Ufal amplia inclusão digital com novo Centro de Recondicionamento de PCs
Parceria com o Ministério das Comunicações traz para a Universidade o Centro de Recondicionamento de Computadores, que prevê capacitação de mil jovens e doação de 650 equipamentos a comunidades em situação de vulnerabilidade
- Atualizado em
Foi inaugurado na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) o Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC) do estado, na quinta-feira (26). A instituição foi contemplada, por meio de uma iniciativa do Ministério das Comunicações, do governo federal, e essa ação representa um marco histórico que promete fortalecer a inclusão digital de jovens, adultos e pessoas idosas.
O espaço é coordenado pelo Instituto de Inovação e Economia Circular (IEC), e, além da Ufal, contou com o apoio do governo de Alagoas, da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e da Inovação (Secti), do Instituto Anjos Digitais e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal). O galpão, localizado no Campus A.C. Simões, será utilizado para a reforma ou reconstrução de computadores descartados por instituições financeiras e órgãos públicos, para posterior doação a entidades que trabalham com comunidades carentes.
Para Weldon Bispo, diretor do IEC-Brasil e coordenador do CRC Maceió, o espaço vai além da recuperação de equipamentos, simboliza a recuperação de oportunidades.
Além disso, o espaço funcionará como local capacitador, fornecendo cursos da área da tecnologia, como informática básica; manutenção de smartphones; mídias sociais para o empreendedorismo; recondicionamento de computadores; consertos e pequenos reparos em computadores; e reparos em equipamentos eletroeletrônicos diversos. E a Ufal é o primeiro ponto para a aplicação destes cursos.
De acordo com o coordenador-geral de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações, Gustavo André Lima, o projeto conta com um investimento de R$ 600 mil e tem como meta capacitar ao menos mil jovens em letramento digital, informática básica, manutenção e recondicionamento de computadores e celulares.
“Além da formação, a iniciativa prevê a doação de pelo menos 650 equipamentos já neste primeiro momento. Somente hoje, foram doados 500 computadores, que serão destinados à criação de pontos de inclusão digital em diversos municípios, atendendo comunidades quilombolas, colônias de pescadores, escolas públicas e outros equipamentos sociais. É um programa completo, que reúne inclusão digital, capacitação técnica e doação de equipamentos”, destacou.
Margarida Andrade é representante das comunidades quilombolas em Alagoas, áreas que vão receber as doações dos equipamentos posteriormente, e declarou a importância desse projeto. “Falo aqui em nome das 82 comunidades quilombolas do estado de Alagoas. Somos mais de oito mil pessoas representadas nesse momento. Esses computadores representam oportunidade. Por isso, quando falamos em inclusão social por meio da tecnologia, estamos falando de algo muito concreto. Muitos jovens não têm nenhum equipamento em casa. Esses computadores reciclados e recondicionados chegam para transformar essa realidade. Eles permitem que nossos jovens estudem, façam pesquisas, imprimam trabalhos e tenham acesso ao mundo digital”, disse a representante.
O reitor da Ufal, Josealdo Tonholo, afirmou que este é um momento especial para a Universidade, principalmente por firmar parcerias com algumas das principais instituições do estado. Além disso, ele ressaltou como o projeto também realiza um trabalho essencial para a conscientização do valor da educação e da reciclagem.
“Estamos falando de um projeto que une sustentabilidade, formação técnica e impacto social, permitindo que mais pessoas tenham acesso à tecnologia e a oportunidades de qualificação. Essa parceria com o IEC e com o CRC está totalmente alinhada ao que temos trabalhado do ponto de vista da responsabilidade social e do desenvolvimento. Ela dialoga com os ODS [Objetivos de Desenvolvimento Sustentável] e com o compromisso de construir uma universidade transformadora, dentro dos preceitos da Agenda 2030”, reafirmou.
Desenvolvimento institucional
A professora do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da Ufal, Rosaline Mota, foi uma das impulsionadoras para que o projeto tivesse sua sede na instituição e acredita que o espaço será ideal para o crescimento coletivo da comunidade.
