Ufal conquista todo o pódio do Prêmio Sebrae de Jornalismo na categoria universitária

Os estudantes Joyce Maia, Laura Gomes e Ryan Charles foram premiados por reportagens sobre empreendedorismo e transformação social

Por Manuella Soares - jornalista
- Atualizado em
Joyce Maia, primeiro lugar no prêmio, abordou as relações entre sexualidade, prazer, saúde, empreendedorismo e autonomia feminina
Joyce Maia, primeiro lugar no prêmio, abordou as relações entre sexualidade, prazer, saúde, empreendedorismo e autonomia feminina

Histórias de mulheres que transformam o próprio destino por meio do empreendedorismo levaram estudantes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) a uma conquista que transcende o currículo acadêmico: dá orgulho pessoal e coletivo! Joyce Maia, Laura Gomes e Ryan Charles ocuparam, respectivamente, o primeiro, o segundo e o terceiro lugares da categoria Jornalismo Universitário na etapa estadual do 13º Prêmio Sebrae de Jornalismo. A cerimônia foi realizada nessa quinta-feira (10), em Maceió.

Os três estudantes foram premiados por reportagens que voltam o olhar para iniciativas muitas vezes distantes dos espaços de maior visibilidade. Os trabalhos abordam mulheres que empreendem no mercado erótico, trancistas que transformam um saber ancestral em profissão e artesãs que encontram na arte uma fonte de renda, afeto e mudança de vida.

O Prêmio Sebrae de Jornalismo reconhece produções jornalísticas relacionadas ao empreendedorismo, com atenção especial aos pequenos negócios. Os conteúdos inscritos foram avaliados a partir de critérios como relevância pública, qualidade narrativa, originalidade, uso de fontes e inovação.

A 13ª edição passou a premiar em dinheiro os três melhores trabalhos da categoria universitária. Além dela, a premiação contempla produções profissionais em texto, áudio, vídeo e fotojornalismo. Os primeiros colocados em cada categoria avançam automaticamente para a etapa regional e podem chegar à fase nacional, realizada em Brasília.

Empreendedorismo, saúde e autonomia feminina

O primeiro lugar ficou com Joyce Maia, estudante do 8º período de Jornalismo, pela reportagem O despertar de Eros: como as mulheres estão transformando o mercado erótico em espaço de saúde e autonomia. No trabalho, Joyce aborda as relações entre sexualidade, prazer, saúde, empreendedorismo e autonomia feminina, buscando romper tabus e estereótipos. A estudante conta que sua trajetória pessoal e o interesse por narrativas protagonizadas por mulheres influenciaram a escolha do tema.

“Entrei no Jornalismo porque queria me conectar com pessoas e suas histórias. Acredito que enxergar o mundo pelo olhar do outro é um exercício de escuta, troca e vulnerabilidade. Venho da periferia e conheço a importância de ser visto para além dos estigmas”, afirmou.

Para Joyce, o conceito de Eros apresentado na reportagem vai além do sexo e envolve desejo, potência, criação e reconexão consigo mesma. A matéria mostra como as empreendedoras encontram nos próprios negócios uma forma de desenvolver suas potencialidades e contribuir para o autoconhecimento de outras mulheres.

“Fico muito feliz com esse reconhecimento, principalmente por ser um trabalho que aborda uma questão ainda cercada de tabus. A formação na Ufal tem me proporcionado um olhar mais crítico sobre os temas que escolho contar, buscando compreender as pessoas e as estruturas que atravessam suas experiências”, disse. Com o primeiro lugar na etapa estadual, a reportagem segue para a fase regional do prêmio.

Saber ancestral que se transforma em profissão

A segunda colocação foi conquistada por Laura Gomes, estudante do 6º período, com a reportagem Queria que minha profissão fosse reconhecida: trancistas transformam ancestralidade em profissão no mercado da beleza. Assim como a primeira colocada, a  matéria foi produzida durante a disciplina Laboratório de Mídia Impressa, sob a orientação da professora Mércia Pimentel, e publicada na Revista Manguaba, veículo laboratorial desenvolvido pelos estudantes do curso de Jornalismo da Ufal.

