Alagoas em transformação: livro analisa 25 anos de mudanças na economia e na sociedade

O novo livro do professor Cícero Péricles de Carvalho, publicado pela Edufal, reúne dados econômicos e sociais de 2000 a 2025 e discute os avanços, limites e desafios

Por Ascom Ufal
Professor e economista Cícero Péricles de Carvalho (Foto: Renner Boldrino)
Professor e economista Cícero Péricles de Carvalho (Foto: Renner Boldrino)

As transformações vividas por Alagoas nas últimas duas décadas e meia são o foco do livro Alagoas: mudanças na economia e na sociedade (2000-2025). A obra do professor Cícero Péricles, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (Feac/Ufal) apresenta um balanço das principais mudanças ocorridas no estado entre os anos 2000 e 2025 e analisa como políticas sociais, alterações na estrutura econômica e novas dinâmicas urbanas e rurais modificaram a realidade alagoana.

O estudo parte de uma comparação com o cenário encontrado no início do século e busca situar Alagoas no contexto do Nordeste. Para isso, reúne informações de bases de dados, documentos oficiais, estudos acadêmicos, relatórios técnicos e outras fontes, utilizando tabelas e gráficos para acompanhar a evolução dos principais indicadores.

Um dos destaques da obra é a análise da melhoria dos indicadores sociais. O livro registra avanços em áreas como assistência social, educação básica, saúde pública, habitação e acesso à energia elétrica. Também aponta a redução da pobreza e da extrema pobreza e a elevação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), e ressalta que as desigualdades e limitações estruturais persistem.

Na economia, a obra identifica mudanças importantes na composição das atividades produtivas. O crescimento do comércio e dos serviços, a expansão do mercado interno, o fortalecimento do turismo, a interiorização de atividades econômicas e a diversificação industrial aparecem entre os fenômenos que marcaram o período. De acordo com os dados, a urbanização também avançou: A população urbana passou de 68% em 2000 para 80% em 2022.

“O livro mostra, entretanto, que o crescimento econômico não ocorreu de maneira homogênea. A expansão do emprego formal foi acompanhada pela concentração de postos de trabalho em atividades de menor remuneração e qualificação. Ao mesmo tempo, a participação da indústria na economia estadual diminuiu, enquanto comércio e serviços ganharam espaço”, ressaltou o autor Cícero Péricles.

Outro eixo da análise é a economia rural. O pesquisador contextualiza que a produção canavieira continua tendo papel relevante, mas a obra examina também a pecuária, a agricultura familiar, a reforma agrária e as experiências de diversificação produtiva. O estudo chama atenção para o potencial ainda não plenamente aproveitado do setor rural e para a necessidade de ampliar assistência técnica, inovação, organização dos produtores, comercialização e agroindustrialização.

“Ao olhar para o conjunto dessas mudanças, o livro apresenta uma interpretação que combina avanços sociais e desafios econômicos. A redução da pobreza e a ampliação das políticas públicas produziram efeitos importantes sobre o mercado interno, mas a economia estadual ainda mantém forte dependência de recursos públicos e enfrenta dificuldades para ampliar sua capacidade produtiva”, disse sobre as pesquisas que amparam o livro.

O cenário migratório também integra esse diagnóstico. Segundo dados analisados na obra, o Censo 2022 registrou cerca de 950 mil alagoanos vivendo fora do estado, evidenciando que as mudanças ocorridas entre 2000 e 2025 não foram suficientes para eliminar um dos fenômenos históricos da sociedade alagoana.

Na parte final, o livro discute as possibilidades de construção de um novo ciclo de desenvolvimento. A proposta passa pela combinação entre continuidade dos avanços sociais e fortalecimento da estrutura produtiva, com atenção à agropecuária, indústria, construção civil, comércio e serviços modernos. Educação, saúde, habitação, saneamento, transporte e infraestrutura social também aparecem como áreas estratégicas.

Para o professor Cícero, a obra oferece “um retrato amplo do Estado em um período de profundas transformações. Ao reunir indicadores econômicos e sociais e relacioná-los às mudanças nas políticas públicas e na estrutura produtiva, a obra contribui para compreender o contemporâneo e os desafios colocados para os próximos anos”.

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