Formação na Ufal abre portas para egresso em Centro de Clima e Saúde na BA

Pesquisa desenvolvida por João Otávio Alves Accioly no Programa de Pós-graduação em Meteorologia alia ciência de dados para investigar os impactos do clima sobre a saúde da população

Por Jacqueline Freire - jornalista
- Atualizado em
Trabalho de João Otávio no Cisc foi a oportunidade de aplicar na prática os conhecimentos na Ufal
Trabalho de João Otávio no Cisc foi a oportunidade de aplicar na prática os conhecimentos na Ufal

Há pouco mais de um mês, o egresso João Otávio Alves Accioly, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Meteorologia (PPGMET) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), passou a integrar a equipe do Centro de Informação em Clima e Saúde (Cisc), na Bahia. A nova experiência profissional representa a continuidade de um longo percurso trilhado na universidade, desde a graduação em Meteorologia até a pós.

No CISC, o pesquisador tem encontrado a oportunidade de colocar em prática conhecimentos desenvolvidos ao longo da formação acadêmica, e, ao mesmo tempo, a atuação em uma equipe multidisciplinar tem ampliado sua compreensão sobre a aplicação da ciência em problemas que afetam diretamente a população.

“Tem sido uma experiência muito enriquecedora. Estou tendo a oportunidade de aplicar conhecimentos que venho desenvolvendo na minha formação, especialmente nas áreas de meteorologia, saúde e machine learning, mas também de aprender bastante com uma equipe multidisciplinar”, relata.

Para ele, um dos aspectos mais importantes dessa experiência é justamente a possibilidade de integrar diferentes áreas do conhecimento para transformar dados em informações capazes de contribuir para a vigilância em saúde e para a tomada de decisões. “É uma oportunidade de crescimento profissional e também de conhecer mais de perto a aplicação prática da meteorologia em problemas que afetam diretamente a população, o que também é um grande desafio”, destaca.

Formação interdisciplinar

A formação oferecida pelo PPGMET ocupa papel central nesse contexto. Segundo ele, o programa proporciona uma preparação que ultrapassa os conhecimentos específicos da Meteorologia, favorecendo uma visão mais ampla sobre problemas complexos e suas diferentes dimensões.

Ele destaca a qualidade e a diversidade do corpo docente, formado por professores especialistas: “Além do conhecimento técnico, destaco também o companheirismo e a proximidade que tenho com os professores. Eles estão sempre dispostos a ajudar, orientar e auxiliar no que for possível, o que torna o processo de formação muito mais enriquecedor”, afirma.

Essa perspectiva interdisciplinar ganha ainda mais relevância diante dos impactos das mudanças climáticas sobre a sociedade. Para João Otávio, compreender o clima atualmente significa também analisar suas relações com áreas como saúde, recursos hídricos, agricultura e outros setores.

Toda a formação acadêmica dele, desde a graduação ao mestrado, foi construída na Ufal. Nesse percurso, além da formação sólida em Meteorologia, ele desenvolveu competências em pesquisa, análise de dados, programação e modelagem, conhecimentos que hoje são importantes para sua atuação profissional.

Um dos elementos destacados nesse caminho de sucesso foi a orientação do professor Fabrício Daniel dos Santos Silva. Segundo João, o docente teve papel importante ao incentivá-lo a buscar novas experiências e construir uma formação interdisciplinar: “A orientação e as oportunidades proporcionadas ao longo da graduação e do PPGMET estão sendo essenciais para que eu pudesse construir as competências necessárias para atuar na interface entre clima e saúde”, explica.

Antecipando riscos

A pesquisa desenvolvida durante o mestrado também está diretamente relacionada a essa interface. Utilizando ciência de dados e técnicas de aprendizado de máquina, o estudo investiga a relação entre variáveis meteorológicas e doenças sensíveis ao clima, como dengue, asma e pneumonia.

A proposta é identificar padrões e compreender quais condições meteorológicas estão associadas ao aumento de determinados casos. Na prática, esse tipo de conhecimento pode contribuir para antecipar períodos de maior risco e subsidiar ações de prevenção e monitoramento.

“Se o modelo consegue identificar condições meteorológicas que antecedem um aumento de casos, essa informação pode ser utilizada para direcionar a atenção das equipes de vigilância e dos gestores”, explica.

“O uso de ciência de dados e aprendizado de máquina também permite trabalhar com grandes volumes de informações e identificar relações que podem não ser evidentes por métodos tradicionais”, destaca João. Com isso, a pesquisa busca transformar dados meteorológicos e de saúde em informações úteis para apoiar decisões e fortalecer a integração entre clima e saúde.

Novos caminhos para a Meteorologia

Para o pesquisador, um dos principais desafios da profissão diante das mudanças climáticas é ampliar a compreensão sobre o papel do meteorologista na sociedade. A atuação profissional pode ir além da previsão do tempo, incorporando a análise de como as condições meteorológicas e as mudanças climáticas afetam diferentes setores, especialmente a saúde.

Nesse cenário, a biometeorologia e a área de clima e saúde apresentam oportunidades para uma atuação cada vez mais interdisciplinar e operacional. O meteorologista pode trabalhar em conjunto com profissionais da saúde, cientistas de dados, gestores públicos e especialistas de outras áreas, contribuindo para transformar informações climáticas em produtos e indicadores que apoiem a vigilância e a tomada de decisões.

Outra frente em expansão está relacionada ao uso de ciência de dados, inteligência artificial e modelagem. Essas ferramentas permitem trabalhar com grandes conjuntos de dados climáticos e de saúde, identificar padrões e auxiliar na caracterização de situações de risco.

“O meteorologista terá cada vez mais um papel importante não apenas em compreender o clima, mas também em traduzir essas informações em conhecimento que possa contribuir diretamente para a prevenção e proteção da população”, avalia.

 

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