“Fiquei muito feliz com esse reconhecimento, principalmente porque essa reportagem nasceu dentro da Universidade. Produzir essa matéria e acompanhar as histórias dessas trancistas, cujo trabalho eu conheço e consumo, também foi uma forma de entender como o Jornalismo pode contribuir para dar visibilidade a saberes que muitas vezes ainda lutam por reconhecimento”, destacou Laura.

A estudante ressalta que contar as trajetórias das profissionais também significa acessar questões sociais e culturais. “Falar sobre trancistas também é falar sobre negritude e ancestralidade, que encontram no trabalho dessas mulheres uma forma de permanecer vivas. Para mim, foi muito importante poder contar essas histórias a partir desse olhar e reconhecer a potência que existe em transformar um saber ancestral em profissão”, disse a estudante.

A professora comemorou: "As pautas foram apresentadas durante planejamento da nossa revista laboratorial, a Manguaba. Fizemos diversas reuniões e elas construíram a reportagem. Foi uma experiência exitosa, acompanhei todo o processo e vi o quanto estavam empenhadas. Lançamos a revista no semestre passado e veio a oportunidade de participar do Prêmio Sebrae. Foi uma oportunidade muito bem aproveitada pelas alunas, uma vez que escolheram como temática norteadora o empreendedorismo local. Sinto-me bastante orgulhosa ao presenciar nossos alunos se destacando; a revista ficou muito bonita e os textos foram avaliados qualitativamente. Em nome da Universidade, agradeço ao Sebrae pelo incentivo à produção textual e pela oportunidade de reconhecer os trabalhos dos alunos!", disse Pimentel. 

Histórias encontradas no cotidiano de Messias

O terceiro lugar foi para a reportagem Artesanato não tem preço, tem valor, de Ryan Charles, estudante do 8º período de Jornalismo e estagiário da Assessoria de Comunicação da Ufal. Produzido no município de Messias, onde ele mora, o trabalho apresenta a realidade de seis mulheres que encontram no artesanato uma maneira de transformar a própria vida.

Em um espaço simples, as artesãs produzem peças que vão do crochê às esculturas. Além da renda, a atividade proporcionou a criação de vínculos e amizades. E entre as linha, estava o olhar de Ryan, que escolheu o tema por perceber que, mesmo o Estado de Alagoas sendo reconhecido pela produção artesanal, as histórias de municípios com menor projeção midiática ainda recebem pouca atenção.

“Geralmente, as grandes histórias moram naquilo que não é visto. Foi uma surpresa encontrar histórias dignas de prêmio — e, nesse caso, literalmente — em um lugar pelo qual eu passava todos os dias e achava que era apenas uma loja. Nada é tão raso assim, se nos aprofundarmos. Acredito que esse é o papel social que o Jornalismo tem que exercer”, comentou.

Ryan conta que a reportagem foi produzida em apenas uma semana, com a colaboração das artesãs e o apoio do professor Roberto Amorim. Para o estudante e estagiário da Assessoria de Comunicação (Ascom) da Ufal, que está concluindo a graduação, o prêmio marca o encerramento de um ciclo importante.

“É muito difícil não me emocionar com essa vitória. Eu venho de uma família em que a educação sempre foi um mundo distante. Somos cinco, sendo eu o único homem. Estudar, para a minha avó, nunca foi uma possibilidade; para minha mãe e minhas tias, foi uma oportunidade; e, para mim, nunca foi uma dúvida. Se estou na universidade, devo inteiramente a elas”, disse emocionado.

Ao celebrar a presença dos três estudantes no pódio, Ryan destacou o significado coletivo da conquista: “Um prêmio é importante, claro, mas é apenas uma parte de tudo que conquisto todos os dias sendo parte da maior universidade pública do Estado. Sigo orgulhoso, feliz e muito privilegiado em estar nesse pódio com Laura e Joyce, porque melhor do que ganhar sozinho é compartilhar essa vitória em boa companhia!”.

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