Mudanças na socieconomia de AL é tema de tese para progressão docente

O estudo, desenvolvido pelo professor doutor em Economia, Cícero Péricles, faz também abordagem a quatro governos que marcaram a vida política de Alagoas no período de 2000 a 2025

Por Diana Monteiro - jornalista / Renner Boldrino - fotógrafo
- Atualizado em
Cícero Péricles na defesa da tese do concurso para professor titular da Ufal
Cícero Péricles na defesa da tese do concurso para professor titular da Ufal

O referenciado professor e economista Cícero Péricles de Carvalho marca mais uma vez a sua trajetória acadêmica trazendo uma importante colaboração local ao realizar um estudo que aborda as mudanças na socioeconomia do Estado. Autor dos livros  “Economia Popular – uma via de modernização de Alagoas” e “Formação Histórica de Alagoas”, ambos publicados pela Editora da Ufal (Edufal), a nova obra é dotada de cerca de 140 páginas distribuídas em cinco capítulos, construída no formato livro, compondo a tese do concurso para professor titular, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), defendida no último dia 12 de junho.

Denominada de “Mudanças na socioeconomia de Alagoas (2000-2025)”, Cícero diz que, assim como as duas anteriores, a nova obra busca trazer uma visão geral para o leitor não especializado. Destaca que o objetivo é dialogar com um público formado por dois grupos de leitores: os estudantes dos primeiros anos dos cursos de graduação nas áreas das ciências sociais e humanas e os interessados na temática regional, aqueles que querem conhecer um pouco mais da realidade alagoana.

“O trabalho elaborado é uma tentativa de compreender, nos planos econômico e social, as mudanças ocorridas em Alagoas ao longo dos últimos 25 anos. Como professor de economia na Ufal e, eventualmente, comentarista de temas econômicos, acumulei informações, análises e reflexões sobre determinados fenômenos econômicos que tiveram impactos diretos na vida social e política do estado. A oportunidade de sistematizar esse material surgiu com o concurso para professor titular da Ufal. Reuni minhas análises, atualizei os dados e reformulei parte das interpretações para escrever a tese e apresentá-la no concurso, cujo processo exige a apresentação de um trabalho inédito a uma banca formada por professores titulares”, destaca.

Doutor em Economia, Cícero Péricles é professor de economia regional e alagoana na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (Feac) e também pertence ao corpo docente do Programa de Pós-graduação em Geografia do Instituto de Geografia Desenvolvimento e Meio Ambiente (Igdema), unidades acadêmicas do Campus A.C. Simões, em Maceió. Ele pontua que, um capítulo do livro é dedicado aos quatro governos que marcaram a vida política de Alagoas entre 2000 e 2025: Ronaldo Lessa, Teotônio Vilela, Renan Filho e Paulo Dantas.  A obra traz também, após a introdução, um capítulo sobre as mudanças sociais desse período. Aproveita para explicar:

“Os dois capítulos seguintes tratam da economia alagoana: o primeiro analisa o cenário urbano, enquanto o segundo trata da economia rural. Ao final, apresento um pequeno texto de conclusão, sintetizando as principais reflexões. Acredito que o resultado é um trabalho de leitura acessível que, espero, possa contribuir para a compreensão das mudanças recentes de Alagoas. O trabalho está sendo adaptado para o formato livro, destinado ao mesmo público dos dois livros já publicados pela Edufal”, afirma.

Conquistas e desafios

O pesquisador acrescenta que a ideia central da obra é de que a realidade alagoana mudou muito fortemente nas duas últimas décadas, graças as conquistas definidas na Constituição de 1988 e implementadas por meio de políticas públicas dos governos federais e estaduais alinhados com esse projeto. Nesse período, a ampliação da rede de proteção social, os programas de transferência de renda, as políticas de universalização da educação básica e da saúde pública, somados aos programas de desenvolvimento econômico, contribuíram para modificar significativamente a realidade do estado.

“Houve avanços importantes na redução da pobreza e da miséria, ao mesmo tempo em que foram criadas condições para a retomada do crescimento econômico e a obtenção de taxas positivas de expansão da atividade produtiva. Recentemente, foi divulgado o Relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos estados brasileiros. Alagoas apresentou avanços, mas continuou na penúltima posição no ranking”, diz.

Sobre as razões para a realidade apresentada, o professor aproveita para dizer que há um conjunto de fatores históricos que, ao longo dos anos, limitaram a capacidade de Alagoas de evoluir mais rapidamente nos indicadores sociais e econômicos: “O legado final deixado pelo período do regime militar, entre 1964 e 1985, foi particularmente negativo para o estado, como aponta o Relatório realizado pela Secretaria de Planejamento, de 1987. Nos anos 1990, mesmo após a promulgação da Constituição, Alagoas teve sucessivos governos estaduais sem identidade com as propostas econômicas e sociais previstas na nova ordem constitucional. Além disso, a grave crise financeira e administrativa, que atingiu o Estado em 1997, teve efeitos duradouros”.

Cícero complementa dizendo que o acordo de renegociação da dívida estadual com a União, assinada no ano seguinte, restringiu fortemente a capacidade de investimentos e atuação do poder público por quase duas décadas. “Para completar, temos as dificuldades econômicas enfrentadas ao longo dos quatro governos analisados. Nesse período, Alagoas registrou cinco anos de crescimento negativo e oito anos de desempenho moderado, com taxas inferiores a 2% ao ano. Esse desempenho limitou a geração de emprego, renda e oportunidades, impedindo avanços mais acelerados nos indicadores, incluindo o IDH”, analisa.

Futuro da economia alagoana

Nos próximos anos, conforme o pesquisador, Alagoas deverá enfrentar uma nova etapa de mudanças. O modelo que tem sustentado parte importante do crescimento recente, fortemente apoiado nas políticas de proteção social e de transferência de renda, começa a apresentar sinais de esgotamento relativo. Mesmo que sejam incorporados ao sistema os cerca de 70 mil alagoanos que aguardam benefícios do INSS e os 30 mil da lista de espera do Programa Bolsa Família, o impacto econômico adicional tende a ser limitado.

“Os programas sociais continuam sendo fundamentais para a redução da pobreza e desigualdade social. O grande desafio agora é ampliar a capacidade produtiva do estado e criar novas fontes de crescimento. Isso passa pelo fortalecimento da agricultura de alimentos e matérias-primas, pela ampliação de modernização do setor industrial, especialmente das micro e pequenas empresas, e pelo desenvolvimento dos setores de comércio e serviços. A próxima agenda será a do desenvolvimento econômico, mantendo os avanços na área social”, destaca Cícero Péricles.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável