Pinacoteca reabre com exposição que mergulha na intensidade de Pierre Chalita
Mostra convida o público a percorrer emoções e memórias em séries que reúnem obras do renomado artista alagoano
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A “Exposição Pierre Chalita” marca a reabertura da Pinacoteca, prevista para o dia 26 de maio, com uma homenagem a um dos nomes mais importantes e expressivos das artes visuais em Alagoas.
A mostra ficará aberta ao público até o dia 21 de agosto, sempre de terça a sexta-feira, das 9h às 17h. Para visitas em grupos acima de dez pessoas, é necessário fazer o agendamento aqui.
A proposta da exposição é criar uma experiência de aproximação com o trabalho do artista. As obras revelam um percurso marcado por intensidade, movimento e uma atenção constante à condição humana, convidando o visitante a se envolver com os gestos, as cores e as atmosferas presentes em sua pintura.
A curadoria da mostra é assinada pela museóloga Hildênia Oliveira, que propõe mais do que um recorte estético e busca reposicionar Pierre Chalita no cenário contemporâneo, reacendendo o debate em torno de sua obra e legado.
Segundo ela, apesar da relevância, o artista estava há um tempo afastado dos espaços expositivos e da mídia. “É um artista que estava um pouco adormecido, com toda a importância que tem”, pontua. A curadora destaca ainda a singularidade da produção do pintor. “Chalita é monumental, irreverente. Ele traz o cru do ser humano, a inquietude, e leva o público para outro patamar de pensamento artístico contemporâneo”, afirma.
A exposição é organizada em três conjuntos: Em “Do Baile”, o que parece festa ganha outra camada. As cenas são intensas, cheias de movimento, com cores quentes e pinceladas marcadas. Aqui, temos uma encenação da vida, com suas tensões e contradições. Já em “Paraíso”, o clima muda. As cores ficam mais frias, o ambiente parece mais calmo. Existe uma sensação de estranhamento, como se algo não se encaixasse completamente. Chalita propõe um “paraíso” que faz pensar, questionar e até desconfiar das ideias de perfeição.
E em “Brasil 500 anos”, o artista volta o olhar para a história do país. As obras misturam tempos, símbolos e narrativas, criando cenas em constante movimento. Em uma visão que apresenta um Brasil cheio de camadas, conflitos e transformações.
A exposição também abre espaço para outros olhares sobre o artista. Retratos feitos por nomes como Solange Chalita e Dydha Lyra mostram não só a figura do mestre, mas também o carinho, a convivência e a influência que ele deixou em outros artistas. São obras que carregam memória, afeto e continuidade.
Para o diretor da Pinacoteca, Victor Sarmento, a reabertura do espaço também tem um papel estratégico na cena cultural local. “A gente quer que essa reabertura impulsione jovens artistas e que eles conheçam também os nomes já consolidados. A ideia é promover essa troca entre artistas, sociedade e museus, criando uma energia que se expanda e mantenha esses espaços vivos por muitos anos”, afirma.
Sobre o artista
Nascido em Maceió, em 1930, filho de imigrantes libaneses, Pierre Chalita construiu uma trajetória marcada por deslocamentos e descobertas. Entre o Brasil e a Europa, passou por cidades como Recife, Rio de Janeiro, Madrid e Paris. Experiências que ajudaram a moldar uma obra inquieta e cheia de personalidade.
Além de pintor, foi professor, arquiteto, cenógrafo, restaurador e ilustrador. Mais do que produzir arte, Chalita formou olhares, influenciou gerações e deixou marcas que seguem vivas no trabalho de muitos artistas.