Defesa IFES
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Universidades
Federais
Patrimônio
da Sociedade
Brasileira
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS
DIRIGENTES DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS
DE ENSINO SUPERIOR
Diretoria Executiva
Gestão 2017 a 2018 – Eleita em 28/7/2017
Presidente Emmanuel Zagury Tourinho (UFPA)
1o Vice-presidente José Arimatéia Dantas Lopes (UFPI)
Suplente Rui Vicente Oppermann (UFRGS)
2o Vice-presidente José Roberto Soares Scolforo (UFLA)
Suplente Myrian Thereza de Moura Serra (UFMT)
Secretário Executivo Gustavo Henrique de Sousa Balduino
Reitores(as) | Universidades
Ana Lúcia de Assis Simões (UFTM)
Anastácio de Queiroz Sousa (UNILAB)
Ângela Maria Paiva Cruz (UFRN)
Angelo Roberto Antoniolli (UFS)
Anísio Brasileiro de Freitas Dourado (UFPE)
Ari Miguel Teixeira Ott (UNIR)
Carlos Henrique Figueiredo Alves (CEFET-RJ)
Cláudia Aparecida Marliére de Lima (UFOP)
Raimunda Nonata Monteiro (UFOPA)
Cleuza Maria Sobral Dias (FURG)
Dagoberto Alves de Almeida (UNIFEI)
Eliane Superti (UNIFAP)
Emmanuel Zagury Tourinho (UFPA)
Flávio Antônio dos Santos (CEFET-MG)
Francisco Roberto Brandão Ferreira (IFMA)
Gilciano Saraiva Nogueira (UFVJM)
Gustavo Oliveira Vieira (UNILA)
Henry de Holanda Campos (UFC)
Iracema Santos Veloso (UFOB)
Jaime Arturo Ramírez (UFMG)
Jaime Giolo (UFFS)
Jefferson Fernandes do Nascimento (UFRR)
Joana Angélica Guimarães (UFSB)
João Carlos Salles Pires da Silva (UFBA)
José Arimatéia Dantas Lopes (UFPI)
José de Arimatea de Matos (UFERSA)
José Roberto Soares Scolforo (UFLA)
Julianeli Tolentino de Lima (UNIVASF)
Klaus Werner Capelle (UFABC)
Liane Maria Calarge (UFGD)
Lúcia de Campos Pellanda (UFCSPA)
Luis Eduardo Bovolato (UFT)
Luiz Alberto Pilatti (UTFPR)
Luiz Pedro San Gil Jutuca (UNIRIO)
Marcel do Nascimento Botelho (UFRA)
Marcelo Augusto Santos Turine (UFMS)
Márcia Abrahão Moura (UnB)
Marco Antonio Fontoura Hansen (UNIPAMPA)
Marcus Vinícius David (UFJF)
Margareth de Fátima Formiga Melo (UFPB)
Maria José de Sena (UFRPE)
Maria Valéria Costa Correia (UFAL)
Maurílio de Abreu Monteiro (UNIFESSPA)
Minoru Martins Kinpara (UFAC)
Myrian Thereza de Moura Serra (UFMT)
Nair Portela Silva Coutinho (UFMA)
Nilda de Fátima Ferreira Soares (UFV)
Orlando Afonso Valle do Amaral (UFG)
Paulo Afonso Burmann (UFSM)
Paulo Márcio de Faria e Silva (UNIFAL)
Pedro Rodrigues Curi Hallal (UFPel)
Reinaldo Centoducatte (UFES)
Renato da Anunciação Filho (IFBA)
Ricardo Luiz Lange Ness (UFCA)
Ricardo Luiz Louro Berbara (UFRRJ)
Ricardo Marcelo Fonseca (UFPR)
Roberto Leher (UFRJ)
Rui Vicente Oppermann (UFRGS)
Sérgio Augusto Araújo Cerqueira (UFSJ)
Sidney Luiz de Matos Mello (UFF)
Silvio Luiz de Oliveira Soglia (UFRB)
Soraya Soubhi Smaili (UNIFESP)
Sylvio Mario Pulga Ferreira (UFAM)
Ubaldo César Balthazar (UFSC)
Valder Steffen Júnior (UFU)
Vicemário Simões (UFCG)
Wanda Hoffmann (UFSCar)
Universidades
Federais
Patrimônio
da Sociedade
Brasileira
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS
DIRIGENTES DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS
DE ENSINO SUPERIOR
Copyright © 2017 Associação Nacional dos Dirigentes das
Instituições Federais de Ensino Superior
Setor Comercial Sul (SCS)
Quadra 1, Bloco K, no 30,
salas 801, 802, 803 e 804, 8o andar.
