Professor encontra na pesca esportiva uma forma de aliviar o estresse
Willian Melo adotou a pesca como forma de entrar em com a natureza e melhorar o convívio social
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A pesca amadora é o segundo esporte mais praticado no Brasil, perdendo apenas para o futebol em números absolutos. De acordo com levantamento realizado pelo Banco Mundial, a prática movimenta aproximadamente US$190 bilhões por ano e, somente no Brasil, o Ministério da Pesca e Aquicultura estima a existência de 25 milhões de pescadores amadores. O professor Willian Melo, coordenador do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é um deles. Praticante do esporte, o docente encontrou na atividade uma forma de desestressar e se reconectar com a natureza.
O interesse pela pesca teve início na infância e foi crescendo pela necessidade de ter um momento longe da rotina da docência e das tarefas administrativas. “Desenvolvi o gosto pela pesca com meu pai, que adorava pescar com tarrafa e rede. Comecei a acompanhá-lo nas pescas no interior de Pernambuco, onde morava, e aí comecei a pescar com vara de bambu”, explicou. O professor relembra que os primeiros peixes que conseguiu pescar foram piabinhas (lambari), caritos, zebus e traíras. “A experiência de pegar meu primeiro peixe foi extasiante, lembro até hoje”, complementou.
Para Willian, o principal benefício da pesca é desligar do mundo e dos problemas. A prática o ajuda a reduzir a ansiedade porque combina a concentração, o silêncio e o contato com a natureza. De acordo com um estudo publicado em 2025 na revista Leisure Sciences, um dos principais periódicos dedicados a pesquisas sobre lazer, hobbies, recreação e turismo, pescadores ativos tem uma probabilidade 52% menor de experienciar sofrimentos psicológicos de moderados a graves.
Uma prática, inúmeros benefícios
Muitas variáveis explicam os benefícios da pesca esportiva. O aumento da capacidade de lidar com frustrações e tédio e o desenvolvimento da paciência está ligado aos longos períodos de espera e silêncio. A prática também trabalha a atenção e concentração pela necessidade de perceber pequenas mudanças no ambiente que podem alterar a movimentação dos peixes. O momento de fisgar trabalha a agilidade e afeta positivamente o senso de realização pessoal e a autoestima. Além disso, a coordenação motora fina é estimulada a durante o manuseio dos equipamentos e no momento de trabalhar iscas artificiais.
Willian também pontua que a atividade fortaleceu laços de amizade e o ajudou a conhecer novas pessoas. “Você fica rodeado de amigos, tem boas conversas e até o silêncio é um silêncio confortável e saudável, não tem como não amar”, avaliou. Para ele, o desafio de fisgar o peixe, o contato com a natureza e as viagens que passou a realizar com os amigos de pesca melhoraram a qualidade de vida.
“E como nem sempre sai peixe, muitas vezes o que sobra é o momento, que costuma sempre ser incrível”, afirmou.
Lembranças e conselhos
Ao ser perguntado sobre o peixe mais especial que pescou, o professor falou sobre duas experiências recentes. “Além do primeiro peixe que pesquei quando criança, duas pescas me marcaram muito: uma mega traíra, depois de passar uma tarde inteira sem pegar nada, e o meu maior robalo, que peguei da forma mais espontânea possível”, relembrou. “Eu pensei até que tinha dado um engancho na isca em algum galho, mas na verdade era um peixão”, complementou.
O professor disse que os dias de pesca têm rendido excelentes memórias. “Alguns passeios que passamos o dia inteiro sem conexão alguma, descendo rios e lagoas em Jequiá da Praia, rendem momentos excelentes. São dias lindos, com uma paisagem incrível. Todo mundo no barco torce e vibra um pelo outro. É um senso de comunidade e de conexão que acabamos perdendo com a correria do dia a dia”.
Sobre quem quer iniciar na pesca esportiva, o professor aconselha: “Eu acho que a pesca não é de fato pra todo mundo, mas para saber se ela é ou é não um hobby, você precisa tentar fisgar, pelo menos, um peixinho… Se a emoção bater, você achou o melhor hobby do mundo”, explicou.
“Se você gostar, apenas comece. Compre uma varinha boa, boas iscas (artificias ou naturais, chame bons amigos, tendo, de preferência, ao menos um que já tenha pescado e leve boas comidas e bebidas. Não leve estresse de trabalho, de vida, e persista, certeza que um peixinho vai aparecer”, finalizou.
Esporte exige licença e atenção às boas práticas
A prática da pesca esportiva deve ser realizada de forma consciente e responsável, sempre respeitando o meio ambiente e os animais. É importante preservar os rios, lagos e áreas de pesca, evitando o descarte de lixo e materiais de pesca na natureza. Além disso, é necessário respeitar o período de reprodução das espécies, seguir as regras de tamanho e quantidade de captura e, quando praticada a pesca com soltura, manusear o peixe com cuidado para reduzir os danos.
Se você tem interesse de iniciar na pesca esportiva, é necessário solicitar a Licença de Pescador Amador ou Esportivo, emitida pelo Ministério da Pesca e da Aquicultura. O processo é feito totalmente on-line. Uma vez licenciado, o pescador poderá pescar em qualquer região do país, salvo locais protegidos por norma federal, estadual ou municipal.
A categoria desembarcada possui um custo de R$ 20,00 e a embarcada possui um custo de R$ 60,00, as opções poderão ser pagas por PIX, Cartão de Crédito e Boleto. A licença definitiva é emitida em até três dias após o envio da solicitação.