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Research, Society and Development, v. 10, n. 10, e414101018991, 2021
(CC BY 4.0) | ISSN 2525-3409 | DOI: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v10i10.18991
Aumento do consumo de ivermectina no Brasil e o risco de surtos de escabiose
Increased use of ivermectin in Brazil and the risk of scabies outbreaks
Mayor consumo de ivermectina en Brasil y riesgo de brotes de sarna
Recebido: 02/08/2021 | Revisado: 08/08/2021 | Aceito: 10/08/2021 | Publicado: 15/08/2021
Alfredo Dias de Oliveira-Filho
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3192-8285
Universidade Federal de Alagoas, Brasil
E-mail: alfredo.dias@icf.ufal.br
Lucas Tenorio Carmo do Nascimento Bezerra
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9865-359X
Universidade Federal de Alagoas, Brasil
E-mail: lucaastenorio@gmail.com
Natalia da Silva Alves
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3876-0833
Universidade Federal de Alagoas, Brasil
E-mail: nataliasalves2@gmail.com
Sabrina Joany Felizardo Neves
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9651-0600
Universidade Federal de Alagoas, Brasil
E-mail: sabrina.neves@icf.ufal.br
Resumo
Após o início da pandemia causada pelo SARS-CoV-2, a ivermectina foi identificada como um fármaco com potencial
antiviral para tratamento de pacientes - a princípio hospitalizados e depois ambulatoriais - com COVID-19. No entanto,
a ivermectina pode estar relacionada a mecanismos de desenvolvimento de resistência de parasitas como o Sarcoptes
scabiei. Embora o consumo deste antiparasitário tenha aumentado quase 10 vezes no Brasil, curvas de contaminação e
morte relacionadas à COVID-19 não se alteraram. Pareceres do Ministério da Saúde do Brasil e da indústria
farmacêutica, somados a evidências científicas pouco favoráveis ao uso ambulatorial da ivermectina não foram capazes
de impedir a prescrição e automedicação baseada neste medicamento. Em adição, fatores como evidências de resistência
do Sarcoptes scabiei à ivermectina e intensificação de fatores relacionados à incidência de escabiose como pobreza,
baixa escolarização, confinamento familiar e aumento de compartilhamento de artigos domésticos podem levar à
manifestação de surtos de escabiose. Este aumento pode ser especialmente danoso para pacientes pediátricos de baixa
renda, além dos riscos à saúde da população em geral. O risco de aumento da resistência à ivermectina se soma ao
cenário ora apresentado, sendo um alerta para que medidas de controle de seu uso e monitoramento deste medicamento
sejam discutidas e implementadas.
Palavras-chave: Escabiose; Ivermectina; Resistência a medicamentos.
Abstract
Following the onset of the pandemic caused by SARS-CoV-2, ivermectin was identified as a drug with antiviral potential
for treating patients - initially hospitalized and then outpatients - with COVID-19. However, ivermectin may be related
to resistance development mechanisms of parasites such as Sarcoptes scabiei. Although the consumption of this
antiparasitic has increased nearly 10 times in Brazil, the contamination and death curves related to COVID-19 did not
change. Judgments from the Brazilian Ministry of Health and the pharmaceutical industry, added to scientific evidence
unfavorable to the outpatient use of ivermectin, were not able to prevent prescription and self-medication based on this
drug. Furthermore, factors such as evidence of resistance of Sarcoptes scabiei to ivermectin and intensification of factors
related to the incidence of scabies such as poverty, low education, family confinement and increased sharing of
household objects can lead to the outbreak of scabies waves. This increase can be especially harmful to low-income
pediatric patients, as well to health risks for the general population. The risk of increased resistance to ivermectin adds
to the scenario presented here, being an alert for measures to control its use and monitoring of this drug to be discussed
and implemented.
Keywords: Scabies; Ivermectin; Drug resistance.
