. Esses
sinais impactam diretamente a relação mãe-criança."

💬 Depoimento 9:

"A parte mais difícil não é a rotina corrida, mas a solidão.
Muitas vezes queria alguém para dividir as tarefas, para me
ouvir quando o dia pesa. E dói ver que as pessoas evitam
convidar meu filho, como se ele fosse complicado demais. Mas
quando ele evolui nas terapias, quando tenta uma palavra nova
ou aceita um carinho, é como se o mundo inteiro se iluminasse.
É nesses momentos que encontro forças para continuar."

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5.2 Estratégias para Preservar a Saúde Mental
A autocompaixão é uma das ferramentas mais poderosas
disponíveis: tratar a si mesma com a mesma gentileza que você
ofereceria a uma amiga. Pesquisas mostram que mães que
praticam a autocompaixão apresentam menos estresse e maior
sensação de bem-estar (Couto, 2023). A regulação emocional —
identificar, nomear e lidar com emoções intensas — também é
essencial, por meio de respiração consciente, meditação e
mindfulness. Manter vínculos sociais é um fator protetivo
importante (Klinger et al., 2020; Santos et al., 2024).

5.3 Onde Encontrar Apoio?

🏥 Unidade Básica de Saúde (UBS): é o ponto de partida. O
médico de família pode fazer a triagem e encaminhar para
serviços especializados.
Centro de Atenção Psicossocial (CAPS): atende pessoas com
transtornos mentais moderados e graves. O CAPSij é voltado
para crianças e adolescentes.
Psicólogos e psiquiatras pelo SUS: disponíveis via
encaminhamento da UBS ou diretamente nos CAPS.
Centro de Referência de Assistência Social (CRAS): oferece
suporte social e conecta famílias a benefícios e programas de
apoio.
Grupos de apoio a mães atípicas: organizações como o
Movimento por uma Infância Autista (MIA) e diversas
associações locais.

🏥
👩‍⚕️
🏢
🌻

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Se você tem plano de saúde:
Verifique na rede credenciada do seu plano se há psiquiatra
ou psicólogo disponível e agende diretamente. Caso a espera
esteja longa ou o acesso seja difícil, uma alternativa prática é
começar pelo médico clínico geral ou de família — ele pode te
acolher, avaliar como você está e já fazer o encaminhamento
formal para o especialista, adiantando sua demanda dentro do
próprio plano. Não espere chegar ao limite para dar esse
primeiro passo.

🩺 Perspectiva profissional — Psiquiatra

"Considero fundamental a criação de protocolos de triagem nos
serviços de TEA que incluam a avaliação sistemática da saúde
mental dos cuidadores — para que o sofrimento dessas mães seja
identificado antes de se tornar um quadro grave."

🩺 Perspectiva profissional — Psicóloga

"Buscar a UBS, procurar um CAPS, entrar em um grupo de
mães atípicas. Dar o primeiro passo — pedir ajuda — já é um
ato de cuidado com você mesma. E você merece esse cuidado."

5.4 Atenção à Saúde Emocional na Maternidade Atípica
Cuidar de uma criança com necessidades específicas pode
ser uma experiência profundamente transformadora, mas
também desafiadora. Muitas mães relatam sentimentos de
cansaço intenso, preocupação constante, insegurança, sobrecar-

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ga e, por vezes, solidão. Reconhecer esses sinais não significa
fragilidade — significa cuidado consigo mesma.
Pensando nisso, este material disponibiliza links de acesso
a dois instrumentos breves e amplamente utilizados na área da
saúde para identificação inicial de sintomas emocionais:
PHQ-9: utilizado para rastreamento de
sintomas de depressão.
GAD-7: utilizado para rastreamento de
sintomas de ansiedade.

