Ufal faz 65 anos superando desafios para oferecer uma educação de qualidade
Uma instituição que, nas palavras do reitor Josealdo Tonholo, “é um vetor de desenvolvimento social”
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O atual reitor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Josealdo Tonholo, já enfatizou algumas vezes, em momentos de celebração, o papel social, econômico e educacional da instituição: “Um vetor”, porque a Ufal carrega um potencial transformador que é transmitido em cada ação de ensino, pesquisa e extensão, com abrangência em todo o estado.
De fato, ao celebrar os 65 anos da maior instituição de ensino superior de Alagoas, podemos falar da importância da Ufal com imagens, números, premiações, conquistas, realizações, produções científicas, mas, ainda mais relevante é registrar quantas histórias de vida passam pelos corredores e salas de aula da Universidade.
Em todas as colações de grau, na posse de novos servidores, nas homenagens aos membros da comunidade acadêmica, ouvimos depoimentos emocionantes que reafirmam: a maior riqueza desses 65 anos de universidade são as vidas transformadas, pessoas que se capacitaram para colaborar com o crescimento social, que compartilharam conhecimento para o crescimento coletivo.
Somos testemunhas de quantas vidas foram marcadas e transformadas pelos ensinamentos e pela vivência na Universidade. São histórias de estudantes do interior de Alagoas, que tiveram a oportunidade de fazer intercâmbio em universidades de outros países, ou de estudantes que vieram de outros países para fazer parte desta comunidade acadêmica. A maioria voltou com mais experiência e conhecimento na bagagem. Mas teve quem ficou.
A Ufal, que já foi morada para Vagner Gomez Bijagó, aluno intercambista do Programa de Cooperação Educacional do governo brasileiro com países da África e América Latina (PEC-G), se tornou endereço profissional desde 2013, quando ele passou a fazer parte do corpo docente da Universidade.
Bijagó estudou Ciências Sociais e mestrado em Sociologia na Ufal e tem atuação acadêmica e social marcada pela defesa antirracista, pela valorização de saberes africanos e a promoção de políticas afirmativas. Natural de Guiné-Bissau, o professor promove debates sobre história e cultura afro-brasileira, envolvendo comunidades quilombolas e indígenas, ampliando a presença e o significado desses conhecimentos na Universidade e na sociedade alagoana. Atualmente Bijagó coordena o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) no Campus do Sertão.
Ao tempo em que ele saía de outro continente para transformar sua vida na Ufal, Josenilda Lima cresceu ao lado do campus sonhando em fazer parte desta comunidade acadêmica. Ela acreditou e saiu da antiga favela conhecida como “Cidade de Lona” para viver esse sonho. “Foi muito difícil chegar aqui, muitos jovens da minha geração morreram vítimas da violência", relembrou durante entrevista à Rádio Ufal.
Sua jornada acadêmica foi conquistada com muita dedicação: Josenilda agora é doutora em Linguística, mestra em Educação, especialista em Gênero e Diversidade na Escola e bacharela em Serviço Social. Atualmente, atua na Biblioteca Central da Ufal, onde desempenha um papel essencial para a comunidade acadêmica. Além disso, faz parte da equipe multidisciplinar da Universidade Aberta do Brasil (UAB) da Ufal e é professora formadora da Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Mais uma vida moldada pela vivência proporcionada pela universidade alagoana.
E é isso que faz a educação: molda, transforma, reinventa. Os estudos também foram capazes de alterar o percurso da vida de Cícero Santos, secretário-executivo da Pró-reitoria Estudantil (Proest) da Ufal. Sua trajetória pessoal, marcada pelo abandono familiar, pela vivência nas ruas e pela institucionalização ainda na infância, tornou-se também objeto de investigação acadêmica. Ele realizou uma pesquisa sobre o abandono na infância e seus impactos nos percursos educacionais de pessoas que viveram em instituições de acolhimento.
Hoje, doutor em Ciências da Educação pela Universidade do Porto, em Portugal, Cícero destaca a educação como elemento central na construção de novas possibilidades de vida. Ele ressalta que o acesso à escola, à universidade e a políticas de permanência estudantil foi determinante para a sua própria formação, evidenciando o papel da universidade pública como espaço de acolhimento, inclusão e transformação social.
Exemplos como esses já foram considerados exceção, mas em 65 anos de história, as oportunidades criadas dentro dos campi da Ufal representam mudanças reais de várias gerações. Pessoas entraram sob uma perspectiva e saíram abertas e capacitadas para o que quiseram buscar. Juventudes transformadas e uma vida inteira de conhecimentos propagados. E tudo está em movimento. São 65 anos atravessando diferentes momentos históricos e formando quem pode continuar esse legado.