Resumen
Tras el inicio de la pandemia causada por el SARS-CoV-2, la ivermectina se identificó como un fármaco con potencial
antiviral para tratar a los pacientes, inicialmente hospitalizados y luego ambulatorios, con COVID-19. Sin embargo, la
ivermectina puede estar relacionada con los mecanismos de desarrollo de resistencia de parásitos como Sarcoptes
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scabiei. Aunque el consumo de este antiparasitario ha aumentado casi 10 veces en Brasil, las curvas de contaminación
y muerte relacionadas con COVID-19 no cambiaron. Las sentencias del Ministerio de Salud de Brasil y de la industria
farmacéutica, sumadas a la evidencia científica desfavorable al uso ambulatorio de ivermectina, no pudieron evitar la
prescripción y la automedicación a base de este fármaco. Además, factores como la evidencia de resistencia de Sarcoptes
scabiei a la ivermectina y la intensificación de factores relacionados con la incidencia de la sarna, como la pobreza, la
baja educación, el confinamiento familiar y un mayor intercambio de objetos domésticos, pueden provocar el brote de
ondas de sarna. Este aumento puede ser especialmente perjudicial para los pacientes pediátricos de bajos ingresos, así
como para los riesgos para la salud de la población en general. El riesgo de aumento de la resistencia a la ivermectina
se suma al escenario aquí presentado, siendo una alerta para que se discutan e implementen medidas para controlar su
uso y seguimiento de este fármaco.
Palabras clave: Sarna; Ivermectina; Resistencia a las drogas.
1. Introdução
Em Janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto da COVID-19, causado pelo vírus SARSCoV-2, como um problema de saúde mundial. Uma das estratégias iniciais para contenção e manejo da pandemia foi o
reposicionamento de medicamentos para tratamento da doença. Entre os fármacos com potencial antiviral, estava a ivermectina,
um antiparasitário de amplo espectro com perfil de segurança aceitável para uso ambulatorial e mecanismos de ação antiviral
contra diversos vírus de RNA, como Zika e Dengue (Heidary, Gharebaghi, 2020; Sohrabi et al., 2020) No entanto, a ivermectina
pode estar relacionada a mecanismos de desenvolvimento de resistência de parasitas como o Sarcoptes scabiei, responsável pela
escabiose humana. Este artigo analisa o aumento do consumo da ivermectina, evidências da sua efetividade e segurança, bem
como os fatores associados ao aumento da incidência de escabiose e o seu histórico de desenvolvimento de resistência à
ivermectina.
2. Metodologia
Foi realizada uma revisão integrativa da literatura considerando a inclusão de relatos de caso, séries de casos, estudos
transversais, estudos de coorte, estudos de caso-controle, ensaios clínicos abertos ou controlados e revisões sistemáticas
publicados até Julho de 2021, em inglês, português, espanhol ou francês, que relataram o desenvolvimento de resistência do
Sarcoptes scabiei à ivermectina. A busca foi realizada nas bases de dados eletrônicas Scientific Electronic Library Online
(SCIELO), Publicações Médicas (PUBMED) e Literatura Latino-Americana do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). A
seleção dos descritores foi feita por meio de consulta aos Descritores de Assunto em Ciências da Saúde (DECs) e Medical Subject
Headings (MeSH). Os seguintes descritores em língua portuguesa e inglesa foram considerados: “escabiose”; “Sarcoptes scabiei”,
“ivermectina”; “resistência”; "scabies"; "ivermectin"; "drug resistance".
Para devida contextualização do risco de desenvolvimento de resistência à ivermectina durante a pandemia da COVID19, foram abordados adicionalmente o consumo da ivermectina no Brasil, as características da escabiose e os fatores
contributivos para o aumento da resistência do Sarcoptes scabiei à ivermectina no Brasil.
3. Uso da ivermectina para tratamento da COVID-19
3.1 Consumo da Ivermectina
Ao fim do primeiro semestre de 2020, a publicação de um ensaio in vitro que identificou ação antiviral da ivermectina
contra o vírus SARS-CoV-19 (Caly, Druce, Catton, Jans, & Wagstaff, 2020) deu início à discussão sobre o potencial deste
fármaco de baixo custo para tratar pacientes com COVID-19, o que levaria ao seu uso off-label em diversos países, especialmente
países da América Latina (Molento, 2021). Em tese, seu emprego intentava desenvolver proteção imunológica e ação antiviral
contra a COVID-19 em pacientes ambulatoriais (Caly, Druce, Catton, Jans, & Wagstaff, 2020). No entanto, estudo pré-clínico
subsequente não observou esse efeito em camundongos (Heidary, Gharebaghi, 2020). Uma hipótese para este decréscimo do
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efeito em cobaias é a necessidade de uma elevada concentração para inibir a replicação in vitro do vírus (5µM). Por comparação,
a concentração máxima de ivermectina já observada no organismo humano é de 0,28µM, considerada ineficaz contra o vírus
causador da COVID-19 (Guzzo et al., 2013; Momekov & Momekova, 2020; Peña-Silva, et al., 2021).