Esses questionários são simples, rápidos e podem auxiliar
tanto mães quanto profissionais de saúde e educação na
identificação de sinais que merecem atenção e
acompanhamento mais cuidadoso.
Para as mães, esses instrumentos podem ajudar a perceber
como estão se sentindo neste momento e servir como um
primeiro passo para buscar apoio quando necessário. Para os
profissionais, representam ferramentas de triagem úteis no
reconhecimento precoce de sofrimento emocional materno,
favorecendo intervenções oportunas e encaminhamentos
adequados.
É importante lembrar que esses questionários não têm
finalidade diagnóstica, mas funcionam como instrumentos de
rastreamento. Quando os resultados indicam sinais
persistentes de ansiedade, tristeza intensa ou sobrecarga
emocional significativa, recomenda-se procurar avaliação com
profissional de saúde mental.

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🎓 E na escola?

A escola é, frequentemente, o primeiro lugar onde sinais
de adoecimento emocional materno se tornam visíveis —
antes mesmo da própria mãe se dar conta. A professora que
percebe a mãe chegar mais cansada, mais calada, mais
isolada, ou que nota mudança no comportamento da criança
em casa relatado pela mãe, está vendo algo que outros
profissionais ainda não viram. Esse é um privilégio
epistêmico — e uma responsabilidade ética.
Sem virar consultório ou agente de saúde mental, a escola
pode fazer três coisas que mudam trajetórias:
Acolher sem diagnosticar — ouvir, validar, oferecer
presença sem rotular o que está acontecendo.
Oferecer caminhos sem prescrever — comentar que a
Unidade Básica de Saúde mais próxima oferece apoio
gratuito é diferente de mandar a mãe procurar o CAPS.
Comunicar internamente sem expor — a coordenação
precisa saber que aquela família está em momento
delicado, mas isso não significa que a sala dos
professores precisa saber.
Quando a escola se reconhece como observatório
privilegiado da saúde mental materna — e age com cuidado
nessa posição — ela amplia o alcance do sistema de saúde
sem extrapolar seu próprio mandato.
Cuidar da saúde emocional da mãe é parte essencial do
cuidado com a criança e com toda a família. Reconhecer
necessidades, pedir ajuda e construir redes de apoio são
atitudes de proteção, fortalecimento e cuidado.

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6
Depoimentos

Para todos os públicos.
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As vozes que você lerá a seguir pertencem às dez mães
que participaram da pesquisa que originou este e-book. Elas
não são personagens — são mulheres reais, com histórias
reais, que aceitaram compartilhar suas experiências para que
outras mães se sentissem menos sozinhas. Seus nomes foram
preservados, mas suas palavras estão aqui, inteiras e
honestas.

6.1 Superações e Aprendizados

💬 Depoimento 4:

"Eu e meu marido nos revezamos para dar conta da rotina do
nosso filho. Temos uma boa rede de apoio, e isso nos salva.
Mesmo assim, é cansativo: agendas cheias, adaptações,
imprevistos. Mas cada progresso dele — por menor que pareça
— é celebrado como um grande marco. O amor que ele
demonstra, mesmo que de forma diferente, é o que nos move
todos os dias."

💬 Depoimento 7:

"Ser mãe de uma criança TEA é viver entre extremos: o cansaço
de uma rotina que nunca para e a alegria imensa de cada
progresso. O que dói é ver que muitos não fazem questão da
presença dele. Às vezes eu só queria alguém para dividir as
tarefas, para ouvir meu desabafo sem julgamento. Mesmo assim,
quando ele aprende algo novo, meu coração se enche de
esperança."

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💬 Depoimento 10:

"Meu filho é amor puro, mas muita gente não enxerga isso. Ele
quase nunca é chamado para aniversários, e isso parte meu
coração. Eu tento equilibrar trabalho, casa e terapias, mas tem
dias em que só queria alguém para dividir tudo isso comigo. É
esse amor que me sustenta."

6.2 O Impacto do Autocuidado na Jornada Materna
A escuta das mães participantes desta pesquisa revelou
que, quando a mãe encontra espaço para cuidar de si — seja
por meio de psicoterapia, de grupos de apoio, de momentos
de descanso ou de vínculos afetivos — a qualidade do
cuidado oferecido ao filho também melhora. Cuidar de quem
cuida não é egoísmo: é uma estratégia de proteção para toda
a família.

