Podcast da Ufal amplia diálogos sobre diversidade, educação e direitos humanos
Ação de extensão valoriza pesquisas de egressos, fortalece a formação de estudantes e aproxima a universidade da sociedade
Transformar pesquisas acadêmicas em conversas acessíveis, aproximar estudantes e egressos e ampliar o debate sobre temas fundamentais para a sociedade. Esse é o propósito do Podcast Diversidade em Pauta, projeto de extensão desenvolvido na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Campus do Sertão, como parte da ação permanente Nudes Convida, vinculada ao Núcleo de Estudos, Extensão e Pesquisas sobre Diversidade e Educação no Sertão Alagoano (Nudes).
A iniciativa convida egressos da Ufal para entrevistas sobre seus Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), especialmente aqueles que dialogam com temas como gênero, raça, etnia, classe, sexualidades, direitos humanos, educação e diversidade. As conversas são conduzidas por estudantes em atividade, que também participam das etapas de produção, edição, divulgação e publicação dos episódios.
“É um projeto que foca no diálogo plural de saberes, onde os discentes assumem o protagonismo”, resume a professora Mônica Santos, coordenadora do projeto.
Disponível no Spotify, o podcast também tem suas ações divulgadas pelo Instagram @diversidadeem_pauta, criando novos caminhos para que a produção acadêmica circule para além das salas de aula e dos repositórios institucionais.
Um novo alcance
De acordo com a professora Mônica Santos, o Diversidade em Pauta surgiu como uma ampliação da ação Nudes Convida, já realizada há vários anos pelo núcleo. Tradicionalmente, a iniciativa promove diálogos com parceiros institucionais, pesquisadores, lideranças comunitárias e outros convidados sobre as categorias investigadas pelo Nudes: raça, classe, gênero, sexualidades e direitos humanos.
Neste ano, a equipe decidiu inovar e levar a ação para o formato de podcast, com o objetivo de alcançar mais pessoas e aproximar ainda mais a universidade da sociedade. Para a professora, a escolha do formato tem relação direta com o desejo de democratizar o acesso ao conhecimento.
“As tecnologias estão disponíveis para que possamos fazer um bom uso delas, então iniciamos com o podcast, pois as pessoas podem realizar seus trabalhos cotidiano e ainda ouvir sobre nossas ações”, destaca Mônica. Segundo ela, a perspectiva, futuramente, é ampliar o projeto para o formato de videocast, por meio do YouTube e envolver a comunidade acadêmica de todos os campi.
Estudantes como protagonistas da produção
O envolvimento dos discentes é um dos pilares do Diversidade em Pauta. Eles participam diretamente da construção do podcast, desde a leitura dos trabalhos e elaboração dos roteiros até a condução das entrevistas, edição, marketing, contato com os convidados e divulgação dos episódios.
“Eles são a base de toda ação”, afirma Mônica, que compartilha a coordenação com a professora Adriana Deodato, do Centro de Educação, responsável pela parte estudantil e a vice-coordenação discente é de Fernando de Sá Oliveira Jr., egresso do curso de História e integrante do Nudes. A equipe também conta com comissões de trabalho coordenadas por estudantes, responsáveis por diferentes etapas da produção.
A troca entre estudantes atuais e egressos tem sido um dos aspectos mais importantes da ação. O estudante Gildo Feitoso, do curso de Letras, integra a comissão de entrevistadores e avalia que a experiência tem sido enriquecedora. “Por inúmeros motivos, mas principalmente para eu poder acompanhar mais de perto e perguntar, tirar dúvidas com pessoas que escreveram projetos, escreveram trabalhos. É extremamente enriquecedor cada conversa, cada momento e não só o momento em si do diálogo, da entrevista, mas todo o processo por trás de escrita do roteiro e de leitura dos Trabalhos de Conclusão de Curso”, disse.
