Alagoas sedia eventos inéditos na América do Sul sobre síntese da fala
Speech Synthesis Workshop e Blizzard Challenge vão reunir pesquisadores de diversos países para discutir inteligência artificial, síntese da fala e diversidade linguística
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Entre 6 e 9 de setembro de 2027, Maceió será palco de dois dos maiores eventos da síntese da fala do mundo: o 14º Speech Synthesis Workshop (SSW 2027) e o Blizzard Challenge 2027. Realizados pela primeira vez no Brasil e na América do Sul, os encontros pretendem reunir especialistas para discutir pesquisa, desenvolvimento e inovação na área, além de impulsionar o desenvolvimento de tecnologias voltadas ao português.
A organização local é coordenada pelo professor da Faculdade de Letras (Fale) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Miguel Oliveira, em conjunto com os professores Arnaldo Candido Junior, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e Sandra Maria Aluísio, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, além da Associação Brasileira de Linguística (Abralin).
O professor da Ufal Miguel Oliveira destaca que receber um evento como este em Alagoas coloca tanto o estado quanto a universidade no radar de pesquisadores internacionais e amplia a visibilidade das produções desenvolvidas na região. “Um encontro científico desse porte acrescenta outra imagem ao estado: a de que também produz pesquisa e participa das discussões atuais sobre inteligência artificial e tecnologias da fala. Também representa um reconhecimento da capacidade científica e organizacional da Ufal, resultado de um trabalho acumulado em fonética, prosódia, variação linguística e tecnologias da fala. Essa escolha insere a universidade em uma trajetória iniciada em 1990 e que já passou por centros de pesquisa da Europa, da América do Norte, da Ásia e da Oceania”, avalia.
Ele também ressalta que a conquista de trazer o evento para o estado está diretamente ligada ao projeto “Entre muitas vozes: síntese de fala usando dados de fala espontânea com variedades linguísticas do português”, coordenado pela Ufal e aprovado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
“O projeto reúne pesquisadores da Ufal, da USP, da Unesp, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e de instituições parceiras no Brasil e no exterior. Na Ufal, temos uma experiência forte com fonética, prosódia, fala espontânea e variação linguística. O projeto reuniu essas competências para desenvolver vozes sintéticas que preservem as diferentes formas de falar o português. Os eventos permitem levar essa discussão a equipes do mundo inteiro, com dados e questões formulados aqui e com estudantes que estarão envolvidos em todo o processo”, complementa.
Saiba mais sobre os eventos
O 14th Speech Synthesis Workshop (SSW14) e o Blizzard Challenge 2027 são eventos complementares voltados ao desenvolvimento da síntese da fala. O SSW14, realizado desde 1990 e vinculado à Associação Internacional de Comunicação da Fala (Isca), é um dos principais fóruns científicos da área para apresentação de pesquisas e discussão de novos desafios.
No evento, serão discutidos os novos modelos de inteligência artificial para geração de fala, síntese multilíngue, línguas com poucos recursos tecnológicos, fala expressiva, prosódia, identidade vocal, produção de fala espontânea e métodos de avaliação das vozes sintéticas. Também estarão presentes temas como acessibilidade, aplicações educacionais e uso responsável dessas tecnologias.
Já o Blizzard Challenge funciona como uma avaliação internacional. Nele, equipes de diferentes países desenvolvem soluções para um mesmo problema e têm seus sistemas analisados a partir de critérios padronizados, permitindo comparar avanços e identificar limitações das tecnologias.
Na edição de 2027, o desafio utilizará bases de fala espontânea de Recife, São Paulo e Portugal. A iniciativa busca ampliar a visibilidade internacional da diversidade do português e avaliar a capacidade dos sistemas de inteligência artificial de preservar características linguísticas, como sotaques e padrões de prosódia.
O professor explica que a tecnologia de síntese da fala já faz parte do cotidiano em diferentes aplicações, como leitores de tela para pessoas cegas ou com baixa visão, dispositivos de comunicação para pessoas com deficiência na fala, materiais educacionais, audiolivros, sistemas de navegação e serviços de informação. Em muitos desses contextos, as vozes sintéticas são ferramentas fundamentais para promover autonomia, acessibilidade e inclusão social.
“Sistemas treinados com um modelo muito restrito de língua tendem a deixar de fora sotaques, variedades regionais e diferentes modos de falar. Por isso, trabalhar em 2027 com fala espontânea tem importância científica e social. Estamos levando a diversidade do português para o desenvolvimento e para a avaliação das tecnologias de voz. O avanço dessas tecnologias também exige discussões sobre consentimento, uso responsável das vozes, privacidade e prevenção de fraudes”, afirma.
Mais informações sobre os eventos, assim como as datas de inscrição, podem ser consultadas no site oficial do Speech Synthesis Workshop 2027. Para acessar, clique aqui.