Embora órgãos regulatórios como a U.S. Food & Drug Administration (FDA) e posteriormente a fabricante Merck —
que co-desenvolveu e lançou o medicamento em 1987 — tenham desaconselhado o uso da ivermectina para o tratamento da
COVID-19 devido aos potenciais efeitos adversos neurotóxicos e hepatotóxicos em idosos e pacientes frágeis e à ausência de
evidências significativas que recomendassem então seu uso (Solomon, 2021; Zaheer, Pal, Abbas, & Torres, 2021), a partir de
Junho de 2020, as vendas de ivermectina no Brasil aumentaram consideravelmente, passando de R$ 44 milhões em 2019 para
R$ 409 milhões, configurando uma alta de 829% (Reis, 2021; Scaramuzzo, 2021). Isto pode ser visto em um estudo exploratório
e descritivo realizado em uma farmácia de Teresina, onde a venda de ivermectina aumentou consideravelmente, mesmo quando
comparado com os outros medicamentos candidatos, especialmente nos meses de Julho e Dezembro de 2020 e Março de 2021
(Sousa et al., 2021). Este padrão de consumo também foi observado em outros países da América do Sul (Mega, 2020).
As campanhas de tratamento com o “kit COVID” promovidas em diferentes localidades do Brasil podem justificar esse
aumento. No entanto, as curvas de contaminação e morte relacionadas à COVID-19 não se alteraram, mesmo quando comparadas
com grupos populacionais da mesma região que não usaram a ivermectina (Molento, 2021). Motivada por resultados de modelos
farmacocinéticos, que indicavam a necessidade de concentrações elevadas para observância de efeito clínico, a Organização
Mundial da Saúde (OMS) excluiu a ivermectina do SOLIDARITY Trial for repurposed drugs for COVID-19.
3.2 Evidências de efetividade da ivermectina para tratamento ambulatorial da COVID-19
Em 2021, a publicação de ensaios clínicos aleatorizados e revisões sistemáticas em revistas científicas e repositórios
pré-print — desta vez avaliando o efeito da ivermectina em casos leves de COVID-19 — renovou o impulso para a prescrição
do antiparasitário (Garegnani, Madrid & Meza, 2021). Entre estes estudos, uma Revisão Sistemática com Meta-Análise
conduzida por Hariyanto e colaboradores (Hariyanto, Halim, Rosalind, Gunawan, & Kurniawan, 2021) concluiu que o
medicamento em teste foi capaz de oferecer efeitos benéficos (redução da severidade e mortalidade; e menor tempo para redução
dos sintomas e para a alta hospitalar) em pacientes com COVID-19.
Algumas observações, contudo, devem ser levadas em consideração na análise dos resultados deste estudo. Primeiro,
10 dos 19 ensaios clínicos aleatorizados não adotaram mascaramento, os pacientes e profissionais em atendimento tinham
conhecimento do tratamento em uso (Shah Bukhari et al., 2021; Zeeshan Khan Chachar et al., 2020; Chowdhury et al., 2021;
Elgazzar et al., 2020; Hashim et al., 2020; Kishoria et al., 2020; Okumus et al., 2021; Podder, Chowdhury, Sina, & Haque, 2020;
Pott-Junior et al., 2021; Shouman et al., 2020). Segundo, após a avaliação da qualidade dos estudos incluídos de acordo com a
escala de Jadad, os autores identificaram 7 estudos de boa qualidade entre os 9 ensaios ECRs com duplo cegamento (Gheibi et
al., 2021; Gonzalez et al., 2021; López-Medina et al., 2021; Mahmud et al., 2020; Mohan et al., 2021; Pott-Junior et al., 2021;
Ravikitri et al., 2021). Terceiro, entre os 7 ECRs com duplo cegamento e boa qualidade metodológica, apenas 2 foram publicados
em revistas científicas (López-Medina et al., 2021; Pott-Junior et al., 2021). E quarto, estes 2 estudos têm resultados e conclusões
opostos, e tamanhos amostrais não equivalentes. No estudo de Pott-Junior, 32 pacientes foram divididos em 4 grupos, enquanto
no estudo de Lopez-Medina, 400 indivíduos foram divididos em 2 grupos. O primeiro ECR observou uma "redução” de carga
viral mais consistente nos grupos da ivermectina, quando comparados aos cuidados padrão". O segundo estudo, concluiu que a
ivermectina era inefetiva no tratamento de pacientes ambulatoriais com Covid-19.
