Pesquisa brasileira sobre IA e Inclusão Educacional é destaque em evento da Unesco

Estudo pioneiro desenvolvido com participação de professor da Ufal apresenta a abordagem da “IA  Desplugada”, projetando o  Brasil e a América Latina como polos globais de inovação tecnológica e  equidade

Por Ascom Ufal com IA.Edu
- Atualizado em
Da esquerda para a direita: Päivi Leppänen, Antti Peltoniemi, Ig Ibert Bittencourt e Thomaz Edson Veloso Silva durante painel da Semana da Aprendizagem Digital 2026. Foto: Divulgação/IA.Edu
Da esquerda para a direita: Päivi Leppänen, Antti Peltoniemi, Ig Ibert Bittencourt e Thomaz Edson Veloso Silva durante painel da Semana da Aprendizagem Digital 2026. Foto: Divulgação/IA.Edu

Enquanto o avanço acelerado da inteligência artificial redefine os rumos da educação nos países desenvolvidos, a realidade estrutural da maioria das salas de aula do Sul Global impõe desafios profundos de infraestrutura e conectividade. Para responder a esse abismo digital, o professor da Ufal Ig Ibert Bittencourt, junto com pesquisadores e lideranças brasileiras participaram de atividades durante a Semana da Aprendizagem Digital 2026.

O evento é a principal conferência global de educação digital da Unesco e foi realizado entre os dias 8 e 11 de setembro, na sede da organização em Paris. Eles apresentaram o apresentaram o estudo internacional IA Desplugada na Educação: Práticas, desafios e caminhos a seguir no Sul Global e integraram painéis estratégicos na conferência.

A presença da alta gestão da Cátedra e do Instituto IA.Edu teve destaque em múltiplos espaços do evento de nível internacional. Além da apresentação do estudo conduzida pela pesquisadora e diretora de operações Marcela Lorenzoni R. Rabin na sessão paralela temática do dia 9 de setembro, a liderança da instituição marcou presença nas principais discussões do encontro. O titular da Cátedra Unesco, Ig Ibert Bittencourt, e o cofundador Thomaz Espósito atuaram como palestrantes em painéis e reuniões de trabalho estratégicas com o secretariado da Unesco, liderando debates sobre o desenvolvimento de diretrizes de governança, frameworks globais e mecanismos de cooperação internacional em tecnologia educacional. A articulação científica do ecossistema conta ainda com o professor Seiji Isotani, docente da Universidade de São Paulo, pesquisador visitante na Universidade de Harvard e atual presidente da Sociedade Internacional de Inteligência Artificial na Educação, ao lado dos pesquisadores Rafael Ferreira Mello e César Collazos.

As estimativas apresentadas revelam um cenário urgente: Sem mudanças estruturais profundas, países de baixa renda levarão cerca de 50 anos para alcançar os níveis de acesso às tecnologias digitais das nações mais ricas. “Quando analisado o desenvolvimento de competências e habilidades digitais, o prazo salta para 75 anos, o que significa que o nivelamento com os países desenvolvidos só ocorreria após o ano de 2100”, destacam os pesquisadores. No Brasil, onde o conceito de IA Desplugada foi formulado e testado inicialmente, apenas 44% das escolas possuem acesso adequado à internet para fins pedagógicos, a média é de 29 estudantes por computador — distante da recomendação de dez alunos por dispositivo da Unesco — e apenas 8% dos professores incorporam tecnologias de forma contínua em suas práticas cotidianas.

Desenvolvida sob o guarda-chuva da Cátedra Unesco/Unitwin em IA Desplugada na Educação e pelo Instituto IA.Edu, a abordagem estabelece que a tecnologia para países emergentes deve considerar a escassez de recursos desde a sua concepção, e não como um improviso posterior. O modelo  fundamenta-se em cinco pilares arquiteturais e pedagógicos: A conformidade  com a infraestrutura e práticas já existentes; a desconexão ou prioridade desconectada, permitindo funcionamento pleno sem internet contínua; a presença de um intermediário, como o professor, para cenários sem dispositivos  individuais; a capacidade multiusuário em computadores compartilhados sem necessidade de logins pessoais; e a baixa complexidade de uso, exigindo apenas letramento digital básico de professores e alunos.

“Na prática, essa  metodologia viabilizou no Brasil tutores inteligentes de matemática capazes de  processar cálculos sem conexão e ferramentas de apoio à escrita mediadas por docentes que já impactam mais de cem mil estudantes na rede pública”, reforçam os pesquisadores.

A participação ativa do professor da Ufal Ig Ibert Bittencourt e Thomaz Espósito estendeu-se aos laboratórios de estratégia e sessões com especialistas internacionais, como Sal Khan, o professor Wayne Holmes e o professor Dan Wagner. Nesses encontros, a alta gestão brasileira defendeu que o impacto educacional real não vem de soluções padronizadas em larga escala impostas de fora para dentro, mas de tecnologias desenvolvidas com rigor científico a partir dos contextos locais. Ig Ibert Bittencourt e Thomaz Espósito também participaram de reuniões do Grupo Temático de Cátedras Unesco em IA e Educação e nas redes de colaboração Unitwin, fortalecendo o posicionamento do Brasil na formulação de políticas globais para o uso ético e inclusivo da IA na aprendizagem.

 

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