“Esses cursos são profissionalizantes, que podem direcionar jovens, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade, para oportunidades de primeiro emprego. Ao mesmo tempo, oferecemos cursos de formação geral e continuada, voltados para quem deseja ampliar conhecimentos e se atualizar na área tecnológica. Além da formação técnica, também trabalharemos com uma forte perspectiva de letramento digital voltado à inclusão social. Ou seja, não é apenas aprender a consertar equipamentos, mas compreender o uso consciente e produtivo da tecnologia”, exclamou.
A estudante do curso de Ciências Biológicas da Ufal, Glórya Karine, é uma das jovens que fazem parte da turma inicial dos cursos e ela enxerga nesse novo espaço uma oportunidade de crescimento profissional e pessoal.
“Eu sempre tive dificuldade com o computador, com a parte de informática, e eu sei que aqui, com os cursos gratuitos, eu vou conseguir aprender melhor sobre essa área e também no meu trabalho. Eu preciso realmente aprender sobre isso. E por estar dentro da Ufal, aproxima os alunos que passam o dia aqui e não têm como ir para outro lugar para fazer um curso, além da gratuidade que é muito importante para nós durante a formação”, disse a estudante.
Retorno social garantido
Como o projeto visa à recuperação de equipamentos eletroeletrônicos inutilizáveis, será feita o recolhimento de aparelhos quebrados da própria Ufal para a restauração, porém também será aceita a doação de estudantes, docentes e técnicos, assim como da população em geral.
O pró-reitor de Gestão Institucional, Jarman Aderico, explicou que esta decisão de abrir ao público é uma forma de mudar paradigmas sobre o descarte consciente. “Aquilo que antes era tratado como lixo agora passa a ser compreendido como um bem com potencial de impacto social. Esses equipamentos podem ser recondicionados e transformados em instrumentos de inclusão e capacitação, beneficiando tanto a comunidade acadêmica quanto a quem vive no entorno do campus, que antes não tinha local adequado para descarte em Maceió e em Alagoas. Agora, há um destino responsável, com retorno social garantido”, avisou
Biblioteca Central ganha Ponto de Inclusão Digital
A parceria com o Ministério das Comunicações também rendeu um segundo ganho para a Ufal. É que foi instalado na Biblioteca Central o Ponto de Inclusão Digital, com novos computadores para auxiliar os estudantes durante sua formação, que, agora, contam com um verdadeiro laboratório de inclusão digital.
Para o pró-reitor Jarman Aderico, essa novidade pode, além de ampliar a infraestrutura acadêmica, abrir portas para novas ideias e projetos inovadores. “Como a Ufal recebe estudantes de diversos municípios de Alagoas e até de outros estados, esse espaço amplia horizontes, fortalece competências e contribui para a formação técnica e cidadã. A partir das parcerias, surgem novas oportunidades e desafios, e o mundo acadêmico se expande junto com essas possibilidades”, destacou.
A diretora do Sistema de Bibliotecas (Sibi) da Ufal, Cristiane Cyrino, acredita que esse ambiente digital vem fortalecer a biblioteca na oferta desses serviços e contribuir para garantir o acesso à informação, que é um direito de todos.
“Nós temos muitos recursos informacionais digitais, e esse espaço vai permitir que os estudantes que não têm equipamentos ou acesso adequado a eles possam utilizar essas plataformas digitais. Eles poderão acessar conteúdos educacionais, serviços acadêmicos, concursos e diversas oportunidades abertas. Sabemos que hoje há uma produção muito grande de conteúdo na nossa universidade, uma produção que não é apenas para a comunidade universitária, mas também para o mundo. Esse espaço também contribui para ampliar a inclusão digital e atender às necessidades do entorno da universidade”, reforçou Cristiane.
Para o reitor Tonholo, a concretização desses dois espaços instalados é uma forma de reafirmar que Ufal vem trabalhando e promovendo, acima de tudo, a cidadania. “Precisamos deixar claro o nosso papel enquanto entidade do conhecimento, catalisadora de iniciativas, mas também destacar a importância de trazer para dentro da universidade oportunidades. Aqui, não estamos trabalhando apenas com recondicionamento de computadores, reciclagem ou devolução de equipamentos. Estamos trabalhando com inclusão social, letramento digital. E hoje celebramos isso”, finalizou.
Veja mais fotos das duas cerimônias na página do Acervo Imagético Manoel Mota