Ufal é aprovada em redes de pesquisa que ampliam a internacionalização da pós
Por meio do edital Capes-Global, a Ufal vai ter acesso a laboratórios de excelência no exterior e recursos para capacitação internacional de técnicos e docentes
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A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) teve aprovação preliminar em duas redes do Edital nº 13/2025 – Capes-Global.edu, iniciativa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) voltada a fomentar redes de cooperação internacional entre instituições brasileiras de diferentes regiões e estágios de internacionalização. O programa busca ampliar a internacionalização na pós-graduação, promovendo o desenvolvimento mútuo de atividades de pesquisa e formação, com foco em planos estratégicos articulados ao Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), colaboração com a sociedade civil e temas alinhados às prioridades brasileiras e aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).
A Ufal integra a rede Tecnologias Convergentes para Sustentabilidade e Cooperação Global, liderada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em parceria com UFJF, UFSM, IFG e CEFET-RJ. A proposta congrega 22 programas de pós-graduação da Ufal e atua em três eixos: tecnologias emergentes para inovação sustentável; transição energética, sociobioeconomia e saúde global; e democracia, inclusão, educação e justiça social.
A outra rede, comandada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), é denominada Integrat – Interiorem Universum do Capes-Global e reúne pesquisadores de instituições como UFVJM, CEFET-MG, UFRR e UFMT. Esta rede envolve 15 programas da Ufal e está concentrada em temas dos universos Natural, Agrário, Humano e Tecnológico.
A construção das propostas pela Ufal foi coordenada pela Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propep), sob a liderança da pró-reitora Iraildes Pereira Assunção, com participação da equipe técnica: Walter Matias Lima (coordenador de Pós-graduação), Magna Suzana Alexandre Moreira (coordenadora de Pesquisa), Aline Cavalcanti de Queiroz (assessora de Pesquisa) e apoio decisivo da Assessoria de Intercâmbio Internacional (ASI), em especial dos professores José Niraldo de Farias e Manuela Rau de Almeida Callou.
De acordo com Iraildes, os docentes de diversos programas também foram fundamentais na elaboração técnica dos textos: Glauber José Ferreira Tomaz da Silva, Abelardo Silva Júnior, Débora Raquel Hettwer Massmann, Gildemberg Amorim Leal Júnior, Alysson Wagner Fernandes Duarte e Aline Cavalcanti de Queiroz, entre outros.
A pró-reitora reforça que o engajamento massivo foi essencial para apresentar propostas com base científica diversificada e de alta qualidade. “O envolvimento direto dos coordenadores e docentes dos programas, fornecendo informações na fase de elaboração das propostas, garantiu que as metas de internacionalização estivessem alinhadas com a realidade acadêmica e com as competências de cada área, resultando em projetos robustos que refletem a excelência e o compromisso institucional com o avanço da ciência e da formação de recursos humanos de alto nível em Alagoas”, destacou.
Impactos transformadores
Na governança das redes aprovadas, a Ufal terá papel ativo: Propep e ASI integrarão o Comitê Gestor e o Comitê Administrativo de cada rede. Docentes da Ufal assumirão liderança técnica, a exemplo de Abelardo Silva Júnior, como vice-coordenador geral do tema Transição Energética e Saúde Global na rede da UFPE, e o professor Gildemberg Amorim, que será o coordenador geral do tema Universo Agrário, na rede da UFV.
Os projetos preveem visitas institucionais e financiamento para bolsas para doutorado sanduíche, pós-doutorado, docentes estrangeiros colaboradores e capacitação em internacionalização para técnicos, por meio de seleção em editais internos, além da realização de um seminário anual por rede. As atividades estão previstas para começar em junho de 2026, com vigência de quatro anos.
A expectativa é ter impactos diretos que podem transformar a pós-graduação da Ufal. “A inserção nessas redes proporciona o acesso a infraestruturas e laboratórios de excelência no exterior, além de viabilizar recursos para o desenvolvimento de tecnologias de ponta em áreas críticas. A colaboração internacional favorece a produção acadêmica de alto nível, o que reflete diretamente na elevação dos conceitos Capes dos 37 programas envolvidos, consolidando uma cultura de internacionalização que é simultaneamente diversa, inclusiva e acolhedora para todos os participantes”, ressaltou Iraildes.
