Monitoria da Ufal alia empatia e acolhimento para fortalecer aprendizagem
Relato de experiência em atividades de Endodontia mostrou que acompanhamento humanizado pode ajudar estudantes a superar inseguranças e desenvolver confiança para a prática profissional
- Atualizado em
A monitoria pode ir além do auxílio técnico em sala de aula e se tornar uma importante ferramenta de apoio à aprendizagem. Foi o que demonstrou uma experiência desenvolvida no curso de Odontologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), durante o ciclo 2025.1, em atividades pré-clínicas de Endodontia.
O relato de experiência, intitulado “A monitoria como estratégia facilitadora na formação do cirurgião-dentista: empatia como potencializadora da aprendizagem”, foi elaborado por estudantes de Odontologia da Ufal, com a participação do professor Daniel Pinto de Oliveira, do Departamento de Endodontia da Faculdade de Odontologia (Foufal).
Durante as atividades, os monitores observaram que muitos estudantes apresentavam insegurança diante das primeiras experiências laboratoriais e clínicas. Segundo Fabiano Silva de Oliveira, estudante de Odontologia e um dos autores do relato, por se tratar de uma etapa nova da formação e, ao mesmo tempo, de uma preparação para a vida clínica, alguns alunos tinham dificuldades para acreditar que conseguiriam desenvolver as atividades até a conclusão dos procedimentos.
“O acompanhamento foi realizado de forma humanizada, tranquilizando os envolvidos e construindo experiências que levarão para o sucesso profissional dos futuros cirurgiões-dentistas, pois o propósito maior era transformar vidas de dentro para fora”, relata. Ele destaca que os monitores têm papel fundamental na formação dos discentes de Odontologia, uma vez que suas vivências anteriores fortalecem o aprendizado, principalmente quando se tem um olhar mais empático com o outro. “Quando passamos pela mesma situação em diferentes momentos da formação, percebemos o quão importante é ter alguém nos direcionando em cada etapa das atividades laboratoriais e clínicas”, diz.
A partir das próprias experiências ao longo da formação, os monitores procuraram compreender as dificuldades dos colegas. Quando identificavam um estudante com dúvidas ou insegurança, aproximavam-se individualmente e buscavam simplificar o passo a passo da atividade até que ele conseguisse desenvolvê-la de forma autônoma.
Assim, o acompanhamento individualizado tornou-se uma estratégia para facilitar a aprendizagem: “Percebi o desenvolvimento que obtiveram e a finalização das atividades práticas com um grau de superação. Isso motiva a continuidade de um trabalho humanizado, pois o que desenvolvemos hoje, segue como um exemplo que pode seguir por toda a vida”, afirma.
Empatia como ferramenta de aprendizagem
A proposta partiu da compreensão de que o monitor também exerce papel importante na formação acadêmica dos estudantes. Assim, mais do que transmitir conhecimentos, ele pode contribuir para criar um ambiente em que o aluno se sinta seguro para aprender, perguntar e enfrentar suas dificuldades.
Ao final do ciclo, foi possível perceber mudanças no desenvolvimento dos estudantes. A conclusão das atividades práticas, acompanhada de um processo de superação das inseguranças iniciais, reforçou para os monitores a importância de manter uma atuação baseada no acolhimento e na empatia.
O trabalho foi apresentado em um simpósio de Saúde Coletiva na Foufal. Segundo Fabiano, a experiência pode despertar um novo olhar dos monitores sobre seu papel como colaboradores da formação acadêmica.