Edifício Denasa – Brasília-DF-Brasil
CEP: 70398-900
+55 (61) 3321-6341
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5
O SISTEMA PÚBLICO
DE UNIVERSIDADES FEDERAIS
A exemplo de muitas nações
no mundo, o Brasil conta, para o seu
desenvolvimento econômico e social, com
um Sistema Público de Universidades
Federais. Esse sistema é constituído por
sessenta e três instituições, às quais se
vinculam trezentos e vinte e oito campi,
distribuídos por todas as regiões do país.
Além do ensino de graduação,
mestrado e doutorado, para um
contingente de cerca de um milhão e
duzentos mil alunos, as Universidades
Federais são, também, responsáveis por
uma rede de equipamentos públicos e
serviços que atendem à população nas
mais diversas áreas, incluindo: quarenta
e seis hospitais universitários de alta
complexidade (em muitos casos, únicas
alternativas em suas áreas de atuação
no Sistema Único de Saúde); clínicas e
laboratórios; museus; teatros; cinemas;
escolas de música, teatro e dança;
agências de inovação; incubadoras de
empresas de base tecnológica e parques
de ciência e tecnologia; clínicas de direitos
humanos; escritórios de assistência
jurídica à população carente; serviços
de atenção à saúde mental e escritórios
modelo. Educação, ciência, arte, cultura
e cidadania são resultados diretos do
trabalho das Universidades Federais.
Ao longo da última década, o
Sistema Público de Universidades Federais
expandiu-se em todas as direções.
O número de alunos dobrou. Novas
universidades, novos campi e novos cursos
foram criados, em sintonia com o processo
de desenvolvimento do país. A atividade de
pesquisa contribuiu para, em uma década,
levar o Brasil da 23a para a 13a posição entre
as nações que mais produzem ciência.
O sistema também evoluiu
qualitativamente. A proporção de docentes
com mestrado e doutorado cresceu de 49%,
em 1995, para 91%, em 2015. A proporção
do número de alunos de pós-graduação
passou de 6%, em 2005, para 11%, em
2015, não obstante a duplicação das
vagas na graduação no mesmo período. O
número de programas de pós-graduação
recomendados pela Capes passou de 714,
em 1998, para 2.147, em 2015. O Índice
Geral de Cursos das Universidades Federais
passou de 3,70, em 2007, para 3,94, em
2015. O conceito médio dos Programas de
Pós-Graduação passou de 4,00, em 2000,
para 4,34, em 2016.
Não há, no Brasil, um sistema de
formação de recursos humanos, produção
de conhecimento, desenvolvimento
tecnológico, prestação de serviços à
sociedade e promoção da cidadania
comparável ao Sistema Público de
Universidades Federais. Em outras
nações que contam com sistemas com
as mesmas características, as instituições
são, como regra, também públicas, sob
a responsabilidade direta do Estado.
Figura 1 – Expansão das Universidades Federais na Graduação
Evolução no número de alunos de graduação
1.200.000
1.083.050
1.000.000
800.000
607.801
600.000
400.000
200.000
Fonte: Inep. Censo da Educação Superior 2016 (www.inep.gov.br).
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
2004
2003
2002
2001
2000
1999
1998
1997
1996
1995
0
6
Figura 2 – Expansão das Universidades Federais na Pós-Graduação Stricto Sensu
Evolução no número de alunos de mestrado e doutorado
160.000
147.050
140.000
120.000
100.000
80.000
75.527
60.000
40.000
20.000
2015
2016
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
2004
2003
2002
2001
2000
1999
1998
1996
1997
1995
0
Fonte: Capes. Portal Geocapes (www.geocapes.capes.gov.br).
AS CONTRIBUIÇÕES DO SISTEMA
PÚBLICO DE UNIVERSIDADES
FEDERAIS AO DESENVOLVIMENTO
ECONÔMICO E SOCIAL
Na pós-graduação e na pesquisa,
as Universidades Federais respondem por
mais da metade dos cursos e dos alunos de
mestrado e doutorado do país. Produzem
a maior parte da ciência nacional. Dos seus
laboratórios saem contribuições de enorme
impacto para a economia do país, como as
tecnologias para a exploração de petróleo
em águas profundas (inclusive no pré-sal),
para a produção de grãos em condições
de competitividade internacional, para o
desenvolvimento da indústria naval, para
o crescimento da indústria aeronáutica,
para a construção de hidrelétricas e
outras obras de engenharia complexa.
Há ainda que se mencionar os avanços
na produção de fármacos, no combate a
doenças, na atenção à saúde. Na Amazônia,
é nas Universidades Federais que se
concentram a maior parte dos estudos da
biodiversidade e das mudanças climáticas.
E esses são apenas alguns exemplos do
que fazem essas instituições.
A interiorização das Universidades
Federais tem contribuído com a
redução das assimetrias regionais,
com a descentralização das atividades
econômicas e com a fixação de recursos
humanos qualificados nos municípios
menos populosos. Políticas de ação
afirmativa, adotadas na última década,
possibilitaram a inclusão de grupos sociais
até então à margem do desenvolvimento
econômico e social no país. Negros,
indígenas, quilombolas, ribeirinhos, jovens
de baixa renda das periferias das cidades
hoje podem frequentar cursos superiores
de alta qualidade e vislumbrar horizontes
promissores de vida para suas famílias e
suas comunidades. Mais da metade dos
alunos das Universidades Federais vêm
de famílias com renda bruta de até dois
salários mínimos. Quase 80% dos discentes
vêm de famílias com renda per capita que
não ultrapassa dois salários mínimos.
Nos municípios que abrigam campi
das Universidades Federais, têm sido
desenvolvidas ações para a qualificação
da educação básica, para o incremento
da economia local e para a conservação
ambiental. Em todas as unidades da
federação, as Universidades Federais
mantêm cooperações com governos
estaduais na concepção, na captação de
7
recursos federais e no desenvolvimento de
políticas públicas para a educação, saúde,
saneamento, habitação e muitas outras
áreas. De forma resumida, pode-se afirmar
que as Universidades Federais se tornaram
vetores importantes do desenvolvimento
regional em todo o país.
As Universidades Federais
contribuem, ainda, de modo muito
especial e direto para a qualificação
da educação básica, seja preparando
profissionais de alto nível, inclusive com
programas de formação continuada,
seja elaborando e executando
soluções pedagógicas apropriadas ao
ambiente educacional brasileiro. Isto
é, disponibilizam para a sociedade
aportes científicos e tecnológicos que
são indispensáveis a projetos que visem
qualificar a Educação Básica no Brasil.
Essa atuação das Universidades Federais
está em consonância com a experiência
internacional, que reconhece a
necessidade de ações integradas
na educação, abrangendo todos os
níveis de formação, da educação infantil
à pós-graduação.
O RECONHECIMENTO SOCIAL
DA QUALIDADE E DA IMPORTÂNCIA
DO SISTEMA PÚBLICO DE
UNIVERSIDADES FEDERAIS
A qualidade das Universidades
Públicas Federais, elevada no mesmo
passo da expansão de suas atividades,
tem sido atestada por processos de
avaliação governamentais (do Inep,
para a graduação; da Capes, para a
pós-graduação) e não governamentais
(a exemplo de rankings de instituições e
de cursos brasileiros), pela procura por
seus quadros para o exercício de funções
de liderança na sociedade (em governos,
órgãos de controle e organismos de
governança internacional, por exemplo)
e pela procura prioritária dos candidatos
a cursos superiores no país.
Empresas públicas e privadas,
de todos os setores da economia
nacional, premiam e buscam apoio das
Universidades Públicas Federais, visando
ganhar eficiência e competitividade. Está
nas Universidades Federais a mais ampla
e eficiente rede de Núcleos de Inovação
Tecnológica, em apoio à verticalização e
incorporação de tecnologia de ponta nas
cadeias produtivas nacionais.