A aprovação da Ufal nas duas redes representa um marco de maturidade acadêmica e protagonismo institucional, demonstrando capacidade de articular propostas complexas e competitivas, superar assimetrias regionais e fortalecer o alinhamento da pesquisa com políticas públicas e prioridades sociais.
“O sucesso no edital também promove um ambiente riquíssimo de troca de experiências exitosas com outras Instituições de Ensino Superior [IES] participantes das redes. Esse intercâmbio de modelos de gestão e boas práticas fortalecerá a posição da Ufal como um polo irradiador de conhecimento, transformando o saber local em soluções de impacto global e elevando permanentemente o prestígio e a qualidade dos nossos programas de pós-graduação”, concluiu.
Sobre a rede com a UFV
A Rede Integrat – Interiorem Universum tem como objetivo valorizar e integrar o “universo interior” do Brasil ao cenário científico global, interiorizando a ciência com profundidade. Proposta pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), o consórcio reúne instituições como Ufal, Universidade Federal de Mato Grosso, Universidade Federal de Roraima, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e o Cefet‑MG, além de parceiros não acadêmicos, a exemplo de Emater‑AL, Adeal, SIF e colaborações internacionais, como a Unam.
A estrutura científica organiza‑se em quatro “universos” interativos: Natural (ciências naturais e ambiente), Agrário (meio rural, sistemas produtivos e inovação rural), Humano (bem‑estar, aspectos biomédicos e socioeconômicos) e Tecnológico (engenharias, matemática e computação).
A UFV atua como instituição proponente, consolidando diversos programas de pós‑graduação de excelência que abrangem os quatro eixos, enquanto a Ufal destaca‑se pela atuação no interior de Alagoas e pela articulação com parceiros locais em projetos como proteção de plantas e fruticultura. Coletivamente, as instituições não apenas descentralizam a ciência, mas buscam formar recursos humanos, fortalecer pesquisa e inovação em regiões sub‑representadas, promover convergência e cooperação internacional com o Sul Global, BRICS, Europa e América do Norte, e alinhar ações aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, como Fome Zero, Saúde e Bem‑estar e Vida Terrestre; um exemplo prático dessa integração é a colaboração em proteção de plantas com instituições mexicanas.
Sobre a rede com a UFPE
A proposta da Rede Tecnologias Convergentes para a Sustentabilidade, Inclusão e Cooperação Global, coordenada pela UFPE, tem como objetivo fortalecer a internacionalização, a inovação científica e a formação de recursos humanos de alto nível por meio da articulação entre instituições brasileiras e estrangeiras. A iniciativa reúne universidades e institutos federais das regiões Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste, promovendo equilíbrio regional e cooperação interdisciplinar.
A rede estrutura-se em três eixos temáticos integrados. O eixo de Tecnologias Emergentes para Inovação Sustentável, é voltado para o desenvolvimento de pesquisas em inteligência artificial, nanotecnologia, fotônica, tecnologias quânticas e engenharia de software, com aplicações em saúde, indústria, energia, comunicação e meio ambiente. No eixo Transição Energética, Sociobioeconomia e Saúde Global haverá estudos direcionados à pesquisa em bioenergia, biodiversidade, biotecnologia, sustentabilidade urbana, recursos hídricos e produção de bioprodutos, com ênfase na descarbonização e no enfrentamento das mudanças climáticas.
Já os estudos dedicados às desigualdades sociais, políticas públicas, inovação democrática, formação docente e inclusão educacional, articulando pesquisa, extensão e cooperação internacional estarão centrados no eixo Democracia, Inclusão, Educação e Justiça Social.
“O desempenho da Ufal em áreas como inteligência artificial, saúde e educação vai contribuir para o equilíbrio e a qualificação da rede, que envolve oito programas de pós-graduação e dezenas de projetos articulados da instituição alagoana, incluindo pesquisa em hidrogênio verde, biomassa, materiais sustentáveis, saúde digital, inteligência artificial aplicada, políticas educacionais e formação docente”, destacou o professor Abelardo Silva Júnior.