Ufal e Fundação Palmares discutem ações de proteção da Serra da Barriga

Reunião do Comitê Gestor ocorreu em Maceió e União dos Palmares, com debates sobre gestão territorial, pesquisa arqueológica e planejamento institucional

Por Ryan Charles - estudante de Jornalismo
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Reunião teve como pauta ações de preservação do patrimônio histórico e cultural do Quilombo dos Palmares
Reunião teve como pauta ações de preservação do patrimônio histórico e cultural do Quilombo dos Palmares

Entre os dias 21 e 22 de agosto, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a Fundação Cultural Palmares (FCP) promoveram uma reunião com o Comitê Gestor da Serra da Barriga para debater projetos e ações voltados à preservação do patrimônio histórico e cultural do Quilombo dos Palmares.

O primeiro dia da programação aconteceu na sexta-feira (21), na Sala dos Conselhos Superiores, na sede da Reitoria da Ufal, em Maceió. Na ocasião, foi discutido o Eixo I – Serra da Barriga: Gestão Territorial, Preservação e Pesquisa Arqueológica, que reuniu representantes do Neabi/Ufal, das Unidades Técnicas da FCP no país e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para um diálogo estratégico.

Participaram da mesa inicial a vice-reitora da Ufal, Eliane Cavalcanti; o atual presidente da FCP, João Jorge Rodrigues; e o primeiro presidente da Fundação, Carlos Alves Moura. Também estiveram presentes representantes e difusores da cultura de matrizes africanas em Alagoas, como Mãe Neide Oyá D’Oxum, o professor Zezito Araújo e o coordenador do Neabi, Danilo Marques.

Para a vice-reitora, o evento é extremamente importante para a Universidade, pois fortalece a instituição como parte ativa na construção de pautas, ações e políticas de relevância nacional.

“Temos que agradecer demais à Fundação Cultural Palmares e ao Neabi por trazerem esse debate para cá. Na casa onde as pessoas se desarmam dos preconceitos e do racismo e discutem o bem maior, que é o nosso povo. Que venha muita coisa boa para que aquele espaço seja cada vez mais cuidado, reverenciado e zelado por todos que acreditam que a nossa história parte dali, a partir do momento em que enxergamos o ser humano como ser humano”, destacou.

Já o primeiro presidente da FCP, Carlos Alves Moura, destacou a importância da reunião, realizada no âmbito das comemorações pelos 38 anos de existência da Fundação, e ressaltou a necessidade de manter discussões que contribuam para ampliar a atuação da instituição.

“E nós continuamos plantando ideias, continuamos com a energia de ontem, de hoje e com a energia do futuro para a construção de um Brasil livre de preconceitos, de discriminação e de desigualdade. Um país que reconheça efetivamente a nossa participação, a nossa contribuição e a nossa presença nos fundamentos da nacionalidade brasileira. E vamos em frente”, afirmou.

O diretor de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira da Fundação Cultural Palmares, Nelson Mendes, destacou a parceria entre a Ufal e a instituição. “A Ufal sempre se mostrou uma parceira importante para a realização dos nossos projetos aqui em Alagoas, principalmente porque é aqui que está situado o Parque Memorial do Quilombo dos Palmares. É muito importante estarmos aqui, nesta casa que sempre nos acolheu com todo o carinho e a atenção”, disse.

No sábado (22), a programação seguiu na Serra da Barriga, em União dos Palmares. No local, as discussões avançaram para o Eixo II – Fundação Cultural Palmares: Monitoramento Institucional, Governança e Planejamento, além de uma visita técnica ao Parque Memorial Quilombo dos Palmares. A programação foi encerrada com o debate “Da Estratégia aos Resultados – Sistematização de Informações e Encaminhamentos para o Planejamento Institucional”.

O atual presidente da FCP, João Jorge Rodrigues, ressaltou que a recepção da Fundação pela Universidade Federal de Alagoas representa um reencontro com os descendentes de uma das maiores lutas pela igualdade no Brasil: o Quilombo dos Palmares. Para ele, a importância dessa história não está apenas em sua dimensão e economia, mas também na capacidade de lançar ideias para o futuro.

“A tarefa que nos é dada é como se dissesse: vocês têm que continuar mantendo o machado que chama e funciona, com os dois lados: um lado doce, suave, e outro lado vigilante contra as injustiças. Há um simbolismo que estava conosco na Palmares, que foi retirado e que está sendo devolvido ao povo brasileiro. Então, nesses dias, nós escolhemos Alagoas, escolhemos a Serra da Barriga, escolhemos Maceió, porque é preciso ressignificar o começo”, reforçou.

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