Visibilidade Trans: HU promove ação educativa contra transfobia
Hospital Universitário tem atendimento especializado para o público trans desde 2021
Reconhecer a existência e a dignidade de pessoas trans também exige ambiente de cuidado preparado para acolher, respeitar e aprender continuamente. No Dia da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro, o Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HU), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), realizou uma ação educativa com panfletagem, diálogo e escuta ativa entre a comunidade hospitalar.
Esse é mais um compromisso da instituição com o reconhecimento de identidades, atendimento humanizado e combate à discriminação de gênero. A mobilização visa sensibilizar e orientar estudantes, profissionais e usuários do serviço a abordar adequadamente pessoas trans e combater a transfobia. A iniciativa foi coordenada pela equipe multiprofissional do Espaço Trans do HU, onde atualmente cerca de 140 pessoas realizam terapia hormonal para transição de gênero.
“A terapia hormonal salva vidas. As pessoas procuram a hormonização para adequar seus corpos à identidade com a qual se reconhecem, buscando com isso mais oportunidades nas seleções de emprego, melhor circulação nas ruas e coletivos públicos, por exemplo. Assim elas se sentem mais inseridas na sociedade”, destacou a endocrinologista do Espaço Trans, Izabelle Cahet.
Aisha Leonora da Silva Santos, 25 anos, faz hormonização no Espaço Trans há dois anos e o seu sonho é futuramente fazer a cirurgia de redesignação sexual, procedimento de afirmação de gênero que altera o órgão genital para alinhá-lo à identidade de gênero. “Hoje me sinto feliz e libertada, porque aqui foi um lugar onde a equipe me acolheu muito. Antes de eu vir para o Espaço Trans, me sentia muito conturbada devido à transfobia. Hoje me sinto bem diferente, bem feminina e com a mente no lugar”, afirmou.
Espaço une cuidado com saúde física e mental
O acolhimento no Espaço Trans do HU/Ufal é realizado por uma equipe multiprofissional, composta por assistente social, enfermeira, psicóloga, endocrinologista, psiquiatra e residentes de Psiquiatria. Durante a abordagem, os profissionais realizam uma entrevista sobre a história de vida do indivíduo e, em sequência, encaminham para a endocrinologista para fazer os exames e as avaliações necessárias ao processo de terapia hormonal, bem como de outros encaminhamentos.
A assistente social do Espaço Trans, Raquel Vieira, destaca a importância do Serviço Social para os usuários atendidos no hospital. “Muitos não conseguem emprego, por exemplo, por sofrer transfobia nas seleções. Então orientamos sobre direitos sociais, que engloba acesso ao mercado de trabalho, nome social, Cadastro Único, Previdência Social e Política de Assistência Social, dentre outros direitos”, destacou.
No serviço de terapia hormonal, o acompanhamento psicológico é parte fundamental do cuidado integral oferecido às pessoas trans. Segundo a psicóloga da equipe, Márcia Guimarães, muitos pacientes chegam ao Espaço após uma trajetória marcada por rejeições familiares, exclusão social e episódios constantes de transfobia. “São pessoas que, desde muito cedo, já se percebem diferentes do que lhes foi imposto ao nascer e carregam esse conflito por anos, atravessando a infância, a adolescência e a vida adulta”, explicou.
Márcia contou que, no entanto, ao conhecerem o serviço e a forma como são acolhidas, esse percurso começa a se transformar. “Aqui elas encontram um espaço seguro, onde podem se entender, elaborar seus desejos e, finalmente, ter a oportunidade de ser quem realmente são. Esse acolhimento faz com que deslanchem, apesar de toda a carga emocional e das dificuldades impostas pelo preconceito e pelo conservadorismo que ainda responsabilizam essas pessoas por algo que nunca foi uma escolha”, declarou.
Como acessar o Espaço Trans
O HU dispõe de um espaço de atendimento a pessoas trans desde agosto de 2021. Para receber acompanhamento, a porta de entrada é a Unidade Docente Assistencial (UDA) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). A pessoa interessada passa pela equipe da UDA, que encaminha, via Sistema de Regulação, ao HU. Ao chegar no Hospital, é feito um primeiro acolhimento com a equipe multiprofissional.