Fórum de Gastroenterologia Equina acontece em Maceió e celebra 32 anos de avanços

Edição histórica do evento organizado pelo Grupequi-Ufal reuniu mais de 500 participantes e homenageou personalidades da hipiatria brasileira

Por Ascom Ufal
- Atualizado em
Professor Pierre Barnabé Escodro, coordenador-geral do Grupequi e organizador do evento em Alagoas
Professor Pierre Barnabé Escodro, coordenador-geral do Grupequi e organizador do evento em Alagoas

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por meio do Grupo de Pesquisa e Extensão em Equídeos e Saúde Integrativa (Grupequi), promoveu o 20° Fórum de Gastroenterologia Equina entre os dias 29 e 31 de outubro, no Jatiúca Hotel & Resort, em Maceió. O encontro reuniu mais de 500 participantes, entre congressistas, palestrantes e representantes do setor produtivo.

A programação contou com 32 palestrantes nacionais e internacionais, 101 resumos científicos aprovados, com participação de 23 instituições, e uma feira veterinária com representantes de 19 empresas, consolidando o evento como um importante espaço de integração entre ciência, inovação, ensino e mercado veterinário.

A vigésima edição do evento celebrou uma trajetória iniciada há 32 anos, marcada pela construção coletiva do conhecimento, pelo desenvolvimento da clínica e cirurgia equina e pela valorização dos profissionais que contribuíram para transformar a gastroenterologia veterinária nacional.

Para o professor Pierre Barnabé Escodro, coordenador-geral do Grupequi, organizar a vigésima edição em Alagoas teve um significado especial. Ele conta que quando o Fórum nasceu em Curitiba, cursava Veterinária na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

"Em 1994, eu era apenas um estudante do segundo ano de Medicina Veterinária da UFPR, em Curitiba, onde começava essa história. Trinta e dois anos depois, poder contribuir para a realização da vigésima edição em Alagoas é uma oportunidade de reconhecer nossos mestres e mostrar a capacidade científica e organizacional da universidade pública nordestina", destacou Escodro.

Essa conexão entre diferentes gerações também esteve representada na própria comissão organizadora, que contou com mais de 35 pessoas, entre alunos da graduação, da pós-graduação em Ciência Animal e egressos, como a vice-presidente do evento, professora Juliana Bernardo.

“Mais do que um evento, foi um encontro de grandes nomes da Hipiatria [especialidade da medicina veterinária voltada exclusivamente para os equinos] e reuniu diferentes gerações, que fortaleceu laços, compartilhou conhecimentos e renovou o compromisso com o futuro da Gastroenterologia Equina”, reforçou. “Também contamos com o apoio da Mariza Motta, publicitária e médica veterinária mineira, que fortaleceu o sucesso e aproximação do setor produtivo à academia durante o evento”, completou Pierre.

Ciência, inovação e integração com o setor produtivo

Durante os três dias de programação, especialistas nacionais e internacionais discutiram avanços no diagnóstico, no tratamento clínico e cirúrgico, nos cuidados intensivos, no suporte nutricional e nas novas tecnologias aplicadas às enfermidades gastrointestinais dos equinos.

A programação científica promoveu a integração entre profissionais experientes, pesquisadores, professores, estudantes e representantes de instituições brasileiras e internacionais, fortalecendo a troca de experiências e a atualização técnico-científica.

Outro destaque foi a feira veterinária, que reuniu representantes de 19 empresas e apresentou tecnologias, produtos e soluções voltados à Medicina Equina, aproximando universidade, indústria e profissionais do setor.

Homenagens aos grandes nomes da hipiatria brasileira

Um dos momentos mais marcantes do evento foi a homenagem a personalidades que contribuíram decisivamente para o desenvolvimento da Medicina Equina no Brasil.

Receberam homenagens os médicos-veterinários Armen Thomassian (FMVZ-Unesp), Geraldo Eleno Alves (EV-UFMG), Roberto Foz (São Paulo), Pedro Vicente Michelotto Júnior (PUC-PR), Pierre Barnabé Escodro ( Grupequi-Ufal), Fernanda de Campos Manzano (Jockey Clube de SP), e Stélio Pacca Loureiro Luna (FMVZ-Unesp), em reconhecimento às trajetórias dedicadas ao ensino, à pesquisa, à clínica, à cirurgia e à formação de gerações de médicos-veterinários.

Também foi homenageada Vera Ribeiro (CEO da Vetnil) e Antonio Bacila (CEO Organnact), em reconhecimento à contribuição das empresas para a Medicina Veterinária brasileira, ao apoio histórico às diferentes edições do Fórum e ao fortalecimento da relação entre ciência, inovação e indústria nacional.

“As homenagens representaram um momento de reconhecimento e gratidão aos profissionais e lideranças que ajudaram a construir as bases científicas da hipiatria brasileira, deixando contribuições que continuam inspirando novas gerações”, disse Pierre.

O início do Fórum

O Fórum de Gastroenterologia Equina nasceu em 1994, durante o 1° Congresso Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária, realizado em Curitiba (PR), a partir da mobilização de médicos-veterinários dedicados à Medicina Equina.

A proposta era estabelecer um espaço permanente de discussão científica sobre as enfermidades gastrointestinais dos equinos, integrado aos congressos do CBCAV, favorecendo o intercâmbio entre pesquisadores, professores, clínicos e cirurgiões.

O sucesso da primeira edição resultou na publicação do livreto científico Diagnóstico em Cólica Equina, reunindo contribuições de especialistas como Armen Thomassian, Geraldo Eleno Silveira Alves, Delphim da Graça Macoris, Luís Cláudio Lopes Correia da Silva, Pedro Vicente Michelotto Júnior e Stélio Pacca Loureiro Luna.

A publicação, coordenada por Delphim da Graça Macoris e José Antônio Marques, tornou-se um importante registro da preocupação daqueles profissionais com a sistematização e a disseminação do conhecimento sobre as afecções digestivas dos equinos.

Em sua reflexão histórica, Armen Thomassian considera o Fórum um dos grandes precursores do desenvolvimento da gastroenterologia equina brasileira, destacando sua capacidade de reunir especialistas, estimular a formação profissional e contribuir para a evolução do atendimento clínico-cirúrgico dos equinos.

Ao longo das décadas, a produção científica, a incorporação de novas tecnologias e a consolidação de equipes especializadas transformaram profundamente a abordagem das enfermidades gastrointestinais, especialmente da síndrome cólica, uma das principais emergências da espécie equina.

Sobre o Grupequi-Ufal

Esse ano o Grupequi completou 17 anos e consolidou sua atuação em ensino, pesquisa, extensão, inovação e assistência médico-veterinária. Reconhecido como Programa Institucional da Universidade Federal de Alagoas, com gerenciamento administrativo-financeiro pela Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes), o grupo desenvolve atividades voltadas à Medicina Equina, à Saúde Única, às terapias integrativas, à formação de recursos humanos e à interação com o setor produtivo.

A organização do 20° Fórum de Gastroenterologia Equina é mais um marco dessa trajetória e demonstra a capacidade das universidades federais do Nordeste de liderar iniciativas científicas de alcance nacional e internacional, mobilizando especialistas, instituições acadêmicas e empresas em torno do conhecimento e da inovação.

"Nosso maior legado não está apenas nos números do evento, mas na continuidade do conhecimento, na valorização daqueles que abriram os caminhos e nas oportunidades oferecidas aos jovens médicos-veterinários. O Grupequi e a Ufal demonstraram que ciência de qualidade, compromisso institucional e trabalho coletivo são capazes de transformar realidades", ressaltou o professor Pierre Escodro.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável