Engenharia Química celebra 40 anos de formação, ciência e contribuição para Alagoas
Cerimônia reuniu docentes, estudantes, egressos e representantes do setor produtivo para relembrar a trajetória do curso e projetar novos caminhos para a formação e a indústria alagoana
A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) celebrou, na quinta-feira (3), os 40 anos do curso de Engenharia Química. A solenidade foi realizada no auditório Professor Nabuco Lopes, localizado na reitoria da Ufal, reunindo professores, técnicos, estudantes, egressos, gestores e representantes de empresas e instituições parceiras que contribuíram para a construção da história do curso. Criado em 3 de setembro de 1986, o curso surgiu em um contexto de crescente demanda por profissionais qualificados para atender à indústria alagoana e, ao longo de quatro décadas, consolidou-se na formação de engenheiros, na produção científica e na aproximação entre universidade e setor produtivo.
Estiveram presentes na mesa de abertura o reitor da Ufal, Josealdo Tonholo; a pró-reitora de graduação da Ufal, Eliane Barbosa; a diretora do Centro de Tecnologia (CTEC/Ufal), Aline Calheiros; a coordenadora do curso de Engenharia Química da Ufal, Cristiane Holanda; representando os egressos do curso, o engenheiro químico formado na primeira turma de Engenharia Química da Ufal, José Jásse Rocha; representante da comissão organizadora, a professora Maritza Montoya; representando a Associação Brasileira de Engenharia Química, o vice-presidente Arioston Araújo; representando a empresa Braskem, o diretor Industrial, Helcio Deni.
Durante a abertura, o reitor da Ufal, professor Josealdo Tonholo, destacou o caráter coletivo da trajetória construída pelo curso e aproveitou o momento para relembrar os primeiros anos de sua própria atuação na Universidade: “Quando a gente chega aqui e encontra todas essas figuras de companheiros e companheiras de longa data de convivência, a gente se desmonta por completo”, afirmou o reitor.
Entre as memórias compartilhadas, Tonholo relembrou sua chegada à Universidade, quando encontrou uma instituição bastante diferente da atual. Segundo ele, naquele período, a estrutura era limitada e as condições de trabalho eram mais difíceis. “Esse time que trabalhou lá atrás pavimentou a estrada que vocês vão caminhar no futuro”, declarou.
Curso surgiu diante de uma demanda industrial
A criação do curso de Engenharia Química esteve relacionada à necessidade de formar profissionais para atender às demandas da indústria alagoana. A coordenadora do curso, professora Cristiane Holanda, apresentou durante a solenidade um resgate histórico das quatro décadas da graduação. Segundo ela, o curso foi criado oficialmente em 3 de setembro de 1986, por meio da Resolução nº 026/86. Naquele período, setores como o sucroalcooleiro e o químico dependiam da contratação de profissionais formados em outros estados para atuar no desenvolvimento de processos, produção industrial e gestão tecnológica.
A implantação, entretanto, ocorreu em meio a dificuldades de infraestrutura e de formação de um corpo docente especializado. Com destaque para a atuação dos primeiros professores envolvidos na construção do curso e, especialmente, a liderança de Sérgio de Holanda, lembrado durante a cerimônia como uma das figuras fundamentais para a consolidação da graduação.
A consolidação também envolveu a ampliação do quadro docente, a criação de laboratórios e a realização de concursos para suprir a necessidade de professores especializados. "É uma a educação é transformadora, não transforma a vida só do estudante, mas transforma a vida da família, transforma a vida de gerações futuras", ressaltou a coordenadora.
Da graduação à pesquisa e à pós-graduação
Outro marco importante ocorreu em 1996, quando o curso foi reconhecido pelo Ministério da Educação por meio da Portaria nº 160/96, publicada no Diário Oficial da União em 22 de fevereiro daquele ano. A partir daí, a Engenharia Química ampliou sua infraestrutura, fortaleceu suas áreas de conhecimento e avançou na pesquisa e na pós-graduação.
A especialização em Operações e Processos da Indústria Química foi apresentada como uma das etapas que contribuíram para a criação do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química (PPGEQ). O mestrado em Engenharia Química foi implantado em 2006, ampliando a atuação do curso na produção de conhecimento científico e tecnológico.
A trajetória também foi marcada pela participação em redes nacionais de pesquisa e por parcerias com instituições como Petrobras, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Essas iniciativas contribuíram para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas a áreas como energia e meio ambiente, biodiesel, catálise, modelagem e controle de processos e biotecnologia.
Universidade e indústria mais próximas
A relação com o setor produtivo também foi destacada pelo reitor. Tonholo lembrou que a parceria entre a Ufal e empresas da indústria química passou por diferentes momentos e afirmou que, atualmente, existe uma relação mais estruturada entre a Universidade e o setor.
“Hoje a gente tem aproximadamente 14 projetos conjuntos em andamento”, afirmou. Segundo ele, as iniciativas envolvem diferentes áreas e têm produzido impactos tanto para a indústria quanto para a formação de estudantes de graduação e pós-graduação.
