Oficinas promovem o encontro entre a teoria e o aprendizado prático no Femupe
Foram dez oficinas temáticas com programações nos dias 23 e 24, totalizando 80 horas de vivência musical com estudo, troca e superação de desafios
Para além das apresentações, o 18º Festival de Música de Penedo (Femupe) guarda nas suas salas de aula e espaços de oficina o encontro entre a teoria e o aprendizado prático. Foram dez oficinas temáticas com programações nos dias 23 e 24, totalizando 80 horas de vivência musical com estudo, troca e superação de desafios.
Servidora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e professora do curso de extensão do Laboratório de Violino, Iannara Farias conduziu a oficina de cordas com os instrumentos musicais violinos e violas, no Convento e Igreja Santa Maria dos Anjos. Ela destaca que o foco foi nivelar o aprendizado através de fundamentos essenciais. "Nós conseguimos trabalhar a questão de sonoridade, que é em comum para todos, como melhorar a postura, melhorar a afinação, porque aí, em todos os níveis que a gente melhora esses pontos, todos eles conseguem melhorar em cada dificuldade individual", explicou.
De acordo com a professora, a realização da oficina contribuiu para preencher lacunas de ensino na região e conectar novos talentos à prática musical coletiva. “Os meninos que moram aqui, que se inscreveram na oficina, disseram que não tem professor de violino aqui em Penedo. Então, eles acabam tendo uma orientação pelos vídeos que eles veem no Youtube, o que acaba não sendo algo muito específico para a dificuldade de cada um”, falou.
Para estimular uma instrução contínua, Iannara se dispôs a criar um grupo em uma rede social para impulsionar o aprendizado, fato que demonstra a importância do Femupe no fomento ao conhecimento. “A gente vai se manter em contato, para ao longo do ano eu estimulá-los também com algumas atividades à distância e trocar informações sobre eventos na área”, disse Iannara.
Um dos participantes da oficina foi o estudante do primeiro período de Música da Ufal, D'Angelo Andrade, que participa do evento em pela terceira vez. Vindo de uma família de músicos e tendo o piano como instrumento principal, D'Angelo fez questão de dedicar sua participação no festival ao estudo do violino. "Das três vezes eu vim com o violino pela qualidade dos professores, que são professores que eu já conheço de Maceió e que são muito bons. Não podia perder a experiência de estar trabalhando a técnica e a afinação com eles e estar podendo progredir nos meus estudos", ressaltou.
O piano se soma ao violino
No segundo dia, a Oficina de Cordas contou com uma participação especial: a maestrina Sarah Higino, do Rio de Janeiro (RJ), que participou do Festival para coordenar o Ensaio de Orquestra, juntou-se ao grupo para somar à melodia das cordas a suavidade do piano. Com a bagagem de quem começou no piano aos cinco anos de idade, a regente destacou que o maior desafio nesses encontros temporários é conseguir equilibrar os diferentes níveis de conhecimento dos participantes.
Segundo Sarah, o grupo reunia desde alunos iniciantes até instrumentistas com mais tempo de estudo. "Quando você vai para um festival, você encontra, primeiro, a diversidade dos pontos de onde aqueles jovens vem, e, depois, você encontra a diversidade de professores e das técnicas que eles abordam com os seus alunos. Mas a música é isso, né? A gente se encontra. O grande desafio é sempre você conhecer as pessoas e fazer com que elas se nivelem dentro daquele repertório que foi estabelecido", avaliou.
Para ela, a escolha das peças precisava garantir que todos se sentissem motivados a tocar juntos. Mais do que a técnica em si, a maestrina enfatizou a dimensão social do fazer musical em conjunto. "A música faz essa interação também do social. Enquanto um fala, o outro ouve. A parte do outro é mais importante, então eu tenho que me resguardar e valorizar. Isso é o quê? Isso é viver em sociedade", observou.
Durante os dois dias de evento, foram realizadas as seguintes oficinas: Trombone, com Neris Rodrigues (PE); Violão, com Ivan Oliveira (Portugal); Trompete, com Gileno Santana (Portugal); Flauta, com Stefania Johnson (RS); Saxofone, com Eric Almeida (BA); Clarineta, com João Paulo (RN); Tuba e Bombardino, com Fernando Deddos (RN); Musicoterapia, com Gleyce Anne (SP); Música e Literatura, com Ticiano Biancolino (AL); e, claro, a de Cordas (violinos e violas), com Iannara Farias.
O Femupe
O Festival de Música de Penedo (Femupe) é uma realização da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), executado por meio do Centro de Musicologia de Penedo (Cemupe) e da Pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proexc).
O evento é fruto da união institucional com o Sesc Alagoas, Prefeitura de Penedo, Banco do Nordeste, Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Associação dos Empresários e Empreendedores do Turismo e da Economia Criativa de Penedo (Astec), Sebrae Alagoas, Sociedade Montepio dos Artistas de Penedo e outros parceiros.