Escola de Socioeducação de Alagoas inicia novo ciclo com simpósio na Ufal
Evento marca segundo ano da iniciativa, com renovação de convênio e foco na qualificação de profissionais do sistema socioeducativo
Foi parafraseando o educador e filósofo Paulo Freire, com a máxima “Não se pode falar em educação sem amor”, que o 3º Simpósio da Escola Estadual de Socioeducação de Alagoas (EES/AL) foi realizado na última quinta-feira (20), no auditório da Reitoria da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). A iniciativa pioneira busca qualificar profissionais que integram o sistema socioeducativo no estado e promover um espaço de escuta, troca de experiências e construção de saberes.
A ação foi pensada para iniciar o segundo ano de atuação da escola em Alagoas, que é um projeto interinstitucional estruturada a partir de um Termo de Execução Descentralizada (TED), celebrado entre o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e a Ufal, contando com a coordenação de docentes vinculados à Faculdade de Direito de Alagoas (FDA), à Faculdade de Letras (Fale) e ao Centro de Educação (Cedu).
A mesa de abertura contou com a presença da coordenadora da EES/AL e professora da FDA, Elaine Pimentel; do pró-reitor de Extensão e Cultura da Ufal, César Nonato; da coordenadora-geral do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), Lívia Vidal, que participou de forma virtual; do magistrado do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Socioeducativo, João Paulo Martins; e da promotora de Justiça do Ministério Público, Marília Cerqueira.
Também estiveram presentes o superintendente da Superintendência de Medidas Socioeducativas (Sumese), coronel Marcos Sérgio Freitas; a representante da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social de Alagoas (Seades), Lívia Nunes; e a secretária da Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), Gal Souza.
Ao longo da programação, o simpósio contou com palestras, mesas-redondas e debates em torno da formação continuada dos profissionais da socioeducação. A coordenadora Elaine Pimentel destacou que o momento foi de celebração e também de convite para renovar a essência da formação continuada.
“Nossa equipe se preparou para ofertar novos minicursos, realizar novos eventos e trazer temas diferentes, para que todos e todas se sintam estimulados a participar. E sempre com essa leveza, essa alegria e esse acolhimento que marcam a nossa escola. Eu costumo dizer que tudo vem dando certo, primeiramente, pela qualidade da nossa equipe. É uma equipe com muita competência e com diferentes saberes”, afirmou.
A coordenadora também reafirmou a parceria com o MDHC, que, diante do sucesso da política de formação continuada no estado, renovou o convênio por mais um ano e meio, com um aporte de R$ 1 milhão. Ela destacou ainda o esforço coletivo da equipe para a consolidação da iniciativa.
“Sabemos que é um esforço implementar, mas talvez seja um esforço ainda maior manter. Manter para que vocês sigam acreditando na nossa equipe, na equipe do ministério, e continuem recebendo os efeitos positivos dessa formação continuada. O ano de 2026 foi planejado a partir dessa escuta. E queremos continuar com aulas nesse formato participativo e colaborativo, fazendo com que a Escola Estadual de Socioeducação de Alagoas caminhe de mãos dadas com gestoras e gestores do meio fechado e do meio aberto, que são fundamentais para essa participação”, ressaltou.
Já a coordenadora-geral do sistema socioeducativo, Lívia Vidal, afirmou que o convênio reforça a importância do investimento na formação dos profissionais.
“Um dos grandes desafios é superar a ideia de que o adolescente em medida socioeducativa está apenas privado de liberdade. Não. Ele tem esse direito restringido, mas todos os outros direitos precisam ser garantidos. Garantir direitos é ampliar possibilidades, é promover dignidade. Por isso, precisamos assegurar que adolescentes, jovens e todos os profissionais envolvidos nesse percurso estejam constantemente provocados a aprender, a se desenvolver, a se transformar. A socioeducação é, no fundo, um chamado permanente à construção do ser humano”, destacou.
Para o pró-reitor de Extensão e Cultura da Ufal, César Nonato, a escola está em seu segundo ano de atuação e demonstra que veio para se consolidar: “O tempo é fundamental nesse processo. É no tempo que construímos nossas dúvidas, mas também nossas conquistas. A Escola de Socioeducação é, sem dúvida, uma grande conquista. Trata-se de uma construção coletiva, feita por muitas mãos, em que cada instituição e cada pessoa contribuem para esse projeto comum”, finalizou.