Docente aposentada encontra no Dragon Boat uma nova forma de se cuidar
Após décadas dedicadas à educação, Rita Namé descobriu na canoagem rosa um caminho de saúde, socialização e superação
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A aposentadoria não significou parar. Para Rita Namé, professora titular aposentada da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) o encerramento da carreira acadêmica abriu espaço para novas experiências, desafios e descobertas. Entre elas está o Dragon Boat, modalidade de canoagem praticada em equipe que, para mulheres que, como ela, passaram pelo câncer de mama, também representa um importante instrumento de socialização, atividade física e ressignificação da vida.
Em 2026, essa nova etapa levou Rita até Annecy, na França, onde participou do Festival Mundial de Dragon Boat. Ao lado das companheiras da equipe Lisa Flor de Canoagem Rosa, de Maceió, ela viveu a experiência de remar com atletas de 39 países e cerca de 4.500 participantes.
“Foi uma experiência ímpar, maravilhosa, 39 países e 4.500 atletas da canoagem rosa vibrando e remando nas águas dos Alpes franceses”, relembrou Namé.
A participação internacional teve ainda um resultado especial: a equipe conquistou o segundo melhor tempo nos 200 metros. Para Rita, porém, a conquista foi apenas parte de uma experiência marcada pela superação, pelo encontro com outras mulheres e pela oportunidade de representar o Estado e o país.
Uma trajetória dedicada à educação e às artes
Antes de chegar às águas, Rita Namé construiu uma trajetória profissional ligada à educação, à música e às artes na Ufal. Durante sua atuação na Universidade, foi diretora da Escola Técnica de Artes (ETA) e coordenadora do curso de Licenciatura em Música. Na direção da ETA, participou da implementação de cursos técnicos e tecnológicos nas áreas de Música, Dança, Teatro e Produção de Moda, contribuindo para ampliar as possibilidades de formação profissional no campo das artes.
Aposentada como professora titular, Rita iniciou uma nova fase da vida sem se afastar da busca por conhecimento, convivência e novos projetos. Foi nesse contexto que a canoagem entrou em sua rotina.
O encontro
Em 2019, após o tratamento do câncer de mama, Rita conheceu a equipe Lisa Flor de Canoagem Rosa, criada pela educadora física e fisioterapeuta Danielle Dantas, em Maceió. O Projeto Lisa Flor foi criado em 13 de abril de 2019 e integrado ao Clube João Tomasini. A equipe se tornou a primeira formação de remadoras rosa em Dragon Boat do Nordeste do Brasil.
A proposta reúne mulheres que passaram pelo câncer de mama e encontram no esporte uma possibilidade de fortalecer a saúde, estabelecer novas relações e construir uma nova relação com o próprio corpo. Para Rita, a chegada à equipe representou uma mudança importante: “O esporte representa hoje uma mudança radical na qualidade de vida e no convívio com outras pessoas”, afirma.
Segundo ela, a prática trouxe benefícios tanto físicos quanto emocionais. “A qualidade de vida melhorou quanto ao corpo e à mente, pois adquiri mais vitalidade e saúde”, conta.
Remar juntas para superar desafios
O Dragon Boat é uma modalidade coletiva. As remadoras precisam atuar de maneira sincronizada, o que faz da cooperação um elemento essencial para o desempenho da equipe. Para Rita, essa característica também se reflete na convivência fora da água. “Nosso convívio é fundamental. O acolhimento e os laços de respeito construíram nossa amizade. É muito bom”, destaca.
A possibilidade de competir ao lado de mulheres que também enfrentaram o câncer de mama torna a experiência ainda mais significativa. “Foi maravilhosa, pela força e superação que o esporte nos incentiva e principalmente pela ressignificação da vida”, relata.
A remadora acredita que a experiência pode inspirar outras mulheres que estejam atravessando momentos difíceis. “Há sempre um lugar e um espaço para a reinvenção da vida. Seguimos em frente procurando melhorar sempre’”, afirmou.
Annecy: Alagoas e Brasil nas águas dos Alpes
A participação no Festival Mundial de Dragon Boat, em Annecy, foi resultado de esforço coletivo. De acordo com Rita, a equipe não contou com apoio institucional para a viagem e precisou recorrer ao apoio das famílias e ao sacrifício pessoal das atletas para conseguir participar. “Significa acreditar no esporte e lutar por apoio estadual para esportes aquáticos num Estado rodeado por mar e lagoas”, afirma.
Mesmo diante das dificuldades, as atletas seguiram adiante. E a viagem trouxe um resultado que ficou marcado na memória de Rita: o segundo melhor tempo nos 200 metros. “O momento em que descobrimos que fizemos o segundo melhor tempo nos 200 metros”, recorda, ao apontar o instante mais marcante da competição.
As cerimônias de abertura e encerramento também emocionaram a atleta. Ver as bandeiras dos países participantes e estar entre mulheres de diferentes partes do mundo, representando o Brasil, tornou a experiência ainda mais especial. “Muita alegria e o sentimento de que valeu a pena”, resumiu.
Aposentadoria como começo de novos caminhos
Para Rita, a aposentadoria não representa redução das possibilidades, mas a abertura de novos espaços. Conciliar a nova rotina com treinos e preparação para competições exige, segundo ela, “disciplina, compromisso e dedicação”.
A experiência no Dragon Boat também ampliou seus horizontes. Além dos benefícios para a saúde física e mental, o esporte proporcionou novas amizades e a oportunidade de conhecer diferentes lugares: “Trouxe força vital, saúde física e mental, socialização e oportunidade de conhecer muitos lugares e pessoas”, afirma.
A mensagem também vale para quem encara a aposentadoria como o momento de diminuir o ritmo ou interromper a busca por novas experiências. “A aposentadoria abre novos espaços para a vida. A questão é escolher o melhor para cada pessoa”, afirmou.
Novos desafios pela frente
A participação em Annecy não encerrou a trajetória internacional da equipe. Rita já tem novos desafios no horizonte.
Em dezembro, as remadoras devem participar do Remo de Ouro, em Paulo Afonso. Em março de 2027, está previsto o Pan-Americano, em Salvador, na Bahia. E, para daqui a quatro anos, a meta é participar novamente do Festival Mundial de Dragon Boat, que será realizado em Singapura.
“Vamos nos preparar”, afirma Rita. A frase traduz a disposição de quem, depois de uma longa trajetória dedicada à universidade, descobriu que ainda havia muitas experiências pela frente.