Lab-iMetrics retoma atividades com foco em soberania científica
Laboratório da Ufal lança site institucional e articula ciclo de debates com grupos da Unesp, UFPE e UFABC ao longo do semestre
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O Laboratório de Estudos Métricos da Informação na Web (Lab-iMetrics), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), retoma suas atividades neste semestre com uma reestruturação de sua agenda científica. Entre as principais mudanças está a criação da linha de pesquisa Soberania Científica e Integridade da Pesquisa, que orientará estudos e discussões do grupo nos próximos meses.
A nova etapa inclui ainda o lançamento do site institucional do laboratório e a realização de um ciclo híbrido de debates em parceria com grupos de pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Universidade Federal do ABC (UFABC).
“A retomada não significa apenas reiniciar nossas reuniões. Ela marca uma atualização da identidade e da agenda científica do Lab-iMetrics diante de questões que se tornaram fundamentais para a área, como soberania científica, integridade da pesquisa, estudos métricos decoloniais e avaliação responsável da ciência”, explica o professor Ronaldo Ferreira de Araújo, líder do grupo.
Nova linha atualiza agenda científica
A linha Soberania Científica e Integridade da Pesquisa amplia o campo de atuação do Lab-iMetrics e incorpora discussões sobre as condições políticas, sociais, éticas e tecnológicas que interferem na produção, circulação, avaliação e validação do conhecimento.
A proposta considera que os estudos métricos da informação não devem se limitar à aplicação de indicadores de produtividade, colaboração ou impacto. Também é necessário investigar como esses indicadores são produzidos, quais realidades conseguem representar e quais desigualdades podem reproduzir.
“Queremos avançar em uma perspectiva crítica e contextualizada dos indicadores. Isso significa perguntar quem está representado nos dados, quais conhecimentos permanecem invisíveis e o que acontece com a ciência brasileira, nordestina, periférica e multilíngue quando ela é avaliada por sistemas construídos a partir de outras prioridades”, afirma Ronaldo Araújo.
Nesse contexto, os estudos métricos decoloniais ganham espaço na agenda do laboratório. A abordagem chama atenção para as assimetrias entre países, regiões, idiomas, áreas do conhecimento e formas de produção científica, além de propor uma leitura mais sensível às características e às necessidades dos diferentes territórios.
Para a vice-líder do Lab-iMetrics, professora Robéria de Lourdes de Vasconcelos Andrade, a reformulação fortalece a capacidade do grupo de analisar criticamente as desigualdades presentes na ciência.
“Incorporar perspectivas decoloniais significa reconhecer diferentes territórios, sujeitos e formas de produzir conhecimento, inclusive aqueles que nem sempre alcançam visibilidade nas bases e nos sistemas tradicionais de avaliação. É uma atualização necessária para que nossas pesquisas acompanhem os desafios atuais da ciência e da sociedade”, destaca Robéria.
Site reunirá informações e produtos do grupo
Como parte da retomada, o Lab-iMetrics lança seu site institucional. A plataforma reunirá, em um único ambiente, informações sobre a atuação e a trajetória do grupo, suas linhas de pesquisa, equipe, produções científicas, projetos em andamento e objetivos estabelecidos para os próximos anos.
O site também será utilizado para divulgar notícias e atividades e para disponibilizar contribuições e produtos desenvolvidos pelo laboratório, como publicações, materiais de formação, resultados de pesquisas, registros dos debates e outros recursos de interesse da comunidade.
“O lançamento do site é um marco desta retomada porque nos permite organizar e comunicar melhor quem somos, o que pesquisamos e quais contribuições pretendemos oferecer. Ao mesmo tempo que preserva a memória do Lab-iMetrics, a plataforma dará visibilidade aos novos caminhos que o grupo está construindo”, ressalta Ronaldo Araújo.
Segundo Robéria Andrade, o novo espaço não funcionará apenas como uma vitrine institucional, mas como um ambiente de comunicação científica e diálogo com a sociedade.
“Queremos que o site seja um ambiente vivo, atualizado e útil para a comunidade. Ele reunirá nossas produções e atividades, mas também tornará acessíveis materiais, experiências e produtos que possam contribuir com estudantes, pesquisadores, profissionais e instituições”, afirma a vice-líder.
Ciclo reúne quatro grupos de pesquisa
A nova linha nasce articulada com três grupos brasileiros dedicados aos estudos métricos e cientométricos. Um deles é o Grupo de Pesquisa Estudos Métricos em Informação (GPEMI), da Unesp, campus de Marília, liderado pela professora Maria Cláudia Cabrini Grácio, docente do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da instituição.