Os resultados que as Universidades
Federais entregam à sociedade decorrem,
também, da qualidade das equipes
gestoras das instituições, que trabalham
amparadas em sistemas colegiados de
deliberação e referenciadas por Planos
de Desenvolvimento Institucionais
(PDIs). Não sem razão, ex-gestores
das Universidades Federais são, com
frequência, convidados para o exercício
de muitas outras funções públicas.
A credibilidade das Universidades
Federais as torna parceiras prioritárias
de todos os entes na sociedade que
buscam o reconhecimento de seu
compromisso com a competência e com
a qualidade de suas ações. Parlamentos
estaduais e municipais têm prestado
seguidas homenagens às Universidades
Públicas Federais, e solidarizam-se
com as instituições ante as dificuldades
que elas enfrentaram e enfrentam em
diversos momentos de sua história.
Para a sociedade brasileira,
não há dúvida: o Sistema Público de
Universidades Federais é um patrimônio
incomparavelmente valioso e motivo de
orgulho para o país. Acompanham esse
reconhecimento a demanda por expansão
do sistema, para atender parcelas ainda
maiores da população, e a defesa de sua
integridade e desenvolvimento à luz dos
interesses nacionais.
8
AS POLÍTICAS DE ESTADO PARA
A EDUCAÇÃO: METAS DO PLANO
NACIONAL DE EDUCAÇÃO E O
DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA
PÚBLICO DE UNIVERSIDADES FEDERAIS
O Brasil destina, anualmente, por
matrícula (em todos os níveis de ensino),
um valor não comparável ao das nações
desenvolvidas, nem ao de algumas nações
em desenvolvimento. Proporcionalmente,
temos muito mais alunos a atender, com
muito menos recursos investidos por aluno.
Estamos atrás da Coreia do Sul, do Chile,
da Noruega, da Alemanha, da França e de
muitas outras nações. Com o gasto por aluno
realizado pelo Brasil, nenhum desses países
teria alcançado maior qualidade e maior
cobertura de seu sistema educacional.
A fim de enfrentar os desafios da
educação no país, o Congresso Nacional
aprovou, em 2014, por unanimidade
(posteriormente sancionado sem vetos),
o Plano Nacional de Educação 2014-2024
(Lei no 13.005, de 25 de junho de 2014).
Entre as metas que visam, até 2024, diminuir
a diferença existente entre os indicadores
educacionais brasileiros e aqueles das nações
membros da Organização para Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE),
constam as metas de elevar a 10% do PIB o
investimento público em educação (Meta 20)
e expandir a Educação Superior para atender
a, pelo menos, um terço dos jovens entre
18 e 24 anos, com destaque para o sistema
público de universidades (Meta 12).
Para o Sistema Público de
Universidades Federais, o cumprimento
da Meta 12 do Plano Nacional de Educação
implica a abertura de cerca de novecentas
mil novas vagas até 2024, uma expansão
equivalente a 75% da oferta atual. A
experiência recente de expansão das
Universidades Federais mostra que é possível
o cumprimento da meta, desde que pactuados
e executados planos específicos com esse fim.
Um novo programa de expansão das
Universidades Públicas Federais, incluindo
a graduação e a pós-graduação, que tire
proveito da experiência do Programa de Apoio
a Planos de Reestruturação e Expansão
das Universidades Federais (Reuni), e que
aperfeiçoe estratégias já experimentadas,
poderá representar, se respeitado o seu
planejamento, um novo salto de qualidade
e de oportunidades na Educação Superior
pública brasileira. Também deve ser
propósito de uma nova iniciativa de expansão
das Universidades Públicas Federais a
consolidação em patamares de excelência
internacional do sistema de pós-graduação.
A Andifes, autora do projeto de expansão
e reestruturação que deu origem ao Reuni,
está aberta ao diálogo para a construção e
implementação de mais um programa com
esse propósito.
