Mestranda em Enfermagem investiga relação entre saúde mental e atenção plena
Estudo busca compreender fatores associados ao sofrimento psíquico e contribuir para estratégias de promoção da saúde no ambiente universitário
Com o objetivo de compreender os fatores associados ao sofrimento psíquico entre estudantes universitários e investigar a relação entre a prática da atenção plena (mindfulness) e a saúde mental, uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGEnf) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) está realizando a coleta de dados com estudantes de graduação dos campi A.C. Simões, Arapiraca e Sertão.
Coordenado pela professora Verônica de Medeiros e desenvolvido pela mestranda Mayara Stefanie, o estudo parte da crescente preocupação com o aumento dos casos de ansiedade, depressão, estresse e outros transtornos mentais comuns entre universitários. Para responder a pesquisa, basta acessar o formulário on-line.
Segundo a pesquisadora Mayara Stefanie, a investigação foi motivada pelo elevado número de relatos de sofrimento psíquico nessa população e pela necessidade de compreender quais características socioeconômicas, acadêmicas e de estilo de vida podem estar relacionadas a esse adoecimento.
A pesquisa busca analisar se a atenção plena pode estar associada a melhores indicadores de saúde mental. A prática, conhecida internacionalmente como mindfulness, consiste em desenvolver a capacidade de manter a atenção no momento presente, de forma intencional e sem julgamentos. Estruturada no Ocidente pelo pesquisador Jon Kabat-Zinn na década de 1970, a técnica vem sendo estudada como uma estratégia complementar para promoção do bem-estar emocional e da qualidade de vida.
A literatura científica demonstra que a atenção plena pode contribuir para a regulação emocional, melhora da qualidade do sono, desenvolvimento da autocompaixão e adoção de estratégias mais saudáveis de enfrentamento das dificuldades do cotidiano", explica Mayara.
Dados alarmantes
A pesquisa pretende incluir estudantes regularmente matriculados em cursos de graduação da Ufal, contemplando diferentes perfis sociodemográficos, cursos, períodos e hábitos de vida. A intenção é construir um panorama amplo da saúde mental da comunidade acadêmica.
De acordo com a professora de Enfermagem e orientadora, Verônica de Medeiros, o cenário da saúde mental dos estudantes é preocupante, pesquisas como essa contribuem para dimensionar o cenário: "Diversos fatores, como a adaptação à vida acadêmica, sobrecarga de estudos, dificuldades socioeconômicas, mudança de cidade e características individuais, podem aumentar a vulnerabilidade ao adoecimento mental. Esse contexto reforça a necessidade de ampliar ações de prevenção, acolhimento e promoção da saúde mental nas instituições de ensino superior", ressalta a professora Verônica.
Embora a coleta de dados ainda esteja em andamento, os resultados preliminares apontam um número expressivo de estudantes que relatam sentimentos de depressão e nervosismo ou tensão. Também foram observadas associações entre algumas características sociodemográficas e indicadores de sofrimento psíquico. Como a pesquisa ainda não foi concluída, essas análises são consideradas parciais.
Ao final do estudo, a expectativa é identificar a presença de sofrimento psíquico entre estudantes da graduação e verificar sua possível relação com a prática da atenção plena. Os resultados poderão subsidiar políticas institucionais, fortalecer ações de acolhimento e promoção da saúde mental e orientar futuras pesquisas sobre o tema.
Para a pesquisadora, incentivar a participação dos estudantes é fundamental para que os dados representem a realidade da universidade. "A participação da comunidade acadêmica contribui para a produção de evidências científicas capazes de fundamentar melhorias nas políticas de assistência estudantil e nas estratégias de promoção da saúde mental", destaca.