Ufal lidera debate internacional sobre IA e futuro da educação
Instituição vai receber especialistas do Brasil e do exterior em encontro que discute equidade, inovação e aprendizagem com apoio da IA, nestes 15 e 16 próximos
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A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) será o centro de um importante debate sobre os rumos da educação contemporânea. É que nestes dias 15 e 16, a instituição vai sediar o Encontro Anual 2026 do Instituto de Inteligência Artificial na Educação (IA.Edu), com apoio do Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (Nees/Ufal). O objetivo é consolidar um ano de avanços na integração tecnológica para aprendizagem.
O evento será na sede do Nees, no Campus A.C. Simões, em Maceió, das 9h às 16h, e marca um momento decisivo para a educação brasileira ao reunir vozes de peso, incluindo representantes de organismos internacionais como a Unesco, para debater o papel da Inteligência Artificial no combate às desigualdades de aprendizagem no Brasil.
Baseado no novo Marco Conceitual da instituição, o debate central focará na IA não apenas como inovação, mas como ferramenta de justiça social. O documento estabelece diretrizes para que a tecnologia ajude a reduzir disparidades, promovendo uma aprendizagem plena que respeite as diversidades regionais, culturais, econômicas e sociais brasileiras e garanta que a inovação não deixe ninguém para trás.
De acordo com os organizadores, a publicação busca apresentar ao público a concepção das Escolas FigitAls, nas quais a Inteligência Artificial é incorporada de forma sistêmica e equilibrada à escola e à pedagogia, articulando as dimensões física, social e digital em diferentes contextos educacionais. O documento propõe que a IA atue como ampliação do espaço e das possibilidades de aprendizagem e interação, com o objetivo de formar estudantes como cidadãos-aprendizes-transformadores, capazes de navegar, analisar criticamente e criar no mundo atual.
“O mundo já funciona de forma figital - na nossa rotina, já circulamos pelas esferas física, digital e social. Porém, raramente elas são pensadas de forma integrada e equilibrada quando pensamos no processo de aprendizagem. A IA, para amparar uma mudança efetiva na escola, precisa considerar e apoiar esses três espaços", diz o diretor-presidente do IA.Edu, Thomaz Velozo.
Parceria Unesco e IA.Edu
O Encontro Anual IA.Edu mobiliza ainda a Cátedra Unesco Unitwin de IA Desplugada na Educação, grupo de pesquisadores de nove países que desenvolve pesquisa aplicada e produção de conhecimento de alto nível sobre alternativas para a IA em contextos de baixo recurso. A Cátedra é hospedada pela Ufal e Universidade de São Paulo (USP), coordenada pelos professores Ig Bittencourt e Seiji Isotani.
“É a primeira Cátedra Unesco com essa temática no Estado, visando disseminar conhecimento, influenciar políticas públicas e trabalhar em rede com universidades do Brasil e do Sul Global. Nosso desafio é promover uma IA que faça sentido para realidades com maiores desafios de infraestrutura e competências digitais. O Brasil pode se tornar a vitrine da IA desplugada no mundo", destacou Ig Bittencurt.
Para Seiji Isotani, professor de Computação e Tecnologias Educacionais da Universidade de São Paulo (USP) e cofundador do IA.Edu, “uma das maiores inquietações é garantir que os benefícios da inteligência artificial cheguem às regiões onde a infraestrutura é praticamente inexistente, onde faltam recursos humanos bem capacitados, onde muitas crianças não atingem a alfabetização ou o letramento matemático plenos”. E completa, sobre o grande desafio: “Nestes contextos, nós entendemos que a IA, principalmente a IA desplugada, representa uma oportunidade de democratizar esse acesso e encontrar caminhos inovadores para a garantia de aprendizagem, justamente porque nunca tiveram acesso a ela”.
A iniciativa busca alinhar o Brasil aos padrões globais de direitos humanos, desenvolvendo diretrizes que assegurem que o avanço tecnológico nas escolas seja transparente, inclusivo e voltado para o bem-estar de alunos e professores, especialmente em contextos de vulnerabilidade no Sul Global.
Destaques da programação do evento
A programação foi pensada para aproximar políticas públicas e prática pedagógica. Nesta quarta-feira (15), a agenda institucional contará com a abertura oficial com autoridades, o lançamento do Marco Conceitual e painéis temáticos. Entre os destaques está a mesa Transformação Figital: a IA potencializando a aprendizagem no físico, digital e social, com a participação de Ricardo Madeira, do Instituto Unibanco, e Luciano Meira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Ainda do primeiro dia, o público vai poder acompanhar o painel Pedagogias ampliadas por IA: casos de sucesso no Brasil e América Latina, com Giovanna Caminha, do BTG Pactual, Maurício Garcia, do Instituto Inteli, e Wallace Faveron Almeida, também do Instituto Unibanco.
Já na quinta-feira (16), a programação será dedicada à Cátedra e à prática, com fóruns voltados à Cátedra Unesco, tendo como eixo a justiça social e os direitos humanos, além de mesas-redondas sobre a implementação sustentável da inteligência artificial nas redes públicas. Esses debates contarão com parceiros estratégicos e representantes da Unesco de países como Kenya (Dunston L. Kwayumba), África do Sul (Jody Joubert), Colômbia (César Collazos) e China (Yu Lu).
"Estamos vivendo um momento histórico na educação brasileira. Ao completarmos um ano de IA.Edu, este encontro em Maceió não é apenas uma celebração, mas um marco de maturidade. O Encontro Anual 2026 e o lançamento do nosso Marco Conceitual servem para mostrar que a IA deve estar, primordialmente, a serviço da aprendizagem plena e da justiça social”, reforçou Thomaz Velozo.
Ele destacou, ainda, que a parceria com a Unesco e o trabalho no Nees/Ufal reforçam esse compromisso: “Estamos construindo hoje a base ética e pedagógica de uma educação que é, ao mesmo tempo, tecnológica e profundamente humana".