Laudo_Técnico_-_Maré_Vermelha.pdf
Laudo_Técnico_-_Maré_Vermelha.pdf
Documento PDF (434.9KB)
Documento PDF (434.9KB)
Prof. Dr. Manoel Messias da Silva Costa – Pesquisador Pós doc
Biólogo, Especialista em Fitoplâncton, Mestre e Doutor em Botânica Criptogâmica
Laboratório de Aquicultura e Ecologia Aquática
LAUDO TÉCNICO
Componente principal: Maré Vermelha
MARÉ VERMELHA
É um fenômeno que acontece naturalmente em ambientes de água doce e marinho,
conhecido cientificamente por Floração de Algas Nocivas (FAN), que acontece, devido ao
aumento da quantidade de microalgas (fitoplâncton) presentes na água, que formam uma
espécie de mancha com coloração que podem variar do avermelhado, alaranjado ou amarelado.
A causa é a junção de diversos fatores físico-químicos, tais como: elevação do teor de nutrientes
na água, alterações de temperatura e salinidade, trazendo consequências graves na indústria de
pesca, turismo e saúde pública.
Como consequências negativas da maré vermelha, entre elas, podemos citar: aumento
da taxa de mortalidade de peixes e outros organismos aquáticos que são contaminados ao
consumirem fitoplâncton; desequilíbrio na cadeia alimentar aquática; irritações nas mucosas da
pele (dermatites), alterações gastrointestinais (diarreia, vomitos, náuseas e mal-estar),
inflamações das vias respiratórias (intoxicações por aerossóis - spray marinho) e problemas
circulatórios (tonturas) nos seres humanos. Inúmeros organismos causam a maré vermelha,
destacando o grupo dos dinoflagelados: Gymnodinium (envenenamento neurotóxico – NSP);
Gonyaulax (envenenamento paralisante – PSP) e Dinophysis (envenenamento diarréico – DSP),
bem como, a cianobactéria Trichodesmium erythraeum e ciliados como Mesodinium rubrum
(protozoário).
METODOLOGIA E RESULTADOS
O Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas/IMA realizou as coletas no
município de Barra de Santo Antônio, distando da capital 37 km, na praia de Carro Quebrado
e próximo ao resort da Vila Galé Alagoas, após 24h do registro da maré vermelha, totalizando
quatro amostras com capacidade de 1 litro cada, preservadas em álcool 70% e transportadas ao
Centro de Engenharia e Ciências Agrarias/CECA/UFAL, BR 104, Km 85, Rio Largo, Alagoas
Laboratório de Aquicultura e Ecologia Aquática, do Campus de Engenharia e Ciências
Agrárias/UFAL da Universidade Federal de Alagoas/UFAL.
Em laboratório foi realizada a filtragem das amostras com malha específica para o
fitoplâncton (20 µm), que se fez necessário, visto quer, o Instituto do Meio Ambiente do Estado
de Alagoas/IMA não realizou as coletas com rede de plâncton (equipamento necessário para
captura desses organismos) por não possuir esse equipamento (Fig. 1A e 1B). Após esse
procedimento, as amostras foram vertidas em câmaras de sedimentação (capacidade de 10 mL)
por 24h para contagem dos organismos utilizando microscópio biológico trinocular invertido
(K55-IVT / Kaski) com aumento de 400 vezes (Fig. 1C), equipamento adequado e precisão de
95% de confiabilidade para contagem de microrganimos. Foram analisadas triplicatas de cada
amostra enviada pelo IMA, bem como, as amostras coletadas 48h após o fenômendo da maré
vermelha, pela professora doutora Élica Amara Cecília Guedes Coelho, do Laboratório de
Ficologia/LABOFIC do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde/ICBS, Universidade
Federal de Alagoas/UFAL, que realizou as coletas com rede de plâncton e fez a identificação e
contagem dos organismos.
Como resultados, foram identificados organismos que estão relacionados com a maré
vermelha, porém, com quantidade irrisória que não caracteriza a maré vermelha e que teríamos
que observar uma grande quantidade de células nas amostras coletadas e analisadas (mínimo
de 20.000 células por mililitro de água) (Fig. 2A-D).
Figura 1. A-B) Rede de Plâncton (malha de 20 µm). C) microscópio biológico trinocular invertido.
Centro de Engenharia e Ciências Agrarias/CECA/UFAL, BR 104, Km 85, Rio Largo, Alagoas
Figura 2. Espécies de dinoflagelados identificados nas amostras coletadas na praia de Carro Quebrado. A)
Gymnodinium sp., B) cisto de Gymnodinium, C) Dinophysis, D) Gonyaulax.
CONCLUSÃO
Apesar do fenômeno ter sido relatado por populares e sintomas ocasionados pela maré
vermelha em frequentadores locais e banhistas, não foram observados in loco, manchas
avermelhadas pela equipe técnica do Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas/IMA e
nem tampouco pela docente da UFAL, professora Élica Guedes-Coelho.
Baseados nos parâmetros físico-químicos da água e análise por microscopia óptica, não
foram observadas microalgas que liberam toxinas, em quantidades satisfatórias para provocar
a maré vermelha. Possivelmente fatores condicionantes como o tempo entre 24 e 48 horas das
coletas e a atividade hidrodinâmica, como correntes e marés, após os sintomas aparecerem no
ambiente e na população, foram determinantes para o fenômeno dissipar e não ser possível a
conclusão de qual espécie pode ter causado o problema.
Centro de Engenharia e Ciências Agrarias/CECA/UFAL, BR 104, Km 85, Rio Largo, Alagoas