Após a publicação de Hariyanto et. al (2021), outra revisão sistemática com meta-análise e meta-regressão foi publicada,
destacando uma associação positiva entre a ivermectina e a redução da mortalidade em pacientes com COVID-19 (Zein,
Sulistiyana, Raffaelo & Pranata, 2021). Este estudo incluiu 9 ECRs, dos quais, 6 já tinham sido incluídos na revisão de Hariyanto
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et. al (2021) (Elgazzar et al., 2020; Gheibi et al., 2021; Gonzalez et al., 2021; Hashim et al., 2020; López-Medina et al., 2021;
Ravikitri et al., 2021). A avaliação da qualidade metodológica, contudo, conduzida com o apoio do sistema GRADE (Zein,
Sulistiyana, Raffaelo & Pranata, 2021), indicou que os estudos incluídos apresentavam baixo grau de evidência quanto ao efeito
da ivermectina sobre a mortalidade. Em parte, o baixo nível de evidência identificado por essas revisões sistemáticas se deve à
elevada heterogeneidade dos ECRs, especialmente nos critérios de inclusão dos pacientes, nas diferentes posologias e dosagens,
na escolha do tratamento disponibilizado ao grupo controle e na escolha dos desfechos avaliados.
Em Julho de 2021, o Ministério da Saúde do Brasil, emitiu parecer contraindicando o uso da ivermectina em pacientes
hospitalizados por conta da Covid-19, mas não contraindicou seu uso ambulatorial, que vai além desta indicação e pode ocorrer
a partir de diversas apresentações comerciais, tais como xampus, cremes, injetáveis, colírios e, principalmente, comprimidos. O
amplo acesso a este medicamento, que inclui também a prática da medicina veterinária, vem provocando o desenvolvimento de
tolerância de endo e ectoparasitas, como por exemplo o Sarcoptes scabiei (Molento, 2009).
4. Escabiose
4.1 Características da Escabiose
A escabiose é uma doença caracterizada pela infestação cutânea causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, o que pode levar
à formação de pápulas eritematosas e coceira provocada pela reação inflamatória do hospedeiro em resposta ao ácaro e seus
resíduos.
A severidade desta doença depende da carga de ácaros (Hicks & Elston, 2009) e em casos mais leves, na chamada
escabiose comum, o hospedeiro costuma ter menos de 15 ácaros; enquanto, em casos mais severos como a escabiose norueguesa,
essa carga pode chegar a milhares de parasitas. Os casos mais graves são caracterizados por formação de crostas espessas e
escamosas na pele (Bhat, Mounsey, Liu & Walton, 2017). A formação de pápulas eritematosas e placas eczematosas têm
potencial de causar prejuízo na barreira da pele e subsequentes infecções secundárias (Thompson, Westbury & Slape, 2021),
causadas por bactérias como o Staphylococcus aureus, um agente capaz de provocar impetiginização aguda superficial, que pode
progredir para osteomielite, endocardite ou sepse bacteriana (Yeoh, Bowen & Carapetis, 2016; Engelman & Steer, 2018; Romani,
Steer, Whitfeld & Kaldor, 2015).
A incidência da escabiose é maior em regiões em desenvolvimento, em particular na América Latina, onde a incidência
é substancialmente mais alta em pacientes pediátricos abaixo de 2 anos, que assim como os imunocomprometidos, podem
apresentar lesões generalizadas (Cestari & Martignago, 2005; Leung, Lam & Leong, 2020). Recentemente, um estudo realizado
no Irã identificou fatores de risco para a escabiose em crianças, tais como: estar no sexto e oitavo ano estudantil, pais com baixa
escolarização e/ou desempregados, famílias com mais de 4 indivíduos e uso de artigos compartilhados. Alguns destes fatores se
acentuam em cenários de pandemia, especialmente em países em desenvolvimento como o Brasil (Sanei-Dehkordi et al., 2021).
4.2 Resistência à ivermectina
As primeiras evidências da resistência de ácaros à ivermectina surgiram alguns anos após a sua comercialização
(Pasternak, 2008). Em 1992, no norte da Austrália, duas doses de ivermectina mostraram-se ineficazes no tratamento aos danos
causados pelos ácaros (Currie, Connors & Krause, 1994). Já em 1996, observou-se que um regime de três doses foi introduzido,
mostrando-se ineficaz após um ano (Huffam & Currie, 1998). Na mesma época, foram observados casos de reincidência após
cinco doses (Mounsey, Holt, McCarthy, Currie & Walton, 2008). A recorrência de escabiose foi observada mesmo em esquemas
que incluíam mais de 30 doses (Currie, Harumal, McKinnon & Walton, 2004). Em 2009, uma análise longitudinal de dados de
sensibilidade do parasita in vitro observou que o tempo de sobrevivência da Sarcoptes scabiei havia dobrado em relação à década
anterior por exposição à ivermectina (Mounsey, Holt, McCarthy, Currie & Walton, 2009). Na mesma época, após a realização
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de um estudo observacional sobre um surto de escabiose em um lar de repouso para idosos na Holanda, os autores consideraram
que a resistência à ivermectina pode ter desempenhado um papel relevante no contágio e na dificuldade de tratamento de idosos
e membros das equipes de atendimento, concluindo que a resistência à ivermectina deve ser considerada em situações em que a
escabiose não seja endêmica e os pacientes continuam apresentando queixas, apesar do tratamento (van den Hoek et al., 2008).
