Filhinhos da Mamãe celebra memória e diversidade no carnaval 2026

Bloco homenageia a atriz Linda Mascarenhas e reforça o carnaval como espaço de resistência, encontro e transformação cultural

Por Weruska Omena – estudante de Relações Públicas
- Atualizado em
Saída do bloco será na próxima sexta (6), às 19h
Saída do bloco será na próxima sexta (6), às 19h

O Museu Theo Brandão de Antropologia e Folclore (MTB) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) no Centro de Maceió, realiza na próxima sexta-feira (6), às 19h, mais uma edição do tradicional Bloco Filhinhos da Mamãe. Com o tema: “A vida é um drama corrente nas nuvens do universo”, o evento reafirma o carnaval como espaço simbólico de resistência, encontro e transformação da memória artística e da diversidade geracional que atravessa o carnaval alagoano.

Criado em 1983 por artistas ligados à Associação Teatral das Alagoas (ATA) e à cena cultural maceioense, o Filhinhos da Mamãe consolidou-se como um dos mais emblemáticos movimentos do carnaval de rua em Maceió. Ao longo de mais de quatro décadas, o bloco mantém viva a proposta de unir arte, teatro e cultura popular, transformando as ruas em palco de celebração coletiva.

A proposta desta edição parte da ideia de que a vida, assim como o carnaval, não se encerra, mas se reinventa. Entre o novo e o antigo, crianças, jovens, adultos e idosos se reconhecem como parte viva de uma mesma narrativa coletiva, costurada pela arte, pela música e pela tradição.

Para a museóloga e diretora do MTB, Hildênia Oliveira, o Filhinhos da Mamãe já se consolidou como um dos festejos mais tradicionais do carnaval alagoano. “O bloco Filhinhos da Mamãe, é sem dúvidas, um ícone referencial do carnaval alagoano; é destinado a todos os públicos e, sobretudo, é um espaço de posicionamento político reforçado pelo seu papel de celebração identitária e crítica social, conectando carnaval, arte e memória coletiva”, destaca.

Programação cultural diversa

A programação reúne diferentes expressões da cultura popular e da música, promovendo um diálogo entre ritmos, corpos e sonoridades. Estão confirmadas as apresentações do DJ Voltex, do Maracatu Yá Dandara, do show de passistas de frevo e da Orquestra Santa Cecília, fortalecendo a valorização de manifestações que integram o patrimônio cultural de Alagoas.

O encontro entre diferentes linguagens artísticas reafirma o caráter inclusivo do bloco, historicamente reconhecido por acolher públicos diversos e incentivar a participação popular como elemento central da experiência carnavalesca e o melhor, o evento é totalmente gratuito.

Homenagem à Dama do Teatro Alagoano

Um dos momentos mais simbólicos do evento será a tradicional Fantasia da Mamãe, que em 2026 presta homenagem à atriz Linda Mascarenhas, reconhecida como a grande Dama do Teatro Alagoano. A homenagem inclui a apresentação de um estandarte comemorativo alusivo aos 70 anos da Associação Teatral das Alagoas (ATA), entidade fundamental para a história e o fortalecimento das artes cênicas no estado.

A escolha de Linda Mascarenhas como figura central da fantasia reforça o compromisso do Filhinhos da Mamãe com a preservação da memória artística e com o reconhecimento de trajetórias que contribuíram de forma decisiva para o desenvolvimento cultural de Alagoas. Sua atuação no teatro alagoano está diretamente relacionada à formação de grupos e movimentos que ajudaram a consolidar o carnaval de rua como espaço de expressão cultural e engajamento social.

Reconhecimento e participação popular

Durante a programação, será realizada a entrega da Comenda do Mérito Artístico – Confete de Cetim, destinada a personalidades que se destacam por sua contribuição à arte e à cultura. O evento também contará com o tradicional Concurso de Fantasias Folião Pedro Tarzan, que premiará o vencedor com o troféu Maracá de Lata, símbolo da criatividade e da irreverência carnavalesca e a apresentação teatral Estrela Radiosa.

Essas ações reforçam o caráter participativo do Filhinhos da Mamãe, que, desde sua origem, valoriza o protagonismo do público e o carnaval como experiência coletiva de criação artística.

Carnaval como patrimônio vivo

Mais do que uma festa, o Filhinhos da Mamãe se consolida como um ato cultural que reafirma o carnaval enquanto patrimônio imaterial, espaço de memória, identidade e expressão coletiva. Nascido da inquietação de artistas que buscavam fortalecer o carnaval de rua em Maceió, o bloco tornou-se referência por integrar teatralidade, crítica social e celebração popular.

Ao unir gerações, linguagens artísticas e homenagens simbólicas, o evento mantém viva a tradição carnavalesca e fortalece o diálogo entre passado, presente e futuro da cultura alagoana. O Filhinhos da Mamãe segue, assim, como um dos importantes movimentos culturais do calendário carnavalesco, celebrando a arte como força transformadora e a memória como elemento essencial da vida social.

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