A aproximação entre universidade e indústria também contribui para oferecer aos estudantes experiências que complementam a formação acadêmica, por meio de estágios, trabalhos de conclusão de curso e projetos de pesquisa.
Memória construída por muitas gerações
A professora Maritza Montoya Urbina, representante da comissão organizadora da solenidade, também ressaltou o caráter coletivo da história do curso. Em sua fala, destacou a participação de diferentes gerações de professores, técnicos e estudantes na construção da Engenharia Química: “40 anos é muito tempo. Uma vida para poucas pessoas, então, assim, é muito significativo”, afirmou.
Maritza também falou sobre os desafios enfrentados no início da trajetória do curso e destacou a capacidade de resistência e adaptação dos profissionais que participaram de sua implantação.
A professora lembrou ainda que, naquele período, a comunidade enfrentava dificuldades relacionadas à infraestrutura e à necessidade de construir condições adequadas para o funcionamento do curso. Segundo ela, a permanência da graduação ao longo de quatro décadas está relacionada à capacidade coletiva de superar esses obstáculos.
Egressos que retornam à Universidade e estudantes que perpetuam a história
A trajetória dos egressos também foi apresentada como parte fundamental da história da graduação. De acordo com o resgate histórico realizado pela professora Cristiane, a primeira turma concluiu a formação em 1992. Entre os primeiros profissionais está José Jásse Rocha, que permanece atuando no setor industrial.
Outro destaque é o retorno de antigos estudantes à própria Universidade para atuar como professores. A professora Renata Rozas foi apresentada como a primeira egressa a integrar o corpo docente do curso. Formada em 1996, ela retornou à Ufal em 2004, iniciando uma trajetória posteriormente seguida por outros profissionais formados pela própria instituição.
Para a coordenação, esse movimento demonstra a existência de um ciclo de formação que ultrapassa a graduação: estudantes entram na Universidade, constroem suas trajetórias profissionais e, posteriormente, retornam para contribuir com o ensino, a pesquisa e a formação de novas gerações.
Os atuais estudantes também foram lembrados como protagonistas da história do curso. Ao longo das décadas, diferentes organizações e iniciativas contribuíram para ampliar a experiência universitária para além da sala de aula.
Entre elas estão o Centro Acadêmico de Engenharia Química (Caeq), iniciativas de capacitação e o Programa de Educação Tutorial, além da empresa júnior Proteq. Essas organizações atuam em atividades de ensino, pesquisa, extensão, empreendedorismo, integração e formação profissional. Fundada em 2011 pelo então estudante George André, a Proteq foi destacada pela coordenação como uma iniciativa que aproxima o conhecimento adquirido na Universidade das situações encontradas no mercado de trabalho, além de estimular competências como liderança, gestão, trabalho em equipe e empreendedorismo.
Novos caminhos para a formação em Alagoas
Em sua fala, o reitor também projetou o futuro da formação tecnológica no Estado. Tonholo anunciou que o Ministério da Educação autorizou a criação de 14 novos cursos de graduação na Ufal, sendo dois em Maceió, ligados ao Centro de Tecnologia: Engenharia Mecânica e Engenharia de Materiais. Os outros 12 cursos serão distribuídos pelo interior de Alagoas.
Segundo o reitor, a expansão representa uma oportunidade de fortalecer a formação de profissionais para diferentes áreas da indústria e ampliar o acesso ao ensino superior público.
“Mais oportunidades para os nossos jovens, mais soluções tecnológicas para nossa cadeia produtiva e mais esperança de uma vida melhor para todos nós que vivemos, que adotamos ou nascemos e continuamos aqui no estado de Alagoas”, afirmou.
Para Tonholo, a Engenharia Química terá papel importante nesse novo cenário, ao lado de outras áreas ligadas ao desenvolvimento tecnológico e industrial.
Homenagens marcaram a celebração
Após os pronunciamentos e uma apresentação cultural do violinista Daniel Santana, a programação seguiu com uma série de homenagens a pessoas que participaram da história do curso. Entre os homenageados estavam professores, representantes de servidores, estudantes, empresa júnior e instituições parceiras.
Foram homenageados, entre outros, os professores André Loureiro, Sérgio de Holanda Cavalcante (in memoriam), João Nunes, Evandir Gonçalves (in memoriam), Sandra Helena, Karla Miranda, Lindaúrea Dantas e William Gonçalves. O encerramento contou com uma fala do professor João Nunes, representando os homenageados.
Ao completar quatro décadas, a Engenharia Química da Ufal reafirma, uma trajetória marcada pela formação profissional, produção científica, relação com a indústria e participação de diferentes gerações da comunidade acadêmica. Mais do que celebrar o passado, a solenidade também projetou novos caminhos para o curso e para a contribuição da Universidade ao desenvolvimento científico, tecnológico e industrial de Alagoas.
Confira a cobertura fotográfica completa do evento no Acervo Imagético Manoel Mota.