Folder produzido pela equipe do Museu, com mais informações sobre o Bd
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Documento PDF (439.9KB)
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Declínio dos anfíbios em
escala mundial
QUITRIDIOMICOSE:
INFORMAÇÕES SOBRE ESTA
DOENÇA
Mais de 40% das 7.000 espécies de anfíbios atuais estão
em declínio em todo o mundo. Vários fatores são
responsáveis por este cenário, tais como o
desmatamento, poluição, aquecimento global e doenças.
Recentemente, o fungo Batrachochytrium dendrobatidis
(Bd) revelou ser uma grande ameaça para os anfíbios.
Animais infectados com este fungo pode desenvolver a
quitridiomicose, uma doença que pode ser letal para
algumas espécies de anfíbios. Os primeiros surtos desta
doença foram documentados na década de 1990,
simultaneamente, na Austrália e na América Central, e
desde então o fungo já foi encontrado em mais de 520
espécies de anfíbios e tem sido associada ao declínio de
populações e/ou extinções em várias regiões domundo.
Alguns sinais clínicos típicos da infecção em anfíbios
adultos incluem a hiperemia da pele (vermelhidão)
seguida de morte (Figura 1). Em girinos, o Bd infecta
apenas o aparato oral e não é letal, porém após a
metamorfose, esta infecção pode se tornar letal para a
espécie.
Para a região norte da Mata Atlântica, Bd foi
encontrado em girinos da perereca Hypsiboas
freicanecae, no município de Jaqueira, no estado de
Pernambuco e, recentemente em girinos de
Hypsiboas freicanecae e Aplastodiscus sibilatus em
um riacho permanente na Mata da Bananeira, da
Estação Ecológica de Murici (ESEC Murici), estado
de Alagoas. Este fungo pode apresentar uma
distribuição mais ampla na Mata Atlântica e medidas
mitigadoras para evitar sua dispersão são
recomendadas para evitar sua propagação em áreas
sem a presença de anfíbios infectados pelo fungo.
Fotos de girinos de Hypsiboas freicanecae e
Aplastodiscus sibilatus da ESEC de Murici com
sinais de infecçãopelo Bd.
Lisboa et al. 2013
Medidas mitigadoras e orientações
para evitar dispersão
humana do Bd
2. Se encontrar anfíbios mortos ou doentes, estes
devem ser necessariamente recolhidos da
natureza. Os animais devem ser manuseados
obrigatoriamente com luvas ou sacos plásticos e
devem ser armazenados em álcool 70% para o
teste quanto a presença de Bd .
3. Realizar o monitoramento contínuo em áreas
com registros de anfíbios infectados pelo Bd
para verificar o status das populações naturais.
4. Determinar o genótipo da linhagem de Bd
presente na área com anfíbios infectados. São
quatro linhagens de Bd com diferentes
virulências.
5. Não soltar girinos de anfíbios ou adultos nos
corpos de água.
6. Controlar a venda ou remoção ilegal de
anfíbios para evitar a dispersão de Bd.
O que devo fazer se eu
encontrar anfíbios mortos na
natureza?
Foto © Save The Frogs 2013
Photo © Save the Frogs 2013
Espécies de anfíbios infectadas pelo
quitrídio no Brasil
Gustavo Ruano Fajardo e Tamí Mott
Universidade Federal de Alagoas
Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde
Av. Lourival Melo Mota s/n
57072-970 - Maceio, AL, Brasil.
Emails: ruano.gustavo@yahoo.com;
tamimott@yahoo.com
No Brasil, 41 espécies de anfíbios anuros (sapos, rãs e
pererecas), principalmente da região sul da Mata
Atlântica revelaram estar infectadas pelo fungo Bd.
Até o momento, nenhum declínio de anfíbio
brasileiro foi atribuído especificamente ao Bd,
entretanto, a maioria desses estudos foi realizada com
girinos.
Não existem métodos comprovados cientificamente
para controlar a doença na natureza. Entretanto,
medidas mitigadoras são adotadas mundialmente para
evitar a dispersão do fungo Bd e consequentemente
reduzir a ameaça de quitridiomicose nos anfíbios.
Foto © Vance Vredenburg 2008
1. Os sapatos devem ser lavados e desinfetados por
no mínimo um minuto com cloro (diluídos com água
a 10%) e depois secados completamente. Este
procedimento deve ser repetido cada vez que entrar
em um corpo d'água que já tenha sido detectado Bd.
Os pneus dos veículos também devem ser lavados e
desinfetados com cloro a 5 %.
Se você observar algum anfíbio com sinal de
infecção pelo Bd e/ou encontrar anfíbios mortos
por favor avisar o quanto antes órgão ambiental
de sua região: IBAMA ou ICMBio.
Além disso, por favor entrar em contato com a
Dra.
Tamí
Mott
pelo
e-mail:
tamimott@yahoo.com ou pelo telefone (82)
9635 6642.