Sala Lilás da Ufal e acolhimento a mulheres em situação de violência são tema da entrevista
Assistente social Valéria Lamenha explica como funciona o atendimento, a importância da escuta qualificada e os encaminhamentos realizados pelo serviço
- Atualizado em
Nesta segunda-feira (21), às 11h, o programa Ufal e Sociedade, da Rádio Ufal, recebe a assistente social Valéria Lamenha, que atua no Escritório Modelo de Assistência Jurídica (Emag) e é responsável pelo atendimento da Sala Lilás. O espaço funciona no Campus A.C. Simões e atende mulheres da comunidade e da Universidade Federal de Alagoas que vivenciam diferentes situações de violência.
Durante a entrevista, Valéria explica como funciona a Sala Lilás e destaca a importância da escuta qualificada no atendimento às mulheres. Segundo ela, muitas chegam ao serviço em busca de orientação para questões relacionadas à separação, guarda dos filhos ou pensão alimentícia e, durante a conversa, são identificadas outras situações de violência que nem sempre são reconhecidas inicialmente pelas próprias vítimas.
A atuação da Sala Lilás está integrada ao Escritório Modelo de Assistência Jurídica, permitindo que o atendimento reúna orientação jurídica, assistência social, acolhimento e encaminhamentos. A assistente social explica que a mulher passa inicialmente pelo atendimento jurídico e, quando necessário, é encaminhada para uma escuta mais aprofundada, que busca compreender o que está por trás da demanda apresentada.
Na conversa, Valéria também aborda as diferentes formas de violência contra as mulheres. Além da agressão física, ela chama atenção para situações de violência psicológica, sobrecarga do trabalho doméstico e do cuidado com os filhos e outras formas de desigualdade presentes nas relações familiares. Para a assistente social, muitas dessas situações acabam sendo naturalizadas no cotidiano.
Outro ponto discutido é a dificuldade que muitas mulheres enfrentam para reconhecer a violência e buscar ajuda. Valéria explica que questões econômicas, o medo das consequências de uma denúncia, a falta de apoio familiar e a preocupação com os filhos podem dificultar a procura pelos serviços de proteção. Por isso, ela destaca a importância de existirem espaços onde as mulheres possam falar sobre o que estão vivendo antes mesmo de decidirem formalizar uma denúncia.
A assistente social também explica que, quando necessário, o atendimento pode resultar em encaminhamentos para outros serviços da rede de proteção, como as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher. Ela ressalta, porém, que a Sala Lilás não funciona como uma delegacia. A proposta é oferecer um espaço de escuta, acolhimento e orientação para que cada situação seja compreendida e encaminhada de acordo com a necessidade apresentada.
O serviço também recebe mulheres da comunidade acadêmica e atende situações que vão além da violência doméstica, incluindo casos de assédio moral, violência sexual e outras situações que provocam constrangimento ou sofrimento. Valéria reforça que a universidade também precisa ser um espaço de escuta para mulheres que enfrentam diferentes formas de violência.
Além da exibição às 11h desta segunda-feira, você pode ouvir esse episódio também às 17h e às 23h, com reprises de terça a sábado nos mesmos horários. O conteúdo também estará disponível em formato de podcast no site da Rádio Ufal ou na sua plataforma de áudio favorita.
Ouça e compartilhe!
Ficha técnica do programa Ufal e Sociedade:
Operador de áudio: Helder Melo
Direção técnica: Edilberto Sandes (Brother)
Locução: Simoneide Araújo
Produção: Cecília Calado