💬 Depoimento 8:

"Eu trabalho o dia inteiro, chego em casa e ainda tenho a
rotina intensa das terapias, alimentação, estímulos. O que
pesa não é só o cansaço físico, mas o emocional. Ver meu filho
ser excluído de aniversários e encontros dói mais do que
qualquer noite mal dormida. Tenho uma pequena rede de
apoio, mas nem sempre posso contar. Ainda assim, quando ele
me olha nos olhos — algo que antes não fazia — sinto que
estou no caminho certo."

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6.3 A Perspectiva dos Profissionais de Saúde
As vozes que você lerá a seguir pertencem a um psiquiatra
e a uma psicóloga com experiência consolidada no
atendimento a famílias de crianças com TEA. Seus
depoimentos foram coletados como parte da pesquisa que
originou este e-book.

🩺 Perspectiva profissional — Psiquiatra

Sobre a experiência clínica com mães de crianças com TEA:
"Ao longo da minha prática clínica, tornou-se evidente que a
saúde mental das mães é profundamente impactada pelas
demandas contínuas do cuidado. Muitas chegam ao consultório
após anos de sobrecarga emocional, frequentemente sem terem
recebido qualquer tipo de suporte psicológico ou psiquiátrico."

🩺 Perspectiva profissional — Psiquiatra

"Os desafios que observo são múltiplos e interligados: sobrecarga
emocional e física, falta de rede de apoio e sentimentos de culpa.
Esses fatores, somados, criam um cenário de vulnerabilidade
psíquica que frequentemente passa despercebido pelos serviços de
saúde."

🩺 Perspectiva profissional — Psiquiatra Sobre o que os
profissionais podem fazer:
"Acredito que o apoio às mães deve ser estruturado em três
eixos: acolhimento, psicoeducação e intervenção especializada. É

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fundamental a criação de protocolos de triagem nos serviços de
TEA que incluam a avaliação sistemática da saúde mental dos
cuidadores."

🩺 Perspectiva profissional — Psiquiatra Sobre o que os

profissionais podem fazer:
"Minha experiência revela um padrão recorrente: elas vivenciam
um processo contínuo de adaptação emocional, marcado por
sentimentos ambivalentes. Muitas relatam amor profundo, mas
também exaustão, medo do futuro e sensação de isolamento."

🩺 Perspectiva profissional — Psicóloga Sobre o que os

profissionais podem fazer:
"Para melhorar o apoio às mães, considero essencial que os
profissionais recebam formação em parentalidade atípica,
regulação emocional e manejo de estresse. É importante que o
atendimento seja acolhedor, livre de julgamentos e baseado em
escuta ativa."

6.4 A Perspectiva dos Profissionais da Educação Especial

As frases a seguir foram coletadas junto a educadores que
avaliaram este e-book — professores de Educação Especial,
profissionais que convivem diariamente com crianças com
TEA e com suas mães. São o que cada um deixaria escrito
dentro do material, se pudesse falar diretamente à mãe-leitora:

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"No meu dia a dia na escola, aprendi que cada mãe atípica
chega carregando muito mais do que a mochila do filho. Ela
traz cansaços que ninguém vê, batalhas que ninguém conta e
uma coragem que sustenta o mundo dela. Aqui, eu acolho não
só o aluno — acolho você também."

"Eu vejo o seu esforço, mesmo quando você chega calada. A
escola é também o seu lugar de apoio."

"A cada avanço do seu filho, eu reconheço a sua luta. Você
não precisa ser forte o tempo todo — aqui, você pode
respirar."
"Como educador, compreendo que a inclusão verdadeira
começa quando a mãe também se sente incluída. Você
importa, e sua saúde emocional faz parte do nosso trabalho."
"Às vezes eu não tenho todo o tempo que você merece, nem
todos os recursos que seu filho precisa. Mas tenho algo que
nunca falta: a vontade sincera de estar ao seu lado."
"A escola também tem limites — mas nunca falta a intenção de
acolher. Mesmo nos dias em que não consigo tudo, eu
continuo aqui, tentando com você."

