Aula inaugural reuniu estudantes da primeira turma de bacharelado em IA da Ufal
Estudantes foram convidados a pensar sobre o papel dos profissionais na era da Aprendizagem de Máquina
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A aula inaugural da primeira turma de bacharelado em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) aconteceu na tarde da última terça-feira (28) no auditório da Reitoria. O evento reuniu os primeiros estudantes do novo curso receber as boas-vindas promovidas pelo Instituto de Computação (IC) e pela Gestão Central da Universidade.
Compuseram a mesa de abertura a vice-reitora, Eliane Cavalcanti; o diretor do IC, Thiago Cordeiro; a coordenadora do Bacharelado em Inteligência Artificial, Cristina Tenório, e o professor decano do Instituto de Computação, Evandro Costa. “Este é um momento muito especial de acolhimento. A área que vocês escolheram traz um desafio interessante porque a IA movimenta toda uma estrutura social. É um curso novo e com isso estamos aprendendo o caminho a seguir. Vocês fizeram uma escolha muito boa, pois este é um curso que tem tudo a ver com o momento atual”, afirmou Evandro Costa.
Cristina Tenório relembrou a trajetória da criação do bacharelado em IA reafirmou a importância de ter cursos de tecnologia e computação no período noturno, ampliando o acesso a estudantes que já estão no mercado de trabalho. “São vários motivos que me deixam feliz e orgulhosa neste momento: é o primeiro curso de bacharelado em IA de Alagoas, é o primeiro curso de tecnologia da Ufal ofertado no período noturno. Esse é um marco que não podemos esquecer”.
“Agradeço ao professor decano, Evandro, ao Thiago, que atuou na construção desse curso desde antes de assumir a direção, ao Fábio Parraguassu, à professora Roberta Vilhena e à Gestão da Ufal. Essa trajetória foi construída a muitas mãos. O curso de vocês vai ajudar a trazer mais recursos, mais professores e vai agregar muito ao IC. Que tenhamos sucesso. Sejam muito bem-vindos e bem-ficados", brincou.
O diretor do IC, Thiago Cordeiro, reafirmou sua satisfação em contribuir com a formação de novos profissionais e destacou a presença feminina na mesa de abertura e no corpo discente, ainda tímida em áreas como a tecnologia e computação. “Temos um árduo e longo caminho pela frente, mas estamos aqui por vocês, tentando melhorar um pouquinho a cada dia”.
A mesa de abertura foi encerrada com a fala da vice-reitora, Eliane Cavalcanti, que incentivou os alunos que serão primeiros formados na área no estado. “Ser o pioneiro nem sempre é bom. Quem está na frente, não sabe o que esperar. Mas em algumas coisas na vida ser o primeiro dá gosto: quando é algo que marca a nossa história e marca algo que é maior do que nós mesmos, que é transformador. Serem pioneiros em um curso de graduação vai ser uma coisa boa. Os desafios serão inúmeros, mas o caminho se faz andando”, concluiu.
Palestra debateu a importância dos profissionais na era da Aprendizagem de Máquina
A programação seguiu com a palestra “Quem ensina as máquinas? O papel do bacharel em Ia na era da Aprendizagem de Máquina e LLMs", ministrada pelo professor George Darmiton, da Universidade Federal de Pernambuco.
Na ocasião, o professor instigou os novos estudantes a pensarem sobre o próprio papel na construção e desenvolvimento da Inteligência Artificial, o seu uso ético e sobre como entender os viéses e as limitações das IAs generativas. O professor apresentou ainda uma linha do tempo, mostrando que, apesar de parecer uma temática recente, a Inteligência Artificial vem sendo debatida desde a década de 50, quando teve seu termo crido na Conferência de Dartmouth (EUA).
“Hoje a IA está em todo canto. Todos usamos a inteligência artificial o tempo inteiro, seja usando reconhecimento facial para desbloquear um celular ou app, seja utilizando a IA generativa para criação de algum conteúdo. O fato é que Alan Turing já se perguntava se as máquinas seriam capazes de pensar em um artigo escrito na década de 50”, explicou.
“Mas é inegável que temos uma demanda crescente. E que muitas empresas grandes não podem mais esperar que um cientista de computação conclua sua graduação para depois se especializar em IA. Além disso a área se expandiu e suas discussões não cabem mais em uma disciplina isolada em um curso mais amplo. A maior parte dos cursos de graduação em IA se concentram no sudeste, por isso é uma honra participar de uma aula inaugural de mais um curso aqui na nossa região”, complementou.
“Eu desejo que nessa jornada, vocês transformem os desafios e a curiosidade em aprendizado. Que desenvolvam o pensamento crítico, senso de responsabilidade, que criem redes de apoio e que tenham uma convivência plural . Porque tudo isso pode ser aplicado no desenvolvimento de algo muito maior, dentro da computação e da área de IA. Lembrem-se: as máquinas aprendem, mas nós que lideramos”, finalizou.
George Darmiton é professor titular do Centro de Informática (CIn) da UFPE. Em 2019, foi professor visitante na École de Technologie Supérieure (ETS), Montreal, Canada e é membro associado do Laboratory of Imaging, Vision and Artificial Intelligence (LIVIA), ETS, do Canadá, desde 2011.