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Maceió, 16 de fevereiro de 2024.
Por Profa. Dra. Alessandra Abel Borges
Professora de Imunologia e Virologia, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde /
UFAL
alessandra.borges@icbs.ufal.br
A Dengue está causando enorme preocupação neste início de ano. De acordo
com dados do Ministério da Saúde, o Brasil já registrou mais de 555 mil casos
suspeitos de dengue em 2024, e pelo menos 94 mortes confirmadas. (acessível em
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aedes-aegypti/monitoram
ento-das-arboviroses). Os estados que se encontram em estado de epidemia são
principalmente: Minas Gerais, Acre, Paraná, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro,
Distrito Federal e São Paulo.
Os dados de Dengue apresentados num informe do Ministério da Saúde,
referentes ao período entre as Semanas Epidemiológicas (SE) 01 a 05 de 2024 (e que
comparam dados com o mesmo período de 2023), mostram que em 2024 a média de
casos prováveis de dengue no Brasil nas cinco primeiras semanas do ano foi de cerca
de 67.000 casos /semana. No mesmo período em 2023 a média foi de cerca de 21.000
casos/semana. Na comparação para a Região Nordeste, entre 2023 e 2024, os
números de casos prováveis de dengue das semanas epidemiológicas 01 a 05 foram:
8.524 casos em 2023 e 9.250 casos em 2024, sendo a maioria no estado da Bahia, em
ambos os anos. Em Alagoas, neste período de cinco semanas, os dados foram de 227
versus 260 casos em 2023 e 2024, respectivamente.
Conforme divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) em
seu site na semana passada, no comparativo entre os anos de 2022 e 2023 os casos de
dengue diminuíram em quase 90% em Alagoas. Em todo o ano de 2023, Alagoas
registrou 4.287 casos de dengue e quatro óbitos, denotando uma diminuição em
comparação com o ano de 2022, no qual registrou-se 33.609 casos e 21 mortes. A
Sesau afirma que a redução foi alcançada por meio de ações como capacitação de
profissionais de saúde e suporte técnico da Sesau em todos os municípios alagoanos.
Um dado de alta relevância na vigilância epidemiológica da dengue, é referente
aos sorotipos do vírus Dengue que circulam em cada região. O vírus dengue apresenta
quatro sorotipos (1, 2, 3 e 4), que possuem diferenças genéticas, antigênicas e
epidemiológicas. Segundo o sistema Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL), que
mostram dados com base em amostras analisadas em laboratório, a distribuição dos
sorotipos de dengue nos estados brasileiros em 2024 tem um padrão desigual (vide
figura abaixo). Enquanto nos estados de MG, SP, PR e MA ocorre a cocirculação de três
sorotipos diferentes do vírus dengue (sorotipos 1, 2 e 3), aqui no estado de Alagoas,
por enquanto, está circulando atualmente apenas o sorotipo 1. Na maioria dos outros
estados do Nordeste, estão ocorrendo infecções pelos sorotipos 1 e 2.
Diferente do que se observava em anos anteriores, a região Nordeste está com
a menor incidência de dengue em 2024, em comparação com as outras regiões do país.
Não se sabe se essa situação de aparente “controle” vai permanecer assim nos
próximos meses, mas eu penso que há o risco de que a região entre também em
epidemia com a chegada das chuvas, especialmente nos meses de março e abril,
quando o número de reservatórios de água parada aumenta e permite maior
proliferação dos mosquitos Aedes aegypti, transmissores da dengue. O eminente
aumento no número de casos no Nordeste preocupa especialistas, pois vai se somar às
epidemias explosivas que já estão ocorrendo nas outras regiões do Brasil.
Em termos de fisiopatologia da doença e do risco de pessoas desenvolverem a
chamada dengue grave após a infecção (antigamente denominada síndrome do choque
da dengue), é sabido que nas localidades em que ocorre a cocirculação de mais de um
sorotipo do vírus dengue (situação de hiperendemicidade) o risco é sempre maior do
que onde circula um único sorotipo viral. Passar por reinfecções por dengue em um
intervalo de 6 meses a dois anos é fator de risco para manifestar formas graves da
doença, como aquelas com manifestações hemorrágicas e acometimento grave de
órgãos (como hepatite e encefalite, entre outras).
Portanto, quando se trata de dengue e de outras arboviroses (como Zika e
Chikungunya) há que se manter a vigilância e ações de controle realizadas pelo poder
público e, não menos importante: cada um deve fazer a sua parte! Vigiar sua casa e
eliminar reservatórios de água parada, destinar o lixo corretamente e não em vias
públicas nem terrenos baldios ou praias, e usar repelentes e raquetes elétricas para
evitar as picadas dos mosquitos transmissores.
Referências:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/arboviroses/informe-sema
nal/coe-dengue-informe-01-led_.pdf
https://www.saude.al.gov.br/sesau-apresenta-dados-da-dengue-em-alagoas-para-mini
sterio-da-saude/