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6.5 A Inclusão Escolar nas Vozes das Mães
As entrevistas com as dez mães participantes da pesquisa
trouxeram, entre outros temas, relatos sobre a relação
cotidiana com a escola — espaço onde se cruzam diariamente
acolhimentos, tensões e desafios da inclusão. Os quatro
depoimentos a seguir oferecem um espectro do que essas mães
vivem nesse encontro:

💬 "A escola é cordial, mas não acolhe. Meu filho tem TEA e

epilepsia, e percebo o medo nos olhos dos funcionários. A
inclusão deveria começar no portão, mas ali já sinto
resistência. Não há AEE adequado, não há preparo. Já
deixaram ele de fora de passeios porque 'seria arriscado'. Eu
entendo o medo, mas quem acolhe o meu filho?"

💬 "Eu sei que sou exceção. A escola do meu filho realmente
pratica inclusão. Desde o porteiro até a direção, todos
conhecem ele, sabem como agir, acolhem de verdade. Os
professores são capacitados, abertos ao diálogo e buscam
estratégias. Ele participa de tudo. Eu sei que isso é raro, e sou
muito grata."

💬 "A escola é simpática, mas não acolhe. Meu filho tem
seletividade alimentar severa, e muitas vezes não sabem o que
fazer. Já deixaram ele de fora de atividades com comida por-

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que 'seria difícil'. Falta AEE, falta preparo, falta escuta. A
inclusão deveria ser um compromisso de todos, mas parece
que é só um discurso bonito."

💬 "Meu filho estuda em escola pública, e para minha

surpresa, encontrei mais acolhimento lá do que nas escolas
privadas que visitei. Não é perfeito, mas existe humanidade.
Os funcionários conhecem ele, tentam entender, tentam
incluir. A inclusão começa no portão, e ali eu já sinto que ele é
bem-vindo. Isso faz toda diferença."

6.6 O Que os Profissionais Recomendam
Para profissionais de saúde e educação: capacitar-se em
saúde mental parental; incluir a avaliação da mãe nas
consultas de acompanhamento da criança; adotar
protocolos de triagem para cuidadores; encaminhar para
acompanhamento psicológico quando identificados sinais
de sofrimento; evitar discursos que responsabilizem a mãe
ou minimizem seu sofrimento.
Para familiares e rede de apoio: oferecer ajuda concreta;
validar o cansaço e o sofrimento da mãe; compartilhar as
tarefas de cuidado; não minimizar os desafios com frases
como 'você é forte' ou 'vai passar'.
Para as mães: reconhecer os sinais de sobrecarga sem culpa;
buscar acompanhamento profissional sem adiar; conectar-

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se a grupos de mães atípicas; lembrar que cuidar de si é
cuidar também do filho.

Os depoimentos reunidos neste capítulo trazem dez vozes
singulares que, lidas em conjunto, contam uma história
comum: nenhuma dessas mães enfrentou a maternidade
atípica em isolamento absoluto, mas todas precisaram
aprender a sustentar redes que muitas vezes não estavam dadas
— precisaram construí-las. E em quase todos os relatos, a
escola aparece — ora como lugar de acolhimento, ora como
fonte de tensão, ora como ausência sentida. Isso não é
coincidência: é a confirmação prática de que a escola, no
Brasil, é a instituição com a qual a mãe atípica mais convive ao
longo da vida do filho. Cada profissional da educação que lê
estes depoimentos tem aqui uma oportunidade rara — a de
saber, com palavras das próprias mães, o que elas sentem ao
chegar à escola, o que esperam encontrar, e o que costuma
faltar. É um material formativo que nenhum manual substitui.

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Indicação de Leitura

Para todos os públicos.
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7.1 Livros Recomendados

BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano —
compaixão pela terra. Petrópolis: Vozes, 1999.
MENDONÇA, D.; SELLA, C. ABA para o Transtorno do
Espectro Autista. 2. ed. Maceió: UFAL/Appris, 2024.
STRAVOGIANNIS, A. L. Pais de autistas: acolhimento,
respeito e diversidade. São Paulo: Literare Books, 2022.
CELE, Marlyce. As mulheres mais incríveis que eu
conheço. São Paulo: Dialética, 2025.
ARRUDA, R. et al. Neurodesenvolvimento e seus
transtornos. São Paulo: NeuroWiser, 2025.