Fundação e Identidade histórica
A Universidade Federal de Alagoas foi criada por ato do presidente Juscelino Kubitschek, em 25 de janeiro de 1961. No final do seu governo, no Palácio da Alvorada, na capital da república recém-transferida para Brasília, o reitor Aristóteles Calazans Simões (A.C. Simões) alcançou a assinatura presidencial para a criação da Ufal.
Sobre esse período, disse o reitor: “Num Estado pequeno e pobre como as Alagoas, a instituição e o desenvolvimento de uma Universidade em seu seio trará, não tenhamos dúvida, verdadeira revolução não somente sociocultural, mas, ainda, verdadeira revolução econômico-financeira”. Simões foi o primeiro reitor da Ufal, unindo as faculdades de Direito, Medicina, Filosofia, Economia, Engenharia e Odontologia, e deu nome ao campus sede, em Maceió.
A instituição presente em todas as áreas do conhecimento, com relevantes contribuições ao desenvolvimento de Alagoas já esteve sob a gestão de 12 reitores. Atualmente está no segundo mandato do professor Josealdo Tonholo, ao lado da vice-reitora Eliane Cavalcanti.
“São seis décadas e meia que a Ufal produz ciência, forma profissionais e transforma a sociedade! Sua história ao longo dos 65 anos mostra o poder transformador da educação. Distribuída praticamente por todo Estado, seja de modo presencial ou semipresencial, a nossa instituição demonstra sua importância para todo o povo alagoano. Comemoramos esses 65 anos com conquistas importantes, a exemplo, do aumento de conceito nos cursos de pós-graduação e a manutenção da certificação pelo Selo Social da ONU. Tudo isso ratifica o trabalho desenvolvido pela nossa comunidade para a gente que constrói diuturnamente Alagoas”, destacou Eliane.
Expansão e impacto social e científico
Um marco fundamental na história recente é a presença da Ufal em todo o estado. A criação do Campus Arapiraca foi aprovada pela resolução do Consuni nº 20/2005, de 1° de agosto de 2005; inaugurado em 16 de setembro de 2006. Já em 2010 o mar de conhecimentos se abriu no sertão alagoano com a chegada do Campus do Sertão, sediado em Delmiro Gouveia. Hoje a Ufal está presente também nas cidades de Santana do Ipanema, Rio Largo, Viçosa, Palmeira dos Índios e Penedo, que vai receber o prédio do novo campus, com investimento de R$ 13,6 milhões – já com a ordem e serviço assinada.
“O estado de Alagoas é outro depois da Ufal mais presente geograficamente, presente nos três turnos, na educação a distância com polos em 17 municípios, sem contar a amplitude da nossa diversidade. Na década de 90, era basicamente uma instituição de homens brancos e bem aquinhoados. Hoje é uma universidade que abraça absolutamente todas as cores, todas as orientações, e é muito mais inclusiva do ponto de vista religioso, de gênero e das vulnerabilidades”, comentou o reitor Josealdo Tonholo.
A Ufal atende cerca de 29 mil estudantes, representando uma parcela vital da educação superior em Alagoas. O semestre letivo 2025.2 foi o que mais teve retenção de alunos desde 2018, chegando a 94%, deixando o número de evasão em seu menor patamar da última década. A maior instituição pública de ensino superior do estado oferece 103 cursos de graduação e 5 cursos técnicos, 65 cursos de pós-graduação stricto senso, sendo 50 cursos de mestrado e 15 de doutorado, e 35 cursos de especialização.
A qualidade do ensino ofertado é anualmente confirmada por métricas oficiais de institutos de educação. A pós-graduação comemora sua a ascensão alcançando um feito inédito na Avaliação Quadrienal 2021–2024, realizada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Dos Programas de Pós-graduação (PPG) avaliados, 17 tiveram aumento nos conceitos, sendo o de Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos (PPG-Dibict) alcançando nota 7, conceito máximo, e o PPG de Física com nota 6. Esse resultado deixa a Ufal com três programas no seleto grupo de universidades que alcançaram o título de Programa com Excelência Internacional. O doutorado em Biotecnologia – Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio) também já havia atingido conceito 6 no quadriênio anterior e manteve.
“Das 20 instituições da região Nordeste, a Ufal foi a que percentualmente mais aumentou. Nós não somos mais uma instituição periférica, hoje a gente está no cerne da qualidade. Isso é um sinal de que há uma maturidade não só das atividades de pesquisa, mas também há respaldo, do ponto de vista da estrutura do sistema de inovação do Estado de Alagoas para que isso tudo aconteça”, disse o reitor, destacando a parceria de fomento com o governo do estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal) e da Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti AL).
