Bienal Internacional do Livro de Alagoas lança identidade visual da 12ª edição
Com temática indígena, evento acontece em 2027 e reúne Brasil e Bolívia em uma proposta de valorização cultural e combate a estereótipos
- Atualizado em
Estamos a quase um ano de distância daquele que é o maior evento literário e cultural do estado, a Bienal Internacional do Livro de Alagoas, que já tem data, local e tema definidos. O evento chega à sua décima segunda edição com o tema “Mundos indígenas em (re)existência atravessando fronteiras entre Brasil e Bolívia” e acontecerá entre 27 de agosto e 5 de setembro de 2027, no Centro de Convenções Ruth Cardoso, em Maceió. Os preparativos já começaram.
Nesta quinta-feira (20), na Sala dos Conselhos da Reitoria da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), no campus A.C. Simões, foi dia de oficializar o início das ações com o lançamento da Identidade Visual (IDV), que, em sintonia com o tema, será um convite a repensar a força dos povos indígenas, que ganha ainda mais sentido quando conectada a outras experiências de resistência na América Latina. Além de homenagear o país-irmão, a Bolívia.
Para celebrar o nascimento de mais uma edição, estiveram presentes o reitor da Ufal, Josealdo Tonholo; o diretor da Editora da Ufal (Edufal) e coordenador-geral da Bienal, Eraldo Ferraz; a vice-diretora da Fundação Universitária de Desenvolvimento, Extensão e Pesquisa (Fundepes), Taciana Melo; e o pró-reitor de Extensão e Cultura (Proexc), César Nonato. Além de apoiadores, produtores culturais, instituições e a equipe responsável pela realização do evento.
O reitor da Ufal destacou que é inegável a movimentação cultural que a Bienal provoca no Estado, principalmente pelas temáticas escolhidas a cada ano. Ele também celebrou a nova cara do evento e afirmou que a Bienal está longe de ser apenas livros, lançamentos ou palestras: é um espaço de liberdade e cidadania.
“A Bienal é o momento em que a gente apresenta para a sociedade aquilo que a Universidade tenta fazer, que é conversar diretamente com a população. Então, ela não é do Governo ou das instituições parceiras. Ela é da gente alagoana. E a gente precisa começar a fazer isso com toda a competência, trazendo o que temos de melhor para a nossa sociedade”, comemorou.
O coordenador-geral da Bienal, Eraldo Ferraz, aproveitou o momento para reafirmar a importância do evento na difusão de temáticas que devem ganhar destaque, além de parabenizar a construção coletiva do evento, que, só na última edição, superou a marca de 400 mil visitantes.
“Nosso objetivo é mostrar a contribuição dos povos indígenas para o nosso país e, por isso, é importante que tenhamos uma equipe como a nossa, formada por uma comissão, uma curadoria de fato, formada por professores que trabalham com a temática indígena, incluindo a Bolívia como parte importante dessa travessia. Isso é importante”, complementou.
Conheça a nova cara da Bienal
Nesta edição, uma novidade: a equipe responsável pela identidade visual foi composta por estudantes bolsistas da Edufal. A direção criativa é da estudante de Design Maria Pacheco, com o apoio dos também estudantes Matheus Olegário e Beatriz de Albuquerque, sob a supervisão da designer e servidora Janaína Araújo.
De acordo com o coordenador Eraldo Ferraz, a iniciativa é uma forma de contribuir com a formação dos talentos que nascem na Ufal. “Eles foram selecionados para fazer esse trabalho porque eu acredito no potencial dos nossos estudantes e tenho certeza de que essa experiência também vai servir para a vida profissional deles. E o resultado não poderia ser mais primoroso”, explicou.
Cada item foi selecionado para fazer com que o visitante faça uma viagem cultural. Entre as cores, são destaque o vermelho, representando o Planeta Terra e as expressões tradicionais; o verde, para a economia e as produções; o amarelo, representando energia e força; o laranja, como sociedade e cultura; e o branco, para marcar o tempo e as transformações.
Significados que também chegam aos visuais, que carregam figuras que unem as tradições brasileiras, bolivianas e indígenas, como a lhama, o condor-andino, a tilápia, o sagui, o mutum-de-alagoas, o maracá, a chacana e a nossa flora. O objetivo é que, ao ver os arredores do evento, o público se sinta representado sem reforçar estereótipos.
Maria explicou que foi preciso ter uma sensibilidade maior para não relacionar a temática com elementos que possam trazer alguma ofensa ou que sejam pejorativos. Por isso, optou por abordar texturas, produtos, animais, floresta e natureza, já que todos os povos homenageados têm uma conexão muito forte com a terra e com a espiritualidade.
“Todo o processo durou cerca de quatro meses. Comecei a pesquisar em diversas revistas e artigos para conhecer melhor as práticas e a cultura de cada local. Também busquei muitas referências visuais para entender quais padrões e elementos poderiam ser abordados e, principalmente, quais deveriam ser evitados. Tudo pensado com muito cuidado, respeito e com a representatividade que a Bienal carrega”, contou.
A estudante falou sobre a responsabilidade de aceitar produzir a marca do maior evento literário e cultural do estado. Para ela, ser escolhida, ainda como estudante, foi um grande desafio, mas acredita que é preciso encarar grandes desafios para alcançar grandes resultados. “Vejo isso como uma oportunidade incrível para a minha carreira. Então, eu tinha que aceitar. Não tinha como dar para trás. Eu fui, coloquei a cara mesmo e encarei o desafio. Minha expectativa é que seja um sucesso, que a identidade tenha uma boa adaptação a todas as peças e materiais do evento e que, principalmente, todo mundo goste do resultado”, complementou.
A supervisora Janaína Araújo destacou a felicidade em ver o resultado final do trabalho dos estudantes e reforçou a Ufal como uma grande fonte de talentos. “Estou muito orgulhosa. Eu também sou formada pelo curso de Design da Ufal. Para mim, é muito emocionante ver esses alunos com toda essa capacidade de produção. Quero parabenizar, principalmente, o professor Eraldo, por acreditar no potencial desses alunos e por proporcionar esse espaço para que eles possam desenvolver e mostrar o trabalho deles”, disse.
Vale ressaltar que os preparativos estão apenas começando e o reitor finalizou a cerimônia deixando um convite para a próxima edição. “Peço o engajamento de todos. Engajamento para a produção do evento, para a produção cultural, mas também para que a gente possa construir os apoios necessários para a realização desse grande evento. Que tenhamos uma excelente Bienal e que faça a diferença, somando cada um dos tijolinhos da liberdade que o Estado de Alagoas tanto busca há anos”, finalizou.
Sobre a Bienal
A 12ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas será uma realização da Ufal, através da Edufal, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio de diversos parceiros sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal. O evento alagoano se destaca por ser o único do país realizado de forma gratuita realizado por uma universidade.
Veja tudo que vai acontecer na Bienal de 2027 por meio do site oficial e também pelas redes sociais com o perfil @bienaldealagoas no Instagram, Threads e Facebook que já estão no esquenta para o próximo ano.
Confira a cobertura fotográfica completa do evento no Acervo Imagético Manoel Mota.