Setor sucroenergético ganha novas variedades de cana com participação da Ufal

A liberação regional de novas RB será realizada no dia 8 de julho, durante o 41º Simpósio da Agroindústria da Cana-de-açúcar de Alagoas

Por Manuella Soares - jornalista

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por meio do Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar (PMGCA), vinculado ao Campus de Engenharias e Ciências Agrárias (Ceca), participa no dia 8 de julho da Liberação Regional de Variedades RB de Cana-de-açúcar. A atividade integra a programação do 41º Simpósio da Agroindústria da Cana-de-açúcar de Alagoas, que será realizado de 7 a 10 de julho, no Centro de Convenções de Maceió.

A programação da liberação regional ocorrerá das 14h às 18h, com o momento oficial de lançamento marcado para 16h50. O evento reunirá pesquisadores de universidades integrantes da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), que vão apresentar variedades desenvolvidas em diferentes regiões do país e voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva da cana-de-açúcar.

A liberação regional ocorre após a Liberação Nacional de 18 novas variedades RB de Cana-de-açúcar, realizada em outubro de 2025, em Ribeirão Preto, São Paulo. Entre as novas cultivares, três são vinculadas à Ufal.

As variedades RB são resultado de décadas de pesquisa em melhoramento genético da cana-de-açúcar e respondem por 56% da área total de cultivo de cana no Brasil. Desde 1990, a Ridesa produziu 115 cultivares, que, somadas às variedades desenvolvidas pelo antigo Planalsucar, totalizam 134 variedades RB em 55 anos de pesquisa.

“É um orgulho para a nossa instituição de ensino, pesquisa e extensão fazer parte desse processo. Isso demonstra a nossa grande competência e responsabilidade, contribuindo significativamente na elevação dos rendimentos agroindustriais das empresas, bem como na formação contínua de recursos humanos para o setor sucroenergético brasileiro”, destacou o professor Geraldo Veríssimo, um dos fundadores da Ridesa

Três novas variedades com participação da Ufal

A liberação regional dará destaque às variedades desenvolvidas e selecionadas pela Ufal: RB991532, RB0764 e RB07814. De acordo com o professor Veríssimo, essas cultivares foram obtidas e selecionadas com apoio de empresas e entidades do setor sucroenergético.

A RB991532 apresenta alta produtividade agrícola, boa colheitabilidade, alta longevidade e excelente sanidade. A variedade tem hábito de crescimento ereto, alto perfilhamento, boa brotação de socaria e resistência às ferrugens marrom e alaranjada e ao carvão. A recomendação é de plantio em ambientes intermediários e colheita no meio de safra.

Já a RB0764 se destaca pela alta produtividade agrícola, boa colheitabilidade e resistência às ferrugens marrom e alaranjada. A variedade apresenta boa brotação da socaria, alto perfilhamento em cana-planta e cana-soca, boa uniformidade de colmos e pode ser indicada tanto para áreas de sequeiro quanto irrigadas, especialmente em melhores ambientes de produção.

A RB07814 tem como principais características a precocidade, o alto teor de açúcar, o longo período útil de industrialização, a baixa cor do caldo e a alta produtividade agrícola. A cultivar também apresenta boa estabilidade de produção, resistência à ferrugem marrom e ao carvão, podendo ser utilizada em áreas de sequeiro e irrigadas, com aproveitamento da precocidade para colheita no início ou meio de safra.

 “O censo varietal de plantio da cana-de-açúcar de 2026 em Alagoas indica predomínio de variedades RB, representando mais de 90% da área de cultivo. Com a liberação das novas variedades, certamente esse marco será superado, dadas as excelentes características desses novos materiais genéticos liberados pela Ufal, principalmente a RB0764 e a RB07814, que têm participado com significativas áreas de plantio nos últimos dois anos”, acrescentou Veríssimo.

