Adriana Torres defende memorial e se torna professora titular da Ufal
Docente relembrou sua trajetória de mais 30 anos de vínculo à Universidade
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Inspirada pela autora Virginia Woolf, que dizia que “Somos as palavras; somos os livros; somos feitos do mesmo tecido de que são feitos os sonhos”, a professora Maria Adriana Torres, da Faculdade de Serviço Social (FSSO) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), defendeu seu memorial para a Classe de Professora Titular da Carreira do Magistério Superior.
Realizada no dia 29 de maio, no auditório do Consuni, no Campus A.C. Simões, a apresentação intitulada “Memórias Entrelaçadas: Vida, Obras e Universidade” percorreu toda a trajetória da professora, desde sua infância, na cidade de Palmeira dos Índios, interior de Alagoas, até o momento atual, em que ocupa o cargo de vice-diretora da FSSO.
A banca avaliadora foi formada pela professora da Ufal Rosa Lúcia Prédes Trindade e por membros externos: a professora Laudirege Fernandes Lima, da e o professor doutor Cristiano César Gomes da Silva, da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), e a professora Mara Cristina Ribeiro, da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal).
Repleta de emoção, a cerimônia reuniu colegas de trabalho, alunos e familiares, que acompanharam a apresentação, que durou pouco mais de uma hora e conquistou nota máxima em todos os critérios de avaliação. Com seu vínculo à Ufal iniciado em 1996, ainda como graduanda, agora possui oficialmente o grau máximo da docência e se tornou a docente mais jovem, aos 53 anos, a conquistar o título na FSSO.
Emocionada, Adriana disse que o memorial torna pública toda uma trajetória profissional, pessoal e acadêmica e que seu trabalho não foi apenas uma etapa a ser cumprida na carreira, mas também uma forma de inspirar colegas e estudantes que possam ver em sua trajetória uma motivação.
“Produzir esse material foi um momento muito contemplativo, porque, quando olhei para trás, vi o quanto foi produzido. Eu vejo que me envolvi em tantas atividades da universidade que não senti tanto o peso do trabalho. Sentia mais satisfação naquilo que estava fazendo. Foi um momento ímpar, porque histórias como a minha, e como tantas outras, são importantes de serem divulgadas para encorajar pessoas”, reforçou.
Para ela, além de tudo, a construção do trabalho foi algo muito peculiar, já que narra não apenas a sua própria história, mas também uma conquista que faz parte da vida de tantas outras pessoas, discentes e docentes desta universidade.
“É uma história de muita luta, de uma pessoa guerreira que vem do interior do estado de Alagoas com o propósito de estudar em uma universidade pública. E, a partir dessa formação, poder percorrer um caminho que se entrelaça com outros tantos caminhos e com outras tantas pessoas, por meio do ensino, da pesquisa, da extensão e da gestão”, disse.
Uma vida dedicada à educação
Quando ingressou na Universidade, há 30 anos, Adriana encarou a máxima que aprendeu desde cedo: estudar é um privilégio para poucos. Estudante de escola pública, veio do interior para a capital apenas com seu sonho de estudar e viu no curso de Serviço Social da Ufal a transformação de sua realidade.
Ainda como graduanda, já integrou as oportunidades que a Universidade proporciona. Foi monitora, extensionista e pesquisadora, e foi por causa das políticas públicas de incentivo aos estudantes que conseguiu permanecer.
“A universidade foi um espaço de muitas oportunidades, mas também de muitas dificuldades. Fui bolsista, e foi a bolsa que me proporcionou condições básicas para sobreviver, resistir e permanecer na universidade, que era o meu objetivo central”, relembrou.
Em 2003, tornou-se mestra pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Nesse mesmo ano, voltou à Ufal para lecionar pela primeira vez como professora substituta. Em 2009, conquistou o título de doutora em Sociologia e passou em primeiro lugar no concurso público para professora da Universidade. Para ela, o ato de repassar o que aprendeu à sua instituição-mãe sempre foi uma forma de devolver o que adquiriu ali.
“A universidade somou muito à minha vida e abriu muitas portas. Eu pude abraçar oportunidades, me formar e também contribuir com esta instituição onde estou hoje. A educação, para mim, tem um horizonte muito maior. Ela nos projeta para fora da universidade e nos permite construir um conhecimento que beneficia toda a sociedade. Vejo isso como uma forma de devolver um pouco do que a universidade me proporcionou”, contou.
E assim fez. Nesses 23 anos de vínculo com a universidade, nas duas modalidades, Adriana dedicou sua atuação aos fundamentos da Universidade Pública: ensino, pesquisa e extensão. No ensino, além de professora da graduação, atuou como docente no Programa de Pós-Graduação, vice-coordenadora do curso de Especialização, coordenadora de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), supervisora acadêmica de campo de estágio, orientadora de monitoria e coordenadora de Projetos de Iniciação Científica (Pibic).
Na pesquisa e na extensão, desenvolveu palestras, minicursos e debates, orientou estudantes no desenvolvimento de trabalhos acadêmicos e sempre focou no incentivo à educação transformadora. “Dediquei-me ao estudo de temas socialmente sensíveis e de elevada relevância, não apenas para a comunidade universitária, mas também para a sociedade em seu conjunto”, destacou.
Além disso, desde 2007 escreve livros, desenvolve capítulos, participa de coletâneas e, em reconhecimento ao seu trabalho, também foi selecionada para fazer parte da Academia Palmeirense de Letras, Ciências e Artes (Apalca) e da Academia de Letras e Artes do Nordeste (Alane). Em 2018, concluiu estágio pós-doutoral na Universidade de Salamanca (Usal), na Espanha, e segue produzindo e contribuindo para a educação do estado.
“A educação transforma vidas”
Mesmo conquistando o maior título da carreira docente, a trajetória de Adriana na Universidade está longe de ser concluída. Ao olhar para trás e refletir sobre aquela estudante que ingressou na Ufal há 30 anos cheia de sonhos afirmou, sem dúvidas, que sua história é um dos exemplos que comprovam que a educação transforma vidas.
“Hoje, ao alcançar a condição de Professora Titular, mantenho intacto o entusiasmo, a determinação e o compromisso daquela menina que, desde cedo, compreendia o valor da educação como instrumento de emancipação humana e de construção de oportunidades. Permaneço movida pela mesma crença na capacidade transformadora do conhecimento, pela defesa intransigente da universidade pública e pelo compromisso de continuar contribuindo para a formação de novas gerações, para o avanço da ciência e para a construção de uma sociedade socialmente referenciada pelos princípios da justiça, da democracia e dos direitos humanos”, finalizou.