Tabela 1 – Investimentos em Educação no Brasil e outros Países da OCDE
País
% PIB em
Educação
Investimento por
matrícula/ano (US$/PPP)
Brasil
6,0
3.439,49
Chile
4,8
4.325,39
França
5,5
9.825,24
Alemanha
4,9
12.826,56
Coreia do Sul
4,6
8.159,24
México
5,2
3.347,41
Noruega
7,4
20.508,13
EUA
4,9
11.775,64
Fonte: The World Factbook (www.cia.gov).
The World Bank Data (https://data.worldbank.org).
9
Tabela 2 – Expansão necessária para atender a Meta 12 do PNE 2014–2024
Esferas
Administrativas
Matrículas
em 2015
Matrículas
em 2024
% de Acréscimo
de matrículas
Federal
1.214.635
2.128.656
75
Estadual
618.633
1.084.159
75
Municipal
118.877
208.333
75
Privado
6.075.152
8.278.657
36
TOTAL
8.027.297
11.699.805
46
Fonte: Inep. Censo da Educação Superior 2016 (www.inep.gov.br).
IBGE. Projeções da População até 2030 (www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao).
A (DES)CONTINUIDADE NAS
POLÍTICAS DE FINANCIAMENTO
DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS
Como em muitas outras áreas de
atuação das instituições governamentais
brasileiras, faltam à área de educação, em
particular à Educação Superior no país,
políticas de Estado que estejam à altura dos
desafios nacionais e que tenham estabilidade
e continuidade ao longo de sucessivos
mandatos executivos e legislativos. Não
é falta de planejamento, ou mesmo de
consensos nacionais (a exemplo do Plano
Nacional de Educação), mas a descontinuidade
das políticas públicas que compromete a
execução de programas estratégicos para o
desenvolvimento nacional.
A cada mudança governamental no
Brasil, desconsideram-se investimentos
pactuados, mudam-se os nomes e
características fundamentais de programas
estruturantes, criam-se regras que
inviabilizam trajetórias de sucesso das
instituições. Isso é o que vem sendo
experimentado pelo Sistema Público de
Universidades Federais, que, após grande
esforço de expansão e qualificação, é forçado
a conviver com orçamentos a cada ano
menores e com decisões que conflitam com
a sua autonomia, definida no Artigo 207 da
Constituição Federal. A interrupção do apoio
a projetos ainda não consolidados, a exemplo
do que se vê em diversos campi ainda em
construção por todo o Brasil, apenas reforça
o quadro descrito, além de frustrar toda uma
geração de docentes, técnicos e discentes que
acreditaram num país melhor e veem seus
sonhos e projetos comprometidos.
As Universidades Públicas Federais
são mantidas, principalmente, com recursos
orçamentários do Tesouro Nacional, a
elas destinados nas Leis Orçamentárias
Anuais, e com recursos para a pesquisa,
captados junto às agências de fomento do
desenvolvimento científico, tecnológico e
inovação. De todas as fontes, as instituições
têm enfrentado restrições crescentes nos
últimos anos.
Em valores corrigidos monetariamente,
o orçamento de custeio para 2017 das
Universidades Públicas Federais correspondeu
a, aproximadamente, 80% dos recursos
de custeio alocados em 2014. Em relação
aos recursos de capital, a situação é
ainda mais crítica, pois o orçamento de
2017 é, aproximadamente, 60% menor
que o de 2014. Aos cortes se somam
contingenciamentos, que comprometem o
planejamento institucional e a execução dos
compromissos orçamentários e financeiros
das universidades. Para 2018, a situação
é de agravamento, considerando-se a
Proposta de Lei Orçamentária encaminhada
ao Congresso Nacional pelo Governo Federal.
Por essa proposta, os valores de custeio ficam
congelados nos valores defasados de 2017
e os valores de capital sofrem novos cortes,
chegando agora a, aproximadamente, 10%
daqueles destinados às instituições em 2014.
