Acessibilidade linguística é garantida com tradução e interpretação em Libras
Setor atende demandas de ensino, pesquisa, extensão e eventos acadêmicos, contribuindo para a inclusão da comunidade surda na Universidade
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Desde 2014, o Setor de Tradução e Interpretação de Libras e Língua Portuguesa (Setilsp), vinculado a Faculdade de Letras (Fale) do Curso de Letras-Libras da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) , desempenha um papel fundamental na promoção da acessibilidade linguística na instituição. Por meio do trabalho de tradução e interpretação em Libras, o setor contribui para a inclusão e a participação da comunidade surda no ambiente acadêmico.
Voltado para diversas ações da universidade, o setor atua ao longo de todo o ano com demandas fixas e rotativas. O coordenador do Setilsp, Carlos Oliveira, explicou a diferença entre esses dois tipos de serviços ofertados pelo setor, destacando que as demandas fixas são aquelas que possuem maior vínculo com as atividades de ensino.
“As demandas fixas recebem uma licença concentram-se nas atividades de ensino, seja tanto graduação quanto pós-graduação. Então, nós atendemos tanto alunos quanto professores que são surdos. Atuamos em tudo que envolve o escopo das aulas, sejam orientações de TCC, projeto de PIBIC, reuniões, reuniões de conselho, reuniões, orientações de dissertações e teses, bem como em defesa em qualificações e defesas de dissertação, qualificação de doutorado. Então, todas essas demandas são cobertas”, disse.
Já as demandas rotativas envolvem ações universitárias como eventos, encontros acadêmicos e outras atividades institucionais. Para esse tipo de atendimento, as solicitações de tradução e interpretação podem ser realizadas diretamente no site do curso de Letras-Libras da Ufal e precisam ser feitas por servidores, por meio de um formulário específico. Nele, o solicitante deve informar dados como data, horário, local e a dinâmica da atividade, além de encaminhar, sempre que possível, materiais que auxiliem na preparação prévia dos intérpretes.
“Existe um tempo de 15 dias de antecedência para solicitações de atuação em eventos. Nesse tempo, precisamos desse material prévio, preferencialmente assuntos, falas e tudo que tiver à disposição, para que o profissional possa a gente possa estudar, possa se aprofundar, até porque, em muitos casos, são áreas muito específicas. Então, fazemos isso para que a tradução chegue com a maior qualidade possível para o público, que são as pessoas surdas”, reforçou.
Além da interpretação em eventos e atividades acadêmicas, o Setilsp também disponibiliza um serviço especializado em tradução de materiais didáticos, textos informativos, editais e outros conteúdos produzidos pela Universidade, ampliando o acesso da comunidade surda às informações institucionais, para acessar esse formulário basta clicar aqui.
Comunicação é direito humano
O coordenador explicou que, atualmente, a equipe é formada por 8 servidores efetivos e 8 intérpretes contratados que atendem toda demanda da universidade, mas que realizam um trabalho de excelência. Ele reafirmou que a existência desse setor é a garantia de destaque à visibilidade à comunidade da população surda que, muitas vezes, são excluídas para a margem da sociedade postas ao papel de exclusão.
“É importante que os alunos surdos circulem por todos os cursos da universidade, e não apenas pelo curso de Letras-Libras. Uma pessoa surda pode fazer Medicina, Engenharia, Enfermagem ou qualquer outro curso. Nós nos colocamos à disposição para parcerias e para contribuir para ajudar a mitigação reduzir essas barreiras comunicacionais. A comunicação é um direito humano. Muitas vezes colocamos as pessoas surdas sempre no lugar da passividade, como se fossem apenas receptoras de acessibilidade, mas estamos falando de professores surdos, doutores surdos, pesquisadores surdos, pessoas extremamente capacitadas que produzem conhecimento dentro da academia”, reforçou.
Ele também reforçou a importância da comunicação e do ensino de Libras ofertado pela Ufal à comunidade acadêmica, tanto por meio do curso de Letras-Libras quanto pelas ações de extensão realizadas periodicamente. Segundo ele, iniciativas como essas contribuem para fortalecer uma política de inclusão que envolve toda a universidade e se consolida como um movimento coletivo dentro da comunidade acadêmica.
“Porque se comunicar é existir. Falar com o outro, interagir com o outro é algo fundamental para a vida humana. Então é extremamente relevante e importantíssimo que a Libras circule na universidade”, finalizou.