Ufal promove Trilha Trans para fortalecer acolhimento e combater a transfobia institucional

Formação reuniu gestores e equipes das pró-reitorias para discutir políticas afirmativas e construir uma universidade mais inclusiva

Por Ryan Charles - estudante de Jornalismo
Gestores e equipes de pró-reitorias se reuniram para preparar os setores institucionais para receber e acolher pessoas trans
Gestores e equipes de pró-reitorias se reuniram para preparar os setores institucionais para receber e acolher pessoas trans

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) realizou, no último dia 22 de outubro, o primeiro encontro da Trilha Trans, iniciativa voltada à formação de gestores e servidores para o acolhimento da população trans e o enfrentamento da transfobia institucional. A atividade aconteceu na sala dos Conselhos Superiores, no Campus A.C. Simões, em Maceió, e foi promovida pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em História, Gênero e Sexualidade (GEPHGS), com apoio da Pró-reitoria de Gestão de Pessoas e do Trabalho (Progep).

A formação foi conduzida por integrantes do grupo Enzo Gael, Céuva Câmara, Isaac Victor, Malê Feijó e Deysa Maria, sob coordenação do professor Elias Veras. Entre os assuntos abordados estiveram a contextualização da sigla LGBTQIA+, as políticas de afirmação trans e a reflexão sobre qual universidade se deseja construir. O encontro também contou com um momento de conversa coletiva, destinado ao esclarecimento de dúvidas e à troca de experiências entre os participantes.

A atividade reuniu representantes da gestão universitária, entre eles o pró-reitor da Progep, Wellington Pereira; o pró-reitor de Gestão Institucional (Proginst), Edson Lima; a pró-reitora de Graduação (Prograd), Eliane Barbosa da Silva; o coordenador de Cursos de Graduação (CCG), Vinícius Manzoni Vieira; e o coordenador da Coordenadoria de Desenvolvimento de Pessoas (CDP), Leandro Gonçalves, além de equipes técnicas e gestores das pró-reitorias.

De acordo com o coordenador da CDP, Leandro Gonçalves, a Trilha Trans surgiu a partir de uma solicitação do Gabinete da Reitoria à Progep, para a organização de uma formação conjunta com o professor Elias Veras. "Percebemos ser muito importante esse diálogo, essa construção coletiva das informações junto a todas as pró-reitorias e assim organizamos esse momento junto a todos os pró-reitores, pró-reitoras e suas equipes de técnicos e gestores, para que pudesse ser contemplado um diálogo aberto junto a eles", explicou.

Para o professor Elias Veras, coordenador do GEPHGS, um dos principais aspectos da iniciativa é o protagonismo das próprias pessoas trans na condução da formação. “A atividade demonstra o compromisso da Universidade com a construção de um ambiente plural, diverso e inclusivo, que não se limite à ampliação das oportunidades de ingresso, mas também assegure condições de permanência”, destacou.

O professor também defendeu que a Trilha Trans seja o ponto de partida para outras ações institucionais. "Espero que essa possa ser a primeira de várias outras atividades que também compõem o compromisso da universidade, não só com a entrada das pessoas trans através das cotas, seja na graduação, seja na pós-graduação, mas sobretudo na permanência. Então, que ações como essa se tornem políticas institucionais permanentes da Ufal", afirmou.

Egressa do curso de Administração Pública da Ufal e integrante do grupo responsável pela formação, Deysa Maria, destacou que a iniciativa busca preparar os setores institucionais para receber e acolher pessoas trans, evitando a reprodução de violências que essa população já enfrenta na sociedade.

"Hoje, a gente começou essa formação, essa capacitação com a porta de entrada da universidade, que são as pró-reitorias, quem recebe os corpos trans que estão por vir nessa universidade e que aqui já estão. O objetivo fundamental e primordial dessa trilha de capacitação é que a universidade não reproduza uma violência que a gente já sofre na sociedade", afirmou.

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