Ufal e Sociedade apresenta Sereias Alagoanas – Histórias de Mulheres que Encantam

Professora Adriana Capretz apresenta obra que valoriza trajetórias femininas e discute memória e reconhecimento

Por Cecília Calado - estudante de Jornalismo

Em alusão ao mês do Dia Internacional da Mulher, o programa Ufal e Sociedade, da Rádio Ufal, recebe a professora Adriana Capretz, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/Ufal), para uma conversa sobre memória, patrimônio e protagonismo feminino. A docente é autora do livro Sereias Alagoanas – Histórias de Mulheres que Encantam, obra que reúne 70 trajetórias de mulheres que contribuíram de forma significativa para a sociedade alagoana.

Durante a entrevista, Adriana explica que a publicação é resultado de uma pesquisa iniciada em 2019, motivada pelo interesse em resgatar histórias de mulheres que, apesar de suas contribuições relevantes, muitas vezes não ocupam espaço nos registros oficiais. “As mulheres sempre estiveram presentes em todos os campos, mas nem sempre foram reconhecidas. Esse livro é uma tentativa de dar visibilidade a essas trajetórias”, afirma.

A obra reúne nomes de diferentes áreas, como ciência, educação, cultura, comunicação, ativismo social e meio ambiente. Entre os destaques estão mulheres reconhecidas nacional e internacionalmente, além de lideranças comunitárias e personagens que atuam em seus territórios, promovendo mudanças concretas na vida de outras pessoas.

Segundo a professora, o principal critério para a seleção das personagens foi o impacto social de suas ações. “Não bastava ser uma profissional de destaque. Eu procurei mulheres que fizeram diferença na vida de outras pessoas, que contribuíram com suas comunidades e que, muitas vezes, mesmo sem recursos, conseguiram transformar realidades”, explica.

A diversidade também foi um ponto central na construção da obra. O livro contempla mulheres negras, indígenas, pessoas com deficiência, cientistas, artistas, educadoras e ativistas, refletindo a pluralidade da sociedade alagoana. Adriana destaca que o processo de escolha foi desafiador, já que a pesquisa reúne centenas de nomes. “Foi uma das etapas mais difíceis. Eu tinha muitas mulheres incríveis e precisei fazer recortes, priorizando pioneirismo e relevância social”, relata.

Além das biografias, o livro traz ilustrações produzidas por mais de 40 artistas alagoanos, entre estudantes, professores e profissionais da área de artes e design. A proposta, segundo a autora, é valorizar não apenas as histórias das mulheres retratadas, mas também a produção artística local, criando uma obra coletiva e representativa.

A entrevista também aborda o apagamento histórico das mulheres e a importância de iniciativas que promovam reconhecimento e visibilidade, inclusive dentro do próprio estado. Adriana cita casos de mulheres com carreiras consolidadas nacionalmente que nunca haviam recebido homenagens em Alagoas. “Muitas dessas mulheres são reconhecidas fora, mas não aqui. Quando recebem esse reconhecimento na sua terra, isso tem um significado muito especial”, destaca.

Outro ponto discutido durante o programa é a relação entre arquitetura, memória e identidade. A professora também atua em projetos voltados à preservação do patrimônio histórico, especialmente nas áreas afetadas pelo desastre ambiental causado pela mineração em Maceió. Para ela, preservar a memória é essencial para evitar o esquecimento coletivo.

“A arquitetura é a materialização da memória. Quando esses espaços desaparecem, a gente perde referências, histórias e vínculos. Por isso, é fundamental registrar e preservar essas narrativas”, afirma.

Adriana também desenvolve iniciativas de educação patrimonial, reunindo pesquisas acadêmicas, registros históricos e produções artísticas com o objetivo de manter viva a história dos territórios e das pessoas que os habitaram.

Ao longo da entrevista, a professora reforça que o livro Sereias Alagoanas é mais do que uma coletânea de histórias: trata-se de um instrumento de valorização, reconhecimento e fortalecimento da presença feminina na construção da sociedade. “Essas mulheres sempre existiram. O que faltava era visibilidade. Quando a gente conta essas histórias, a gente inspira outras mulheres e também transforma a forma como a sociedade enxerga esse protagonismo”, conclui.

O episódio vai ao ar na Rádio Ufal e também pode ser acompanhado em formato de podcast no site da emissora e nas plataformas digitais.

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Ficha técnica do programa Ufal e Sociedade

Operador de áudio: Helder Melo
 Direção técnica: Edilberto Sandes (Brother)
 Locução: Lenilda Luna
 Produção: Cecília Calado

 

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