7.2 Sites Recomendados

Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP):
sbp.com.br
Ministério da Saúde:
saude.gov.br
Ministério da Educação (MEC):
gov.br/mec
Movimento por uma Infância Autista:
movimentoautismo.com.br
Autism Speaks Brasil:
autismspeaks.org.br

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CONCLUSÃO
Chegamos ao fim de um percurso que, esperamos, tenha
sido de acolhimento e de informação. Este e-book não tem a
pretensão de encerrar o debate sobre saúde materna e
maternidade atípica — tem a intenção de abrir portas, de
nomear experiências e de dizer claramente: o que você vive é
real, é difícil, e você merece apoio.
O e-book passou por avaliação em banca de qualificação
e de defesa, além de avaliação preliminar com uma mãe
atípica, um profissional da saúde e um profissional da
educação especial — por meio de questionário em escala
Likert —, e por validação final conduzida por dois
profissionais da saúde e dois da educação especial, que
avaliaram a precisão científica, a adequação ética e a
pertinência pedagógica do conteúdo.
A pesquisa revelou que mães de crianças com TEA
enfrentam níveis elevados de estresse, ansiedade e sobrecarga
emocional. Mas revelou também uma capacidade
extraordinária de amor, de adaptação e de superação. Essas
mulheres não precisam de heroísmo solitário. Precisam de
políticas públicas, de redes de apoio, de profissionais que as
vejam como sujeitos de direitos — não apenas como
acompanhantes de seus filhos.
A inclusão da criança com TEA começa antes de chegar
à escola. Ela começa quando a mãe está emocionalmente sus-

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tentada para conduzir a rotina, para defender os direitos do
filho, para ser presença amorosa e consistente. Cuidar da
saúde mental materna é, portanto, também uma estratégia de
Educação Especial.
Que este e-book chegue às mãos de quem precisa. Que
inspire políticas mais humanas, práticas profissionais mais
acolhedoras e conversas mais honestas sobre o que significa
cuidar. Como produto educacional vinculado à Educação
Especial, este material reafirma que a inclusão escolar de
crianças com TEA passa, necessariamente, pelo cuidado com
suas mães — e que reconhecer isso institucionalmente é tarefa
urgente da escola, dos serviços de saúde e das políticas
públicas. E que cada mãe que o ler saiba: você não está
sozinha.

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REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Carla Alcyone da Silva. Maternidades atípicas:
vivências de mulheres com filhas e filhos com deficiência(s)
em Baturité-Ceará. 2023. Dissertação (Mestrado em Serviço
Social) — Universidade Estadual do Ceará, 2023.
ALVES, Julia Secatti; GAMEIRO, Ana Cristina Polycarpo;
BIAZI, Paula Hisa Goto. Estresse, depressão e ansiedade em
mães de autistas: revisão nacional. Revista de
Psicopedagogia, v. 39, n. 120, p. 412-424, 2022.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA).
Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais:
DSM-5 TR. Porto Alegre: Artmed, 2022.
ARAÚJO, Maria Edilza Fernandes. As experiências e os
sentimentos do ser mãe atípica. 2024. Monografia —
Universidade Federal de Campina Grande, 2024.
ARAÚJO, Ana Gabriela Rocha; SILVA, Mônia Aparecida
da; ZANON, Regina Basso. Autismo, neurodiversidade e
estigma. Psicologia Escolar e Educacional, v. 27, p. e247367,
2023.
ARRUDA, Renato et al. Neurodesenvolvimento e seus
transtornos. 1. ed. São Paulo: NeuroWiser, 2025.