Já a estudante Isa Gabrieli, também do curso de Letras, destaca a experiência positiva na participação do projeto. “O podcast nos proporciona trocas de conhecimentos, alguns debates bastante importantes, a oportunidade de dar voz a diferentes perspectivas, e contribui para uma formação mais crítica”
A professora Adriana Deodato, vice-coordenadora do projeto, resume a relevância da iniciativa ao afirmar que “o podcast ajuda a tornar visíveis as pesquisas sobre diversidade produzidas por estudantes e pesquisadores”. Para Mônica, esse diálogo intercultural e intergeracional contribui para a formação dos dois grupos, enriquecendo a experiência acadêmica e fortalecendo o sentido de colaboração social e compromisso com a formação humana.
A docente também faz questão de destacar a participação de egressos que retornam à universidade para contribuir com o projeto, como Fernando, José Messias e Lucas Ricardo. Para ela, esse retorno mostra que a Ufal marcou positivamente a trajetória desses estudantes e segue produzindo impacto social em suas vidas.
“A importância do projeto está justamente em observar os frutos das pesquisas ligadas ao Nudes e ao debate sobre diversidade e educação no Sertão”, destaca Fernando, que agora é professor da Rede Estadual de Alagoas e colabora com o projeto.
Pesquisa, ensino e extensão caminhando juntos
O Diversidade em Pauta se organiza a partir de uma articulação entre ensino, pesquisa e extensão. As temáticas abordadas no podcast também estão presentes no grupo de estudos do Nudes e do Genir, na disciplina Educação e Relações Étnico-Raciais do curso de Pedagogia e demais licenciaturas, além de projetos de pesquisa cadastrados no sistema acadêmico da Ufal.
Segundo Mônica, os temas tratados nas entrevistas não se limitam aos egressos. O critério central é o conteúdo das pesquisas desenvolvidas nos TCCs, desde que estejam relacionadas às categorias investigadas pelo núcleo.
Ela conta que a proposta não é apenas divulgar trabalhos acadêmicos, mas criar um espaço de escuta, aprendizado e reflexão crítica. Para Mônica, o projeto busca uma “reflexão crítica sobre a história e cultura africana, afro-brasileira e indígena, sobre e a euronormatividade presente nos currículos da Educação Básica e Ensino Superior, sobre a diversidade de gênero, sexualidades, inclusão e Direitos Humanos, problematizando os processos de opressão e exploração da força de trabalho pelo capital”.
Para Mônica, a iniciativa contribui para problematizar e combater o racismo, o machismo estrutural, a homotransfobia, as relações patriarcais de gênero e outras formas de discriminação e violação de direitos. “Ao fazer isto, a Ufal materializa seu compromisso social com a educação de qualidade socialmente referenciada”, afirma a professora.
Visibilidade para circular o conhecimento
Um dos principais objetivos do podcast é evitar que pesquisas relevantes fiquem restritas aos arquivos acadêmicos. A professora Mônica explica que a escolha dos egressos convidados ocorre a partir dos temas dos TCCs. A equipe consulta o Repositório da Ufal, dialoga com professores que orientam pesquisas na área e também realiza divulgação em salas de aula, especialmente junto a estudantes que estão próximos de concluir seus cursos.
“O conhecimento produzido pela academia só tem sentido de existir se for socializado para que os indivíduos possam se apropriar dessas produções”, destaca Mônica. Segundo a professora, os TCCs não devem ser engavetados nem se tornar “letra morta” nos repositórios institucionais.
Como participar
Egressos da Ufal que desenvolveram Trabalhos de Conclusão de Curso relacionados aos temas de raça, classe, gênero, sexualidades, direitos humanos, educação e diversidade podem conhecer melhor a iniciativa e entrar em contato com a equipe pelo Instagram @diversidadeem_pauta.
Os episódios do Podcast Diversidade em Pauta estão disponíveis no Spotify, ampliando o alcance das discussões promovidas pelo Nudes e fortalecendo a presença da Ufal em espaços digitais de formação, escuta e diálogo com a sociedade.