São mais de 3,2 mil servidores técnicos e docentes trabalhando pelo funcionamento integral da instituição, sendo 1.628 professores. Sob a gestão recente, a Ufal saltou de 84 para 215 pesquisadores bolsistas de produtividade do CNPq, alcançando patamares inéditos com a sede de dois Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs). Agora, a Ufal sedia o INCT Bioinovações para Agricultura Sustentável, coordenado pelo professor Antonio Euzebio Goulart Santana, no Campus de Engenharias e Ciências Agrárias (Ceca), em Rio Largo, e o INCT IA.Edu – Instituto Nacional de Inteligência Artificial na Educação Desplugada, projeto liderado pelo professor Ig Ibert Bittencourt, do Instituto de Computação e do Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (Nees) da Ufal.
O último ano também foi de comemoração após a campanha para receber o Selo Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – Educação (ODS EDU), do Instituto Selo Social. Todos os 27 projetos da Ufal inscritos foram aprovados e conquistaram o Selo ODS EDU. A certificação coloca a Ufal como instituição comprometida com a sustentabilidade em todas as suas dimensões.
Cultura e Comunicação
Uma Universidade completa em todas as áreas. Responsável por difundir a cultura alagoana e proporcionar experiências plurais, a Ufal assina a organização de eventos que já se consolidaram no calendário oficial de Alagoas. A Bienal Internacional do Livro é a única gratuita e oferece dez dias de programação diversa entre lançamentos de livros, debates, oficinas e apresentações artísticas, com a intensa participação da Escola Técnica de Artes da Ufal e dos cursos de graduação de Teatro, Música e Dança.
Já o Festival de Música de Penedo (Femupe), ligado ao curso de licenciatura em Música, é o maior do gênero em Alagoas com diversidade e ecletismo da programação, além de impactar positivamente na economia e no turismo locais. Há 15 anos, Penedo também é palco do Circuito de Cinema. O tradicional evento realizado em parceria com o governo de Alagoas e o Instituto de Estudos Culturais, Políticos e Sociais do Homem Contemporâneo (IECPS) reúne diversos festivais dentro da programação, como Festival Brasileiro de Cinema; Festival de Cinema Universitário de Alagoas; Festival Velho Chico de Cinema Ambiental; e Mostra de Cinema Infantil.
Todas as ações promovidas pela Universidade contam com a contribuição dos canais oficiais de comunicação para difundir as informações e compartilhar histórias de quem faz a Ufal nesses 65 anos. Os primeiros registros foram imortalizados no Acervo Imagético Manoel Mota, disponível on-line, assim como os produtos e serviços oferecidos pela Assessoria de Comunicação.
A jovem senhora Ufal “tá on” em multiplataformas como Instagram, Facebook, Youtube, Flickr e, há quase oito anos, também como Rádio Ufal web, por meio do site próprio, aplicativo Rádios.net e plataformas de streaming como Spotify e Deezer.
A emissora que atua como a voz da ciência e cultura, tem se destacado pela pluralidade de conteúdo. Entre os programas mais divulgados estão Ufal e Sociedade, com entrevistas sobre ciência, cultura e sociedade, que já tem mais de 260 edições; e Ufal Entrevista, flashes jornalísticos ao vivo sobre temas de relevância acadêmica e social. Sem contar as coberturas e transmissão ao vivo dos grandes eventos da instituição, como Bienal no Ar, Sons do Velho Chico, do Festival de Música de Penedo, e Conecta Sinpete, durante a programação da Semana de Pesquisa, Tecnologia e Inovação na Educação Básica (Sinpete), que estreou em 2025.
Campanha 65 anos
Como parte da celebração dos 65 anos da Ufal, a Ascom presenteou a Universidade com um Selo Comemorativo desenvolvido pela coordenadora do Núcleo de Criação, Camila Fialho, e uma série documental, dirigido pelo jornalista Roberto Amorim. Em 11 episódios, dedicados aos reitores e reitoras, a história da Ufal foi contada a partir da perspectiva dos gestores que viveram períodos institucionais singulares.
“São histórias longas, densas, e a gente optou por uma linguagem etnográfica, sem muitos efeitos. O mais importante é a pessoa e o que ela tem a dizer. A Universidade que temos hoje é fruto de decisões tomadas em contextos históricos muito específicos”, afirmou Amorim.
Além da série, a campanha inclui o lançamento de um catálogo digital, que reúne imagens históricas, registros dos episódios e bastidores da produção, mantendo a identidade visual comemorativa dos 65 anos.
Para a coordenadora da Ascom, Simoneide Araújo, o projeto simboliza o papel da comunicação institucional. “A Universidade não é feita apenas de prédios. Ela é feita de pessoas. Mostrar esse legado é uma forma de fortalecer o sentimento de pertencimento e de reafirmar a importância da Ufal para Alagoas”, disse.
Confira aqui a entrevista na Rádio Ufal sobre os detalhes dessa produção. Os quatro primeiros episódios da série de documentários Dizeres e Memórias do Reitorado já está disponível no canal oficial da Ufal no Youtube. Vamos celebrar a história da Ufal!
Em anexo, veja a apresentação sobre a concepção do selo dos 65 anos.