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BALDINI, Paula Rossi et al. Efeito da mutualidade parental
na qualidade de vida de mães de crianças com necessidades
especiais de saúde. Revista Latino-Americana de Enfermagem,
v. 29, e3423, 2021.
BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano — compaixão
pela terra. Petrópolis: Vozes, 1999.
BORGES, Harianne Vitoria Silva et al. Carga psicológica
materna e o papel do suporte social em famílias de crianças com
TEA. Caderno Pedagógico, v. 22, n. 10, 2025.
BOSA, Cleonice Alves; BRUM, Eliane Hidalgo; SANINI,
Cláudia. Depressão materna e implicações sobre o
desenvolvimento infantil. In: BOSA, C. A.; CALLIAS-BOSA,
M. (Orgs.). Autismo: novos elementos para a compreensão. São
Paulo: Casa do Psicólogo, 2010.

BRASIL. Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Institui a
Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com
TEA.
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei
Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência.
BRASIL. Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Promulga a
Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência.
BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde mental: um direito de

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de Alagoas

todos. Brasília, 2022.
BRASIL. Decreto nº 11.370, de 1º de janeiro de 2023. Altera
o Decreto nº 7.611, de 17 de novembro de 2011. Diário
Oficial da
União, Brasília, DF, 1º jan. 2023.
BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de
Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva
(PNEEPEI). Brasília: MEC/SEESP, 2008.
CHARLOT, Bernard. Da relação com o saber: elementos
para uma teoria. Porto Alegre: Artmed, 2000.
CARON NETO, A. G.; NASCIMENTO, D. T. Redes
solidárias de apoio ao autismo no Brasil. Revista de Gestão e
Secretariado, v. 13, n. 3, p. 689-711, 2022.
CARREIRO, Letícia Ribeiro Rodrigues et al. Estresse
materno e necessidade de cuidado dos filhos com TEA.
Cadernos de Pós-Graduação em Distúrbios do
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COLOM, Francesc. Keeping therapies simple:

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EVÊNCIO, Kátia Maria de Moura; FERNANDES, George
Pimentel. História do Autismo: Compreensões Iniciais. ID on
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FERREIRA, Fernanda et al. Influence of health care
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de Alagoas

APÊNDICE
AVALIAÇÃO DO PRODUTO
EDUCACIONAL
1. Sobre o Processo de Avaliação
Em conformidade com as exigências dos Mestrados
Profissionais (Rizzatti et al., 2020) e com o referencial de
Produto Educacional adotado (Pasqualli; Vieira; Castaman,
2018; Mendonça et al., 2022), este e-book passou por processo
avaliativo em duas etapas: avaliação preliminar e validação
final. Em ambas, foram aplicados questionários estruturados
em escala Likert de 5 pontos (1 = discordo totalmente; 5 =
concordo totalmente), construídos especificamente para este
PE e organizados em torno das quatro camadas propostas por
Mendonça et al. (2022) — conceitual, didático-pedagógica,
comunicacional e estético-funcional.
A avaliação preliminar foi realizada com três avaliadores:
uma mãe atípica, uma profissional da saúde mental e uma
profissional da Educação Especial. Seu objetivo foi identificar
fragilidades iniciais antes da circulação ampliada do material.
A validação final contou com quatro avaliadores: dois
profissionais da saúde (psiquiatra e psicóloga) e dois
profissionais da Educação Especial (uma professora regente
em escola pública e uma coordenadora pedagógica em rede
inclusiva). Todas as avaliadoras assinaram Termo de
Consentimento e tiveram identidade preservada nos relatos
abaixo.

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2. Critérios Avaliados
Camada conceitual: precisão científica das informações;
atualidade do referencial teórico; coerência com o campo
da Educação Especial.
Camada didático-pedagógica: clareza didática; adequação
ao público-alvo; aplicabilidade prática das orientações.
Camada comunicacional: linguagem acessível; tom
acolhedor; ausência de discurso prescritivo ou
culpabilizante.
Camada estético-funcional: qualidade visual; legibilidade;
navegabilidade do material.
3. Síntese dos resultados
A síntese a seguir apresenta a média obtida em cada uma
das quatro camadas avaliativas propostas por Mendonça et
al. (2022), bem como as observações qualitativas registradas
pelos avaliadores nas duas etapas do processo (avaliação
preliminar e validação final).

