Pesquisadores criam startup para promover educação alimentar nas escolas

Iniciativa inovadora propõe abordagem integrada ao currículo da educação básica, com material didático atrativo respeitando as diretrizes legais e pedagógicas vigentes

Por Ryan Charles - estudante de Jornalismo
Guilmer Brito e Mônica Assunção, idealizadores da startup
Guilmer Brito e Mônica Assunção, idealizadores da startup

Em janeiro de 2026, o Conselho Estadual de Alimentação Escolar de Alagoas (CEAE/AL) publicou a Resolução nº 001/2025, que estabelece diretrizes para a oferta de alimentos nas cantinas escolares e destaca a necessidade de ações educativas permanentes voltadas a estudantes, famílias e profissionais da educação, em consonância com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

Apesar de a resolução ser recente, a demanda atende a uma reivindicação antiga de pesquisadores da saúde e da educação que há muito questionavam o consumo excessivo de gêneros alimentícios ultraprocessados no ambiente escolar diante dos danos à saúde de crianças e adolescentes.

Na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a professora Mônica Assunção, nutricionista, doutora em Saúde da Criança e do Adolescente e docente da Faculdade de Nutrição (Fanut), e o professor Guilmer Brito, doutor em Educação e especialista em tecnologias educacionais, da Coordenadoria Institucional de Educação a Distância (Cied), se uniram para criar um projeto que promete ser parceiro estratégico das instituições de ensino alagoanas na promoção de hábitos alimentares mais saudáveis: a startup Semeando Educação Nutricional (SEN).

De acordo com Mônica, a proposta surgiu da necessidade de levar para as escolas uma educação alimentar e nutricional que atendesse também à dimensão pedagógica. Dada a sua experiência como nutricionista infantil, ela notava que o tema era tratado de forma muito pontual nas escolas, com ações isoladas como jogos ou receitas, quando o necessário era incluir os conteúdos de forma natural e dinâmica no cotidiano escolar.

“O que a gente precisava era colocar a educação alimentar e nutricional da forma como ela é preconizada no Pnae: de maneira transversal aos conteúdos de sala de aula. Não como uma disciplina a mais, mas integrada ao que as crianças já estudam em Ciências, Matemática ou Português. A ideia é que, por meio dos módulos, a criança aprenda a comer melhor na escola e leve esse aprendizado para a vida”, explicou.

Os idealizadores articularam os conteúdos da educação alimentar e nutricional à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A ação desenvolvida transforma a Educação Alimentar e Nutricional (EAN) em uma prática educativa integrada ao currículo escolar, respeitando as diretrizes legais e pedagógicas vigentes.

“Um ponto essencial, que precisa ser frisado, é que nós tínhamos um conteúdo técnico muito consistente, que era o conteúdo nutricional. O grande desafio foi transformar esse conteúdo técnico em um material didático, atrativo e inovador, capaz de dialogar com o universo das crianças. Utilizamos diversas estratégias didáticas ligadas à área da educação. Trabalhamos com gamificação, histórias em quadrinhos, além de vários elementos de jogos e interatividade. Tudo isso foi pensado para que o material abordasse o conteúdo nutricional de forma pedagógica e tivesse ligação direta com os conteúdos que as crianças já veem em sala de aula”, detalhou Guilmer Brito.

Mônica frisou que o projeto, inicialmente, foi desenvolvido para crianças do Ensino Fundamental I, mas pode ser ampliado para outras séries, sendo aplicável tanto à rede pública quanto à rede privada de ensino. “A intenção é que as escolas utilizem o material ao longo de todo o ano, com cada criança tendo acesso ao seu módulo. O material inclui um módulo físico e uma plataforma de jogos on-line, sempre com foco no uso consciente de telas”, detalhou.

Destaque inovador

O trabalho inovador garantiu à SEN reconhecimento nacional. A startup foi selecionada no Edital Startup Nordeste, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que avalia projetos com base em pilares fundamentais de maturidade e potencial de crescimento.

Os representantes da Ufal conquistaram a 9ª colocação entre 40 propostas classificadas. Para Mônica, o resultado reflete o amadurecimento do projeto e reforça que a Ufal é um celeiro de profissionais que contribuem com a educação e com a transformação do conhecimento para a sociedade.

“Para mim, é motivo de muita gratidão que esse projeto tenha nascido dentro da universidade. Nos 65 anos da Ufal, fico muito feliz em poder contribuir com um projeto que une saúde, educação e inovação e que é totalmente autoral”, exclamou.

Agora, o projeto segue em fase de implementação. Para os idealizadores, a expectativa é de crescimento ao longo deste ano. “O material já está sendo validado no mercado e a nossa expectativa é que ele contribua de forma efetiva para a educação alimentar e nutricional, cumprindo o papel pedagógico e social para o qual foi concebido”, destacou Guilmer.

Para saber mais sobre o funcionamento da startup, assim como o plano e a execução nas escolas, é possível acessar as redes oficiais do projeto no Instagram: @semeandoedunutricional.

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