Em revisão integrativa da literatura publicada em 2013, Mounsey e McCarthy observaram que, embora o uso de ivermectina
para o tratamento da escabiose tenha sido considerado para administração em massa, as evidências da sua superioridade em
relação a tratamentos alternativos eram inconclusivas em parte devido a vários relatos de casos de resistência em ambientes
humanos e veterinários, quando o medicamento foi usado intensivamente. Os autores deduziram que o desenvolvimento das
resistências foi associado ao uso repetido e inadequado da ivermectina. Apesar destas evidências, uma revisão sistemática sobre
a eficácia e segurança da ivermectina para tratamento de escabiose publicada em 2018 – sem ter no horizonte, portanto, o advento
da atual pandemia – observou que embora discussões sobre a resistência aos tratamentos para escabiosa tenham emergido, tais
casos seriam regionalmente limitados, e a evidência geral ainda escassa (Rosumeck, Nast & Dressler, 2018). O estudo concluiu
ainda que estudos focando em um possível desenvolvimento de resistência poderiam ser necessários no futuro. Por fim, há relatos
adicionais de que o uso intensivo da ivermectina levou ao surgimento de resistência em outros parasitas (Ashour, 2019).
4.3 Fatores contributivos para o aumento da resistência do Sarcoptes scabiei à ivermectina no Brasil
Atualmente, os elementos para o aumento da resistência do Sarcoptes scabiei à ivermectina no Brasil são: 1) aumento
exponencial do consumo de ivermectina, incluindo o seu uso repetido; 2) aumento da dosagem usual: enquanto a ivermectina é
usada em dose única para tratamento de escabiose, variando de 0,15mgKg a 0,2mg/Kg (CDC, 2021; Rosumeck, Nast & Dressler,
2018),
para tratamento ambulatorial de COVID-19, protocolos de ensaios clínicos e protocolos adotados no Brasil,
respectivamente adotaram e preconizaram duração de 3 a 10 dias, com doses em torno de 0,3mg/Kg (López-Medina et al., 2021;
Secretaria Municipal da Saúde, 2020); 3); resistência do Sarcotpes scabiei à ivermectina: evidências prévias associam esta
resistência principalmente a fatores regionais; 4) intensificação de fatores relacionados ao aumento da incidência de escabiose,
provocada por fatores epidemiológicos locais e pela crise sanitária decorrente da pandemia, tais como: aumento do número de
pessoas em situação de pobreza, baixa escolarização, confinamento de crianças e aumento do compartilhamento de artigos e
ambientes domésticos; 5) aumento dos casos de afecções cutâneas durante a pandemia: em comparação com o período prépandêmico, os diagnósticos de escabiose, e outras afecções cutâneas como urticária, psoríase e ictiose aumentaram
significativamente após o início da pandemia (Turkmen et al., 2020).
5. Considerações Finais
Deste modo, o aumento vertiginoso do uso ambulatorial de ivermectina e o histórico de resistência do Sarcoptes scabiei
causado por exposição excessiva ao antiparasitário pode levar a surtos de escabiose entre a população brasileira, dificultando
especialmente o tratamento de pacientes pediátricos. A ivermectina é um tratamento de baixo custo e venda livre, portanto, com
poucas barreiras de acesso. A persistência e difusão da escabiose pode causar aumento de mortalidade em crianças devido a
infecções secundárias, e prejudicar seu desenvolvimento pois leva a distúrbios do sono, reduzindo a sua capacidade de
concentração e produtividade, além dos riscos à saúde da população em geral.
Por fim, observa-se a necessidade de estudos sobre o desenvolvimento de resistência da escabiose em populações
expostas ao uso intensivo de ivermectina durante a pandemia, de modo a permitir uma base de comparação com as evidências
de resistência da escabiose em cenários não-pandêmicos.
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