Pesquisa revela impacto das internações por animais peçonhentos no Brasil

Estudo também destaca desigualdades regionais em relação aos custos e acesso a serviços de maior complexidade

Por Ascom Ufal
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Distribuição geográfica por estado dos custos totais de hospitalização por acidentes com animais peçonhentos no Brasil (2014–2023)
Distribuição geográfica por estado dos custos totais de hospitalização por acidentes com animais peçonhentos no Brasil (2014–2023)

Um estudo conduzido por professores do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) e estudantes de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e da Academia de Ciências Veterinárias da Galícia (ACVG-Espanha), traz um alerta importante sobre o impacto dos acidentes com animais peçonhentos na saúde pública brasileira.

O artigo publicado na revista internacional Discover Public Health, analisou a carga de internações causadas por animais peçonhentos, como serpentes, escorpiões e aranhas, revelando um cenário de mais de 186 mil hospitalizações no país ao longo de dez anos. Ao todo, os acidentes resultaram em um custo acumulado superior a R$53,6 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS), sendo que aproximadamente 18% desse valor está relacionado a internações em unidades de terapia intensiva (UTI), evidenciando o alto custo dos casos mais graves.

Os resultados apontam uma tendência de aumento nas internações e dos custos ao sistema de saúde ao longo do período analisado. Acidentes com serpentes foram responsáveis pelo maior impacto econômico, enquanto escorpiões apresentaram maior número de casos.

De acordo com o professor Flávio Rodrigues, a pesquisa também evidencia importantes desigualdades regionais. Enquanto os estados da região Norte têm maior número de internações, os custos médios por paciente são mais baixos, refletindo limitações no acesso a serviços de maior complexidade. Já os estados da região Sudeste concentram maiores gastos, especialmente relacionados a atendimentos de alta complexidade em unidades de terapia intensiva.

“O estudo evidencia que as desigualdades regionais influenciam diretamente o desfecho desses acidentes, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas para o acesso rápido ao tratamento soroterápico”, destacam os autores.

Cenário em Alagoas

No estado de Alagoas, durante o período analisado, foram registradas 777 internações, totalizando um custo de aproximadamente R$ 207 mil, dos quais mais de R$ 37 mil estiveram associados a atendimentos em UTI (18,1% do custo total de internações por acidentes com animais peçonhentos). As internações somaram 2.888 diárias hospitalares, com uma média de permanência de 3,7 dias. “Embora a maioria dos casos apresente evolução relativamente rápida, há episódios que demandam maior complexidade assistencial”, contextualiza o pesquisador Flávio Silva Jr.

Entre os municípios, Maceió concentrou o maior volume de custos, R$ 167 mil no total, refletindo seu papel como principal centro de referência para atendimento de casos mais graves no Estado. Outros municípios, como Arapiraca e Coruripe, também se destacam, sendo este último com forte contribuição de casos envolvendo acidentes com escorpiões.

“Esse panorama reforça a importância do fortalecimento das ações de vigilância, da descentralização do acesso ao tratamento e da educação em saúde, especialmente em regiões onde o tempo de resposta pode ser determinante para o desfecho clínico”, alerta a professora Lívia Freitas.

O artigo completo pode ser acessado por meio do DOI. Em anexo, é possível analisar as imagens que mostram a distribuição geográfica por estado dos custos totais de hospitalização e dos custos de internação em UTI, por acidentes com animais peçonhentos no Brasil, de 2014 a 2023. 

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