O aporte, por agências de fomento,
de recursos para a pesquisa científica e
tecnológica nas Universidades Públicas
Federais apresentou cortes ainda mais
acentuados, com a redução drástica
do investimento federal em ciência e
tecnologia. A medida ameaça comprometer
todo o sistema, construído nos últimos anos,
10
de dezembro de 2016, que congela os
gastos com despesas primárias (pessoal,
investimentos e outras despesas correntes)
do Poder Executivo e não estabelece limite
para o crescimento dos gastos financeiros,
o cenário para as próximas duas décadas
é de intensificação de um processo que
poderá levar ao comprometimento definitivo
do Sistema Público de Universidades
Federais, com impactos desastrosos para
o desenvolvimento econômico e social do
país, para o enfrentamento da pobreza e
da desigualdade e, enfim, para a soberania
nacional. Não haverá futuro para o Brasil
com a manutenção dessa medida. É urgente,
portanto, que a sociedade brasileira unifique
esforços com vistas a alterar esse cenário
em favor da destinação de mais recursos
públicos para as áreas sociais.
que colocou o Brasil entre as nações
mais aptas a trabalhar na fronteira do
conhecimento. Como resultado, laboratórios
das universidades estão cancelando
projetos, equipamentos estão sendo
descartados por falta de manutenção,
equipes de pesquisa estão sendo desfeitas
e alguns pesquisadores começam a deixar o
país em busca de oportunidades no exterior.
Acresce às dificuldades já relatadas a
decisão do Governo Federal de abater dos
repasses do Tesouro Nacional os valores
captados diretamente pelas Universidades
Federais, medida que inibe o esforço
institucional de captar recursos e chega
mesmo a impossibilitar convênios com
governos estaduais e municipais para
atendimento de demandas do setor público.
Com a aprovação pelo Congresso
Nacional da Emenda Constitucional 95,
Figura 3 – Evolução dos Orçamentos para Manutenção das Universidades Federais
Custeio – Efetiva Manutenção
6.000.000.000
4.888.890.894
5.000.000.000
4.082.789.906
4.000.000.000
3.000.000.000
2.000.000.000
1.000.000.000
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2009
2010
2008
2007
2006
2005
2004
2003
2002
2001
2000
1999
1998
1997
1996
1995
1994
–
Fonte: Execução Orçamentária do Governo Federal 1994-2016 (www.camara.gov.br).
Figura 4 – Evolução dos Orçamentos de Capital das Universidades Federais
Investimento, todas as fontes
6.000.000.000
5.000.000.000
3.278.729.506
4.000.000.000
3.000.000.000
2.000.000.000
1.456.114.682
1.000.000.000
–
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
Fonte: Execução Orçamentária do Governo Federal 1994-2016 (www.camara.gov.br).
11
PROPOSTAS DA ANDIFES
PARA O FINANCIAMENTO
DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS
O Sistema Público de Universidades Federais é, hoje, mais do que em
qualquer outro tempo, indispensável a um projeto de nação baseado na
formação de uma inteligência nacional, no domínio do conhecimento de ponta,
na superação da pobreza e da desigualdade, na soberania, na cidadania e na
democracia. Precisa continuar cumprindo a sua missão e expandindo as suas
atividades. Para seguir contribuindo com o desenvolvimento brasileiro em
todas as frentes, as Universidades Públicas Federais propõem:
a)
A recomposição dos seus orçamentos aos valores de 2014,
atualizados monetariamente e corrigidos pela taxa de
expansão do sistema;
b)
O respeito integral à autonomia das Universidades,
observando o que dispõe a Constituição Federal,
em particular na gestão dos recursos financeiros, em
consonância com os seus Planos de Desenvolvimento
Institucional;
c)
A construção, junto com Governo Federal e sociedade, de
um novo programa de expansão, pautado pela Meta 12 do
PNE, que seja tratado como política de Estado, de um lado,
com a garantia de recursos e de pessoal docente e
técnico-administrativo e, de outro, com metas quantitativas
e qualitativas sintonizadas com as necessidades do país;
d)
A atualização do Programa Nacional de Assistência
Estudantil, compatível com a dimensão e o perfil
socioeconômico atual do corpo discente das Universidades
Públicas Federais; e
e)
A recomposição dos orçamentos das agências de
fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico,
à pós-graduação e à inovação. O repasse integral
às instituições dos recursos do Fundo Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico, hoje retidos
pela área econômica para o pagamento de juros ao
mercado financeiro.
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS
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