Ciência em ascensão: pesquisadores da Ufal avançam em bolsas do CNPq
Ações institucionais de apoio à pesquisa, à pós-graduação e à formação científica contribuem com índices de produtividade
A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) vem garantindo e aumentando sua presença no cenário científico nacional. Esse movimento pode ser observado no crescimento do número de docentes contemplados com bolsas de Produtividade em Pesquisa (PQ) e de Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além da progressão de pesquisadores da instituição para níveis mais elevados dessas bolsas.
De acordo com a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Iraildes Assunção, parte desse avanço está associada ao trabalho desenvolvido pela Propep, que mantém ações de apoio aos pesquisadores e de fortalecimento das condições para o desenvolvimento científico na Universidade. Entre as iniciativas estão oficinas, reuniões explicativas e acompanhamento das chamadas públicas do CNPq, com orientação para estruturação de projetos de pesquisa e adequação dos currículos Lattes aos critérios dos diferentes comitês de assessoramento.
A Propep também atua por meio de editais internos de fomento e infraestrutura, destinados à manutenção de laboratórios, aquisição de insumos e apoio a publicações científicas, além de investir nos programas de pós-graduação. A integração com a iniciação científica, a partir de programas como Pibic e Pibiti, e o incentivo à internacionalização e à formação de redes de pesquisa completam esse conjunto de estratégias.
O fortalecimento da pesquisa gera efeitos que ultrapassam os indicadores individuais dos pesquisadores. “O crescimento da lista de bolsistas PQ e a transição de pesquisadores para níveis mais elevados geram um efeito multiplicador. A presença de docentes de alta produtividade melhora as notas dos programas de pós-graduação junto à Capes, atrai financiamento de agências como a Finep e a Fapeal, e garante que problemas sociais, tecnológicos e ambientais do estado sejam investigados com o mais alto nível de rigor científico”, destacou Iraildes.
A recente atualização do CNPq registrou a progressão de pesquisadores da Ufal para categorias mais altas das bolsas de produtividade. Entre os docentes que alcançaram o nível PQ-1A estão Antônio Euzébio Goulart Santana, Carlos Jacinto da Silva e Gaus Silvestre de Andrade Lima.
“Alcançar o nível PQ-A do CNPq, o mais elevado da carreira de Bolsista de Produtividade em Pesquisa, representa um reconhecimento muito importante de uma trajetória construída ao longo de muitos anos de dedicação à pesquisa, à formação de estudantes e ao desenvolvimento de colaborações científicas”, afirmou Carlos Jacinto.
O professor destaca ainda que o resultado expressa o fortalecimento da pesquisa realizada na instituição. “Vejo esse reconhecimento não apenas como uma conquista pessoal, mas também como um reflexo do fortalecimento da pesquisa desenvolvida na Ufal e como um estímulo para continuarmos avançando na produção científica, na formação de recursos humanos e na consolidação de pesquisas de excelência”, completou.
Também no nível PQ-1A, Gaus Silvestre de Andrade Lima, professor titular da Ufal lotado no Campus de Engenharias e Ciências Agrárias (Ceca), desenvolve pesquisas na área de Agronomia, com foco em Fitopatologia, dedicada ao estudo das doenças das plantas.
“Essa conquista valoriza não apenas a produção acadêmica, mas também o compromisso contínuo com a formação de estudantes, a orientação de novos pesquisadores e o desenvolvimento de pesquisas relevantes focadas na Fitopatologia”, ressaltou.
Segundo Gaus, a bolsa amplia as condições para a continuidade dos projetos, a formação de pessoal qualificado e a busca por soluções para os desafios da agricultura. “Em uma área estratégica para o país, produzir conhecimento científico significa contribuir para sistemas produtivos mais eficientes, sustentáveis e capazes de responder às demandas da sociedade.”
Ciência sendo valorizada
A bolsa de Produtividade do CNPq representa um dos mais altos reconhecimentos da ciência brasileira. Ela é concedida a pesquisadores que se destacam pela liderança de projetos de excelência, capacidade de captação de recursos, orientação de mestres e doutores e publicação de artigos em periódicos de alto impacto internacional. A ascensão de nível (que varia de PQ-2 até o topo da carreira científica em PQ-1A) é reflexo direto do amadurecimento acadêmico e da relevância das pesquisas desenvolvidas nos campi alagoanos.
Nesse caminhos também estão os professores Cicero Tiarlos Nogueira Cruz, Eduardo Nobre Lages, Josué Carinhanha Caldas Santos, Márcio de Medeiros Ribeiro, Márcio Henrique Batista da Silva, Maurício Beltrão de Rossiter Corrêa, Nidia Noemi Fabré e Noelio Oliveira Dantas, que apareceram na lista do CNPq contemplados com bolsa do nível PQ-1B.
A professora Nidia, que desenvolve estudos sobre ecologia e recursos pesqueiros marinhos, comentou sobre a ascensão na carreira: “Essa conquista não é individual. Ela resulta de um trabalho coletivo, construído com estudantes, colegas e parceiros nacionais e internacionais que, ao longo dos anos, contribuíram para consolidar e ampliar nossas pesquisas”.
Nidia destacou a importância do Programa de Pós-graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos (PPG-Dibict/Ufal), onde pesquisas se transformam em dissertações, teses, publicações e contribuem para a formação de novas gerações de cientistas.
“Recebo essa bolsa não apenas como um reconhecimento da minha trajetória, mas também como um estímulo para continuar fazendo ciência, formando pessoas e produzindo conhecimento capaz de contribuir para o bem-estar da sociedade e para o manejo sustentável dos recursos pesqueiros”, disse, sobre a oportunidade de continuar suas pesquisas.
O projeto contemplado dá continuidade aos estudos realizados no âmbito do Peld Costa dos Corais, utilizando séries temporais de dados construídas ao longo de anos para investigar como a variabilidade ambiental e os eventos climáticos extremos interferem na conectividade ambiental marinha e na segurança alimentar de populações tradicionais.
Esse e ouros projetos da Ufal reconhecidos por suas qualidades científicas sinalizam um processo de amadurecimento da produção acadêmica da Ufal. “Com as diretrizes implementadas pela Propep e o empenho do corpo docente, a Ufal reafirma seu papel de liderança na produção de conhecimento no Nordeste, provando que o investimento em ciência e na qualificação dos pesquisadores traz retornos diretos para a sociedade”, concluiu Iraildes.