Ufal celebra o dia na África no Campus de Engenharias e Ciências Agrárias
Programação abriu a semana de celebrações e debates sobre o continente africano
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O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) promoveu uma programação especial para a celebração do Dia da África, no Campus de Engenharias e Ciências Agrárias (Ceca). No período da manhã, foi realizada uma Lekglota (palavra de origem africana que significa aprendizagem em círculo), liderada pela professora Regla Toujaguez, cubana, coordenadora da Neabi/Ceca desde 2020. O debate teve como tema a África e suas diversas representações no Ceca e em Maceió.
“Eu sou cubana de origem e também sou brasileira naturalizada, é uma alegria aqui no nosso Campus de Agrária, coincidentemente nós temos estudantes de vários países africanos. Devido à existência deles, foi me passado que o Neabi acolhesse os estudantes que ingressaram pelas cotas raciais e também os estudantes africanos e africanos indígenas.” disse a professora.
Estiveram presentes o servidor técnico da Neabi, Rômullo Santos, o assessor internacional da Ufal, professor José Niraldo, representantes de quilombos e terreiros alagoanos, alunos de países africanos que fazem parte dos programas de intercâmbio da Ufal.
O debate foi cheio de reflexões de como enxergamos o continente africano, de entender que é o berço da humanidade, de como devemos falar ainda mais sobre sua influência nas mais diversas áreas do nosso país, além do cuidado para não tratar o continente de forma folclórica e generalizada. Foi debatida também toda a grandiosidade histórica, cultural e de produtos que a África possui e infelizmente não pode usufruir da sua própria riqueza.
“Nós temos um grande potencial na África em termos de sementes, produtos, por exemplo, da mandioca, que hoje fazem parte de patentes europeias. Como é que a semente do Baobá, que é a semente que dá um óleo essencial fantástico, que custa mais de 100 reais um pequeno vidro, a África não tem a chance de produzir? Porque há uma patente estrangeira que não permite isso", explica a coordenadora do Neabi.
De forma remota, o estudante angolano Fernando Manoel, contou um pouco sobre sua experiência na Ufal durante o mestrado em agronomia e já se prepara para retornar a Alagoas no próximo semestre para iniciar seu doutorado. O haitiano Gladison Edouard, relatou seu processo de pesquisa durante o mestrado na Ufal e a troca que teve com o povo brasileiro. O moçambicano Leonid Moisés, também dividiu um pouco da sua trajetória acadêmica, está atualmente nos Estados Unidos fazendo doutorado sanduíche entre a Ufal e a University of Mississippi.
“Nós temos aqui uma representação bem heterogênea. Participaram do nosso evento estudantes que estão aqui no Brasil e estudantes que, graças ao programa de intercâmbio com o Brasil, estão em outros países.” completa a professora.
Presencialmente, a aluna Carmen Catumbela, que chegou ao Brasil há pouco mais de um mês para realizar seu mestrado em nutrição, contou como tem sido sua adaptação em Maceió e como o programa de acolhimento da Assessoria de Intercâmbio Internacional (ASI) tem auxiliado em todo o processo burocrático que é exigido. Já Vanda Matheus, fez toda a sua trajetória acadêmica no Brasil, passando pelos estados de Pernambuco, São Paulo, Pará e agora está em processo de transferência para Alagoas, já que a Ufal desenvolve pesquisas próximas a sua linha de pesquisa de doutorado. A angolana ressalta as semelhanças que existem entre Brasil e África e como uma relação mais próxima pode beneficiar ambos. “Deve existir essa irmandade, troca de culturas e informação para que a gente possa valorizar o que a gente tem a nível de agricultura e agronegócio", destaca.
Ela reforçou que para essas relações acontecerem é necessário que o Brasil vá ao continente africano. Atualmente, recebemos muitos alunos de países africanos mas infelizmente não levamos nossos alunos e professores até lá. “Nós viemos mas o Brasil não vai, na área acadêmica. O Brasil vai na área de engenharia, na área de construção, mas a nível de pesquisa científica, que é a base, que é super importante, isto não está acontecendo. Faço esse apelo pra ter essa interação", disse a estudante.
Para finalizar o debate, um trecho do hino da África foi cantado, seguindo por um almoço e uma imersão cultural durante a tarde.