Integração entre universidade e setor produtivo

A realização da liberação regional dentro do Simpósio da Agroindústria da Cana-de-açúcar de Alagoas reforça a aproximação entre universidade, pesquisadores, usinas, produtores, técnicos e empresas do setor. De acordo com os organizadores, a proposta é apresentar resultados de pesquisa de forma aplicada, permitindo que o conhecimento gerado nas universidades chegue ao campo e contribua para decisões mais eficientes no manejo dos canaviais.Além da Ufal, pesquisadores de outras universidades da Ridesa participarão da programação para apresentar variedades desenvolvidas em suas regiões de atuação.

 A Ridesa atua no Brasil com dois modelos de parceria. Veríssimo explica que no primeiro modelo, as dez universidades federais atuam conjuntamente por meio de um acordo de cooperação científica e tecnológica visando ações da rede para o desenvolvimento do setor sucroenergético nacional e internacional.

Isso permite o intercâmbio de conhecimentos e tecnologias entre professores/pesquisadores e alunos dos cursos de graduação e pós-graduação das universidades, otimizando o processo para a obtenção de sucesso. Já o segundo modelo é praticado entre cada universidade e sua respectiva fundação de apoio com empresas do setor sucroenergético nacional e internacional. Em 2025 eram mais de 340 contratos com o objetivo de obter recursos financeiros para investimento nas universidades e custeio da pesquisa no desenvolvimento de variedades RB.

“Em mais de 35 anos, essa integração de ações de instituições públicas e empresas privadas, tem como resultado exitoso o desenvolvimento de variedades RB pela rede de universidades, conectado com a empresa privada, que faz a validação e adoção da inovação”, avaliou o professor Geraldo Veríssimo.

Ciência pública a serviço do setor sucroenergético

A Ridesa é formada por dez universidades federais: Ufal, UFRPE, UFV, UFRRJ, UFSCar, UFPR, UFG, UFMT, UFS e UFPI. A rede atua de forma cooperada no desenvolvimento de pesquisas, no intercâmbio de informações e na transferência de tecnologias para o setor produtivo. A Ridesa é considerada hoje o principal núcleo de pesquisa canavieira no âmbito do Governo Federal.

A Ufal desenvolve, desde 1990, o Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar, no Ceca, em parceria com empresas do setor sucroenergético nacional e com apoio da Fundepes. Um dos diferenciais da atuação é o gerenciamento do banco de germoplasma da cana-de-açúcar, localizado na Serra do Ouro, em Murici. É nesse espaço que são realizadas anualmente as hibridações e a produção de cariopses que atendem às pesquisas de obtenção de variedades RB das universidades federais que compõem a Ridesa.

As bases de pesquisa do PMGCA/Ufal incluem o Campus de Engenharias e Ciências Agrárias, em Rio Largo; a Estação de Floração e Cruzamento Serra do Ouro, em Murici; subestações nas usinas Santo Antônio, Caeté e Coruripe, em Alagoas; além da subestação da Usina Agrovale, em Juazeiro, na Bahia.

Essa estrutura permite que as novas variedades sejam avaliadas em diferentes condições de solo, clima e manejo, aproximando a pesquisa acadêmica das demandas reais do setor produtivo.

Tradição em variedades para o Nordeste

A trajetória da Ufal no melhoramento genético da cana tem impacto direto na agroindústria regional. Várias cultivares desenvolvidas ou liberadas com participação da Ufal alcançaram áreas significativas de plantio no Nordeste. O principal exemplo é a RB92579, que desde 2003 contribui para elevar os rendimentos dos canaviais e chegou a ocupar mais de 40% da área canavieira da Região Nordeste, além de áreas expressivas no Brasil.

A expectativa dos pesquisadores é que a nova geração de variedades terá “grande contribuição para que o País se mantenha na vanguarda do desenvolvimento tecnológico dessa cadeia produtiva”.

Serviço

Evento: Liberação Regional de Variedades RB de Cana-de-açúcar
Data: 8 de julho de 2026
Horário da programação: 14h às 18h
Liberação oficial: 16h50
Local: 41º Simpósio da Agroindústria da Cana-de-açúcar de Alagoas — Centro de Convenções de Maceió
Realização: Ridesa Brasil, PMGCA/Ceca/Ufal

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