Ufal participa de capacitação sobre manejo seguro do peixe-leão na Bahia
Atividade ministrada pelo professor Cláudio Buia e promovida pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado da Bahia reuniu pesquisadores, mergulhadores, pescadores, gestores públicos e profissionais que atuam na região costeira
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O professor Cláudio “Buia” Sampaio, docente dos cursos de Engenharia de Pesca e Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) em Penedo e dos Programas de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos (PPG-DIBICT) e em Ciências Ambientais (PPG-CiAmb), ministrou nos dias 3 e 4 de setembro uma capacitação sobre o manejo seguro do peixe-leão Pterois volitans em Salvador e na Ilha de Itaparica, na Bahia.
O convite foi feito pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado da Bahia (Sema-BA), através do Programa de Gerenciamento Costeiro da Bahia (Gerco-BA), para ministrar a oficina, que teve como objetivo capacitar diferentes públicos para a identificação, captura, manejo e abate seguro do peixe-leão, espécie invasora e peçonhenta que vem se expandindo pela costa brasileira e que atualmente seu limite sul da invasão é o litoral baiano.
Durante a capacitação, o professor Buia destacou os riscos associados ao manejo inadequado do peixe-leão e a importância da adoção de procedimentos de segurança. A programação teve início em Salvador, no dia 3 de setembro, com uma etapa teórica realizada no Instituto de Geociências da UFBA, seguida de uma atividade prática na praia do Porto da Barra. Cerca de 60 participantes estiveram presentes, entre pesquisadores, representantes de todas as operadoras de mergulho de Salvador, gestores públicos, mergulhadores, pescadores, bombeiros, salva-vidas, profissionais da saúde e outros que atuam direta ou indiretamente no ambiente costeiro.
Já no dia seguinte, a capacitação foi realizada na praia de Conceição, na Ilha de Itaparica, na Colônia de Pesca Z-08. A atividade reuniu aproximadamente 30 participantes, entre pescadores, pescadoras, professores e gestores públicos.
Segundo Cláudio Buia, sua participação na capacitação na Bahia evidencia a importância da interiorização das universidades públicas na transferência de conhecimento científico e na formação de profissionais e comunidades para o enfrentamento de desafios ambientais. "A integração entre pesquisa, gestão pública e conhecimento das comunidades pesqueiras é fundamental para a construção de estratégias de conservação e manejo da biodiversidade marinha brasileira", pontua.
Saiba mais
O peixe-leão é uma espécie invasora que pode causar impactos negativos nos ecossistemas marinhos e atividades econômicas importantes, como a pesca artesanal e o turismo. "Por isso, o desenvolvimento de estratégias de manejo observando as características de cada estado invadido é considerado fundamental como ferramenta de reduzir os efeitos de sua expansão", destaca o professor Buia.
A espécie possui 18 espinhos capazes de inocular veneno e, por isso, sua captura e manipulação exigem equipamentos e técnicas apropriados. A programação abordou ainda diferentes etapas do manejo, desde a correta identificação da espécie invasora até o abate. Para facilitar o reconhecimento, foi apresentado aos participantes um exemplar adulto e fresco de peixe-leão. Também foram demonstradas a utilização dos equipamentos adequados para a captura, a legislação atual do Ibama, os riscos e os procedimentos recomendados em caso de acidente. Além dos aspectos relacionados à bioinvasão e segurança, foram discutidas alternativas de aproveitamento do peixe-leão e seu potencial para contribuir com estratégias de manejo.
Na Colônia de Pesca Z-08, um dos principais interesses demonstrados pelos participantes foi justamente a possibilidade de aproveitamento comercial do peixe-leão, incluindo o beneficiamento da carne e o uso da pele. Para o professor, o aproveitamento da espécie pode ser uma importante ferramenta associada ao seu controle. “Quando realizado de forma segura e responsável, o aproveitamento do peixe-leão pode contribuir para reduzir os impactos negativos da invasão e, ao mesmo tempo, gerar oportunidades de renda para as comunidades pesqueiras afetadas”, explica.