Também integra a articulação o Scientia, do Departamento de Ciência da Informação da UFPE, liderado pelos professores Raimundo Nonato Macedo dos Santos e Natan Sobral. Completa a rede o Grupo de Pesquisa em Cientometria da UFABC, coordenado pelo professor Jesús P. Mena-Chalco e dedicado, entre outros temas, a abordagens computacionais para o estudo da produção e da colaboração científica.
A parceria resultará em um ciclo composto por quatro debates, com reuniões coletivas em formato híbrido ao longo do semestre. Cada grupo ficará responsável pela organização de um encontro, incluindo a indicação de palestrante e debatedor e a escolha de um texto-base para a discussão. Todas as atividades estarão relacionadas ao eixo da soberania científica e da integridade da pesquisa.
O formato distribui as responsabilidades entre os quatro grupos, aproxima pesquisadores de diferentes instituições e amplia o alcance das discussões para além dos limites de uma única universidade: “Cada grupo possui sua trajetória, suas habilidades e suas especialidades. Ao aproximarmos essas competências, criamos um espaço compartilhado de formação, fortalecemos as pesquisas em andamento e abrimos possibilidades para projetos e produções interinstitucionais”, explica Araújo.
A iniciativa reunirá participantes em diferentes etapas da trajetória acadêmica, desde estudantes de iniciação científica até mestrandos, doutorandos, docentes e pós-doutorandos. “A convivência entre participantes em diferentes momentos da formação favorece uma aprendizagem muito rica. O estudante de iniciação científica poderá dialogar com pesquisadores mais experientes e compreender a pesquisa como um processo coletivo, contínuo e aberto à construção de novas perguntas”, avalia Robéria Andrade.
Próximo encontro
O próximo encontro do ciclo será realizado nesta terça, 18 de agosto, às 16h, e terá como palestrante Karen Santos-d’Amorim, pesquisadora da UFPE e integrante do Scientia. A atividade abordará integridade da pesquisa e cientometria forense. Karen foi vencedora do Prêmio Capes de Tese na área de Comunicação, Informação e Museologia com o trabalho Dinâmica das retratações de artigos científicos na América Latina e implicações na cultura de integridade em pesquisa e governança na Ciência.
A cientometria forense utiliza métodos e indicadores dos estudos métricos da informação para identificar padrões relacionados a retratações, fraudes e outras práticas capazes de comprometer a confiabilidade da literatura científica.
“A presença de Karen Santos-d’Amorim é muito representativa para este novo momento. Sua pesquisa articula estudos métricos, integridade científica e cientometria forense, temas que passam a ocupar uma posição central na agenda do Lab-iMetrics”, destaca Ronaldo Araújo.
Trajetória e renovação
A retomada ocorre poucos meses depois de Ronaldo Araújo representar o Lab-iMetrics em duas atividades de destaque na área de métricas da ciência. O professor atuou como instrutor do módulo Princípios da Altmetria na CWTS Scientometrics Winter School, ofertada pelo Centre for Science and Technology Studies da Universidade de Leiden, e como palestrante no 10º Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria (EBBC), realizado em Curitiba.
As participações reforçam a trajetória do grupo nas discussões sobre altmetria, métricas responsáveis, circulação da informação e comunicação científica. Essa experiência passa a dialogar com a nova agenda de soberania científica, integridade da pesquisa e abordagens decoloniais.
Criado para desenvolver pesquisas teóricas e metodológicas sobre coleta, análise e visualização de informações em ambientes digitais, o Lab-iMetrics também atua em temas como altmetria, cibermetria, cientometria, métricas de mídias sociais e presença digital de pesquisadores, instituições e produtos científicos.
A expectativa é que a reformulação das linhas, o lançamento do site e o ciclo de debates contribuam para novos projetos, publicações, orientações e pesquisas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
“Esperamos um semestre rico e proveitoso, marcado pela escuta, pela aprendizagem e pela produção coletiva. Queremos fortalecer o Lab-iMetrics e os grupos parceiros, formar novos pesquisadores e deixar contribuições que permaneçam disponíveis para a comunidade”, conclui Robéria Andrade.
Próximo encontro
Data: 18 de agosto
Horário: 16h
Local: Bloco de Biblioteconomia
Palestrante: Karen Santos-d’Amorim, da UFPE
Tema: Integridade da pesquisa e cientometria forense