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Camada avaliativa

Média Likert (1–5)

Adequação

Observações qualitativas dos avaliadores

Conceitual (precisão científica e
ancoragem teórica)

45

Plenamente adequado

Ampliar a explicação sobre o que é um ebook, os autores utilizados como
referência e a justificativa do formato.

Didático-pedagógica (clareza e
aplicabilidade)

43

Adequado, com aprimoramentos
implementados

Detalhar o que os educadores podem
fazer para acolher as mães, no registro do
cuidado possível, sem impor novas
demandas.

Comunicacional (linguagem e tom)

48

Plenamente adequado

Avaliação plenamente positiva —
linguagem e tom mantidos.

Estético-funcional (visual e
navegabilidade)

43

Adequado, com aprimoramentos
implementados

Ampliar o uso de figuras; paleta em tons
pastéis aprovada.

MÉDIA GERAL

45

Acima do critério mínimo de aprovação (≥
4,0)

Critério de classificação adotado: ≥ 4,5 = plenamente adequado; 4,0 a 4,4 = adequado, com aprimoramentos sugeridos; abaixo de 4,0 = requer ajustes substantivos.

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4. Principais Sugestões dos Avaliadores e Alterações
Implementadas
As sugestões qualitativas registradas pelos avaliadores
foram convergentes com as médias quantitativas e orientaram
diretamente as alterações implementadas nesta versão do ebook. Na camada conceitual, indicou-se ampliar a explicação
sobre o que é um e-book, os autores que fundamentam o
material e a justificativa do formato. Na camada didáticopedagógica, sugeriu-se detalhar o que os educadores podem
fazer para acolher as mães, no registro do “cuidado possível”,
evitando a imposição de demandas adicionais. A camada
comunicacional foi avaliada de modo plenamente positivo. A
camada estético-funcional aprovou a paleta em tons pastéis e
recomendou a ampliação do uso de figuras.
As principais alterações implementadas em resposta às
avaliações foram:
Explicitação dos fundamentos pedagógicos: inserção da
subseção “Fundamentos Pedagógicos do E-book” na
Apresentação, articulando quatro matrizes (Freire;
Mantoan, Mendes, Glat & Pletsch; Noddings, Boff;
Lukens & McFarlane, Colom).
Inserção da seção “Sobre Este Produto Educacional”:
resposta direta à camada conceitual, com as subseções “O
que é um produto educacional?”, “Por que um e-book?” e
“Por que cuidar da mãe é também uma questão de
Educação Especial”.
Estratificação por função escolar: resposta direta à camada
didático-pedagógica, com substituição do bloco genérico
“para educadores” por orientações específicas a cada car-

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go da comunidade escolar (direção, coordenação,
professores, PAE, AEE, equipe de apoio).
Seção “Quando o Professor Quer Acolher, Mas Também
Tem Limites”: reconhecimento da sobrecarga docente,
com frases acolhedoras, fluxos internos e protocolo de
observação — endereçando a sugestão sobre o “cuidado
possível”.
Reformulação da seção de autocuidado: substituição do
trecho “faça as unhas, passe um batom” pela seção “O
Autocuidado Possível”, em diálogo com a literatura
crítica do cuidado.
Fio condutor educacional: boxes “E na Escola?” nos
capítulos clínicos (1, 4 e 5) e parágrafos de fechamento
educacional nos capítulos vivenciais (2 e 6).
Aprimoramento estético-funcional: ampliação do uso de
figuras e infográficos, consolidação da paleta em tons
pastéis, blocos visuais diferenciados por tipo de conteúdo
e resumo visual ao final de cada capítulo — conforme
briefing encaminhado à profissional de design
responsável.
5. Termo Final
As alterações implementadas, em conjunto, configuram
nova versão do material — substancialmente revista em
relação à versão preliminar, e considerada apta para difusão
nos contextos a que se destina: escolas inclusivas, serviços de
saúde, redes de apoio a famílias atípicas e